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Se renda ao balanço de Janelle Monáe

Atualmente, o mundo musical vive do surgimento de cantores originais que mostram qualidade vocal impressionante. Foi assim com Lady Gaga, que por baixo daquela figura excêntrica habita uma cantora de qualidade, e a próxima da vez é Janelle Monáe, que é completamente diferente de Gaga no estilo musical, mas que surpreende pela sua voz. Além de cantora, a menina do Kansas de 24 anos também compõe e ainda é bailarina.

Janelle surgiu de forma discreta em 2008 com o álbum Metropolis: Suite I (The Chase), recebeu uma indicação ao Grammy em 2009 e neste ano caiu na graça do público em geral com seu ambicioso álbum The Archandroid.

O álbum prova de forma irrefutável a versatilidade da cantora, que já é chamada de diva do soul pela comunidade gay. Com 18 faixas ao todo, as canções variam entre os estilos musicais conhecidos fazendo mistruas de pop, funk, trilha sonora, rock psicodélico, jazz orquestral e canções pastorais em uma narrativa futurista que tem como ponto de partida o clássico de ficção científica Metropolis (1927), de Fritz Lang.

A primeira faixa do disco começa com arranjos de orquestra  e vai se adequando a alguns padrões do hip-hop mais radiofônico (de rhythm and blues a folk britânico). Janelle vai experimentando uma dezena de nichos e combinações improváveis.

Com Tightrope, a cantora conquistou todos durante sua apresentação no programa de David Letterman em maio deste ano. Quem não sucumbiu aos braços de Morfeu presenciou, em TV aberta, um sinal de vida inteligente no universo pop. Com uma afinação impecável, Monáe cantou e brilhou no palco com elegância, proporcionando à platéria sua esfuziante mescla de funk e R&B com movimentos leves.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=rzZnao2fbRQ[/youtube]

Apesar do pop estar em seu trabalho, Janelle não lembra o rebolado vulgar a que estamos acostumados a ver por aí, já que seu talento vem em primeiro plano, o que a coloca em outra categoria dentro do show business.

As canções de The Archandroid contam a história da androide Cindi Mayweather, que se apaixona por um humano e tem de escapar da polícia para não ser desativada, se tornando uma espécie de messias com a missão de libertar as classes oprimidas. Ou seja, é um álbum extremamente conceitual.

Entre as minhas preferidas estão Dance Or Die, um pop a qual já estou acostumado, seguido por Faster e Locked Inside, que proporcionam uma verdadeira epifania com uma batida rápida por parte de Faster, que segue num ritmo mais meloso em Locked Inside. Um detalhe interessante é que em certos momentos nem dá para perceber a mudança da faixa de tão conectadas as canções estão uma nas outras.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=lqmORiHNtN4&feature=player_embedded[/youtube]

Outras que considero ótimas são Cold War (para mim, a melhor canção do disco), Oh Maker e sua letra suave e batida romântica, Make the Bus, um pop meio robotizado que consegue cativar e Wondaland, que parece um saco de pipoca doce recheado de leite condensado. Sim a comparação é meio esdrúxula, mas ao ouvir a canção que tem um ritmo meio infantil você vai saber do que estou falando.

Para os que estão cansados de Britneys, Christinas, Beyoncés, Madonnas e até mesmo Gagas, fica a recomendação de The Archandroid, que consagra Janelle Monáe no panorama pop e diversifica um pouco os ritmos que estamos acostumados. Bom gosto e diversão estão garantidos.

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5 Comentários

  1. hehehe gostei do seu comentário:

    ”Para os que estão cansados de Britneys, Christinas, Beyoncés, Madonnas e até mesmo Gagas, fica a recomendação de The Archandroid, que consagra Janelle Monáe no panorama pop e diversifica um pouco os ritmos que estamos acostumados. Bom gosto e diversão estão garantidos.”

    Esse Cd é maravilhoso mesmo, para mim o melhor de 2011.