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Rock In Rio: nostalgia e baladas marcam o eclético terceiro dia

O terceiro dia de Rock In Rio foi o mais eclético até aqui. Enquanto no primeiro dia o pop/rap/eletrônico predominaram e o segundo foi totalmente calcado no rock, quem passou pela Cidade do Rock no último domingo assistiu a uma relação bastante variegada de atrações nos palcos Sunset e Mundo. No palco principal, teve axé, pop, rock e muita nostalgia, sobretudo no headliner Bon Jovi.

Carnaval fora de época

Ivete Sangalo já é figura carimbada no Rock In Rio. E a rainha do axé provou que pode ser encaixada em qualquer dia do festival (ok, menos no do metal, pessoal). Com pleno domínio de palco, pode não ter feito o show arrebatador de 2011, que a consolidou como atração obrigatória nos anos seguintes, mas ainda assim passou com autoridade e sem nenhum problema sequer diante dos fãs de Bon Jovi.

One hit wonder

Já no clima da atração principal, o Goo Goo Dolls teve a ingrata tarefa de abrir efetivamente a noite (Ivete Sangalo foi mais um aquecimento) tendo apenas um hit na manga. O resultado foi uma plateia respeitosa – parece que vaia saiu mesmo de moda no RIR – mas sem muito interesse no que estava acontecendo no palco. Alguns (poucos) que conheciam algo mais da banda se empolgaram na rock ballad ‘Black Balloon’, do disco “Dizzy Up The Girl”, de 1998, o mesmo do qual saiu o maior êxito ‘Iris’. Pouca gente sabe que depois do estouro do final dos anos 90 a banda seguiu lançando álbuns. E menos ainda que esse show faz parte da turnê de divulgação de “Miracle Pill” lançado esse ano.

O público só se animou mesmo quando a aguardada ‘Iris’ foi executada, mas já era a última música. Falta ao Goo Goo Dolls um repertório consistente, nesse caso, um cover de algum clássico do rock é bem-vindo para dar uma azeitada no setlist, mas eles não recorrem a essa estratégia. A banda até possui uma ou outra coisa interessantes no quarto disco, de 1993, que levou os rapazes ao mainstream, quando tinham forte influência garageira, no embalo de Seattle. ‘Girl Right Next to Me’, por exemplo, teria espantado o sono. Acabou sendo mesmo apresentação de uma música só.

Sofisticação é a palavra de ordem

Quando Dave Matthews e banda entraram no palco com ‘Don’t Drink the Water’, o recado estava dado: seria um show sofisticado musicalmente, e quem se apertava na frente do Palco Mundo segurando lugar para o show de Bon Jovi, foi agraciado com uma das melhores apresentações do festival até hoje. A Dave Matthews Band estava de volta ao RIR depois de dezoito anos. Assim como o Foo Fighters, headliners da noite anterior, eles estiveram na edição de 2001. Para os padrões da DMB foi até um show curto, condensado em uma hora para caber no cronograma de banda de abertura. Mas rendeu ótimos momentos, inclusive em covers como ‘Sledgehammer’ de Peter Gabriel e ‘Sexy M.F.’ do Prince. A melhor versão, e um dos melhores momentos do show, foi Staying Alive dos Bee Gees sobre a base de ‘Back In Black’ do AC/DC. E os clássicos ‘So Much to Say’ e ‘Crash Into Me’ esbanjaram poder de fogo e certamente arregimentaram novos fãs.

Nos braços da nostalgia

A banda mais aguardada do Rock In Rio segundo levantamento subiu ao palco com um pequeno atraso (estava programada para às 00H30), mas compensou para quem aguardava desde a abertura dos portões. O Bon Jovi, como sempre, entrou com o jogo ganho, tanto que se deu ao luxo de abrir a apresentação com ‘This House is Not For Sale’, faixa título do último álbum, de 2016, ao invés de escolher alguma mais famosa.

Mas logo a seguir veio o primeiro clássico da noite, ‘Born to Be My Baby’, que pôs a Cidade do Rock aos gritos, e esse seria o clima da noite daí por diante, levada nos braços da nostalgia. A banda promoveu o tradicional passeio pelas diferentes fases da carreira iniciada nos anos 80. Não é novidade para ninguém que a voz de Jon Bon Jovi não é mais a mesma coisa, e ele busca contornar abaixando o tom e o andamento das músicas e se refugiando nos vocais de apoio. No caso de ‘In These Arms’ ele simplesmente sede o posto de vocalista para o tecladista David Bryan e fica apenas acompanhando no violão, já que as notas do refrão estão mais difíceis de serem alcançadas. Daí, mais do que nunca Bon Jovi recorre ao sex appeal, que do alto de seus 57 anos e cabeleira grisalha não se extinguiu, além de um rebolado e domínio de cena de quem andou estudando Mick Jagger.

Com ou sem voz, seu status no olimpo pop continua inabalado. Haja visto o frisson do momento em que o vocalista galã chama uma fã para dançar de rosto colado a baladona ‘Bed of Roses’. Nessa noite foram duas felizardas. A segunda ainda ganhou um selinho. Em ‘Lay Your Hands On Me’, ele desceu para o nível do público para fazer corpo a corpo. O bis com ‘Always’ e a apoteose de ‘Livin’ on a Prayer’ encerrou a terceira vinda ao festival da banda de Nova Jersey (a segunda consecutiva) e pode-se dizer que esse foi o melhor show apresentado em suas participações do Rock In Rio. O guitarrista original Richie Sambora continua fazendo muita falta – mas baterista Tico Torres ainda está lá, descendo o braço – e a já comentada perda do alcance vocal, mas com seu carisma e entrega, Jon Bon Jovi consegue desviar as atenções dos fãs desses poréns e focar na experiência de estar diante do ídolo e na emoção evocada pelos sucessos indeléveis.

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