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Resenha: “The Night Before”, novo cd do Hooverphonic

Para quem não é familiar com a história da banda belga Hooverphonic, eles se formaram na década de 90 na onda das bandas de Trip-Hop inglesas como Massive Attack e Portishead. Sua primeira vocalista Liesje Sadonius tinha uma bela voz, quase onírica. Ela ficou apenas no primeiro disco, sendo substituída por Geike Arnaert que tinha uma voz mais poderosa, perfeita para a mudança no estilo da banda. Geike ficou com a banda e com ela conseguiu o sucesso na Europa. Em 2008, ela saiu da banda e muitos pensarem que aquilo seria o fim de tudo. Para nós brasileiros, a música deles que fez mais sucesso foi “Mad About You”, tocada infinitamente em um dos Big Brothers da Globo.

Resenha: "The Night Before", novo cd do Hooverphonic | Música | Revista AmbrosiaPorém, a banda continuou e pediu que quem quisesse ser vocalista, que mandasse gravações para eles. Agora, após mais de mil candidatas, a escolhida foi Noémie Wolfs. O disco, “The Night Before” segue a mesma linha do último trabalho da banda, “The President of the LSD Golf Club”, com Noémie tentando encarnar Geike a todo custo para que a base de fãs não se afaste totalmente e talvez este seja o maior erro da banda.

Quando Liesje saiu da banda e Geike entrou, cada um tinha seu estilo próprio de cantar, criando uma espécie de separação entre as fases da banda que passou do trip-hop para o europop em questão de um disco. Agora, Noémie apareceu como uma substituta que não consegue calçar os sapatos de Geike e nem andar com os próprios pés. A sua falta de experiência como vocalista é nítida nas primeiras duas faixas do disco, “Anger Never Dies” e “The Night Before” onde ela se prende ao estilo de Geike, mas sem a mesma qualidade e competência em saber interpretar uma canção.

Talvez o grande problema deste disco novo é que ele tem cara de velho, no sentido de que a fórmula do anterior foi repetida e eles precisavam de alguém que se adequasse a ela. O estilo dito psicodélico do disco é em verdade um pop com mais sintetizadores e instrumentos diferentes, criando alguns sons que poderiam ser chamados de novos se não fossem uma repetição de algo usado dois anos atrás e os vocais de Noémie simplesmente soam inertes e ineficazes de trazer qualquer sensação ao ouvinte. Pior, causa asco em alguns momentos a falta de qualidade na instrução da cantora e de sua adequação com a proposta original da banda.

Como fã da banda, fiquei desapontado com o resultado final do disco, que em mãos mais hábeis poderia ter sido muito melhor do que foi e com certeza eu tenho pena de Noémie Wolfs, que se não mudar sua postura e estilo, será somente mais uma cópia de uma bela voz que no fim das contas soube a hora de deixar um grupo que já não lhe agradava. Para quem é fã, melhor ficar com as músicas antigas e esperar que no próximo disco eles saibam sair do que os prendia à fase anterior e possam criar belas músicas para que sua nova cantora desponte como mais uma bela voz no mundo da música e não apenas um rostinho bonito para chamar a atenção.

3 opinaram!

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  1. Concordo! Sei lá, a Geike tinha um estilo sexy, divertido e e até 'rasgado' de cantar, o que não vejo nessa Nóemie não tem. É muito cantora de karaokê – certinho, mas sem aauela pegada Trip-Hop sabe?

    Apesar de ter gostado de "The night before" e outras canções, os vocias e o estilo Trip-Hop estão faltando. Que pena, adoro essa banda!!!
    Espero que eles consigam criar outro estilo assim como fizeram com aGeike quando ficou no lugar da Liesje.

  2. Pois eu conheci o pessoal da banda em 2001, em um concerto no antigo Sala Arena de Madrid (hoje Sala Heineken). O Gino Moerman, que então era o manager deles, ficou amigo e fomos mantendo contato por uns anos, quando cada um acabou indo para o seu lado. Bem, o que quero dizer com isso? Que conheço a banda desde os primórdios do A New Stereophonic … Foi brilhante com a Sadonius, foi muito competente com a Geike, e segue competente com a Nóemie. Sinceramente, The Night Before é muito superior, por exemplo, ao Presents Jackie Cane. Com o tanto que eu gosto da Geike, principalmente, entendo que a Nóemie tem seu estilo, sim. É óbvio que o Alex precisa de alguém com o timbre parecido. Os caras precisam fazer concertos e tocar as músicas antigas. Acho uma babaquice esse papo de criticar o "incriticável". Hooverphonic está longe de ser uma banda extraordinária, mas é estilosa e com personalidade, não importa a vocalista que esteja no palco.

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