Senhoras e senhores, apresento-lhes Lady Gaga!

Tão estranha quanto Grace Jones; polêmica como Madonna; pop como Britney Spears e canta bem como uma cantora.. Lady Gaga é uma imagem de tudo de uma vez. Clichê, mas a nova sensação do pop veio para ficar.

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Começo de 2009. Surge nas rádios brasileiras o hit “Just Dance”. Uma resposta ao que se vê no resto das estações do mundo. O primeiro single, que trouxe a espalhafatosa cantora de pop/dance Lady Gaga às paradas de sucesso, vindo a consolidar sua fama na temporada de “Poker Face”.

Usando formas primárias setentistas e oitentistas em seu estilo (comparações são comuns e inevitáveis), Gaga evoca o vibrante pop/dance em batidas sintéticas e letras ousadas que  contem o libertino comportamento da discoteca moderna e seus agitados freqüentadores. Toda uma grade comportamental em refrões memeticamentes pops. Letras, escritas com um talento natural – entenda-se vívido. Vias conhecidas dirigidas por mãos diferentes (e iguais, como RedOne e Rob Fusari). Seu primeiro álbum, “The Fame”, é isto. Ele traduz a agitação do mundo atual para festas excitantes. Estabelece hinos festivos e boas críticas – pelo Pop.

Gaga é extremamente identificável a seus modelitos excêntricos, cabelos esculturais, saltos McQueen e frases de puro entrelaço crítico e libertina. Uma garota que gosta de se fantasiar de diferente para não ser tachada como igual. Seus videoclipes abusam de comportamentos sexuais polemicamente conhecidos. Diz-se normal. Tudo de dentro de uma livre discoteca.

Ela é ela mesma, com o uso de molduras – novamente – oitentistas similares e primordiais; falar, para ela, é comunicar e tornar-se identificável, mesmo que usando a bandeira homossexual. Consegue um público enorme disposto a dançar e soltar-se em suas fantasias e estranhezas – todos temos as nossas, e Gaga é uma ilha na mídia; um número grande de consumidores dela, seus fãs.

Chega “The Fame: Monster”, com a proposta de mostrar o lado monstro da fama. As batidas se tornam mais fortes e um uso vocal proeminente nas canções. As letras são as mesmas. Prodígio crítico no campo pop, mesmo que novamente por vias conhecidas.

Percebe-se que o período de surgimento de Gaga e sua consolidação foi coincidente com a falta de certas cantoras “tradicionais” pop no mercado (entenda-se atuante). Estas estavam em crises, ou uma nova fase fénix; momentos diversificados em sua carreira artística ou mantinham pouca pluralidade com o pop; mesmo que tenhamos a mais prodigiosa Beyonce, ela ainda é uma para muitos. Gaga tinha/tem força para fazer páreo em seus grandes auges, mas o espaço vazio facilitou sua subida para uma competição direta com nomes acostumados e – nesse precoce momento de vertigens dançantes – à obras icônicas. E até estabelecendo tendências em novos trabalhos “das antigas”. Ela veio, ficou, e está no lado promissor da cena musical atual.

Lady Gaga mostra cada vez mais o que é em relação a sua imagem de artista: um produto de cultura de massas que os utiliza para se consolidar em sua diferença, entretanto apenas simbolizando-o. Abusa da fama para gerar fama.

Usa de sua imagem inteligentemente para se vender. Seus videoclipes abusam de um comportamento sexual, além de ideários deste segmento e um mundo de referências de massas. Abusa de popularidades e estereótipos, apenas fantasiados com uma linda combinação de cores. Ideários perfeitos estabelecidos para se identificar. Um ícone de massas; uma espalhafatosa bandeira.

Lady se torna o maior veículo atual de merchandising de massas. Ela carrega em si seus produtos e patrocionadores – em todos os sentidos –  como um outdoor.

Tudo é referência a algo, uma cópia original misturada: seus videoclipes, apresentações e aparições em revistas entram em meio a mata de referências da cultura de massas e um feedback dela mesma: o seu mundo escapista. Ela por si só é uma referência clara aos anos oitenta remixado; muda-se a letra, cria-se um novo single, mas sua característica principal a “solidifica”: ela mistura, mesmo que para vender igual, mas tudo junto. Tão estranha quanto Grace Jones; polêmica como Madonna; pop quanto Britney Spears, canta e escreve bem como uma cantora … Lady Gaga é uma inteligente imagem de tudo de uma vez.

Lady Gaga veio para ficar, colar, mostrar todo o diferente como normal, referenciar e ser referência misturando tudo e vendendo de uma vez. Lady Gaga tem qualidades o suficiente para ser uma exímia cantora e compositora. Lady Gaga é uma extraordinária manipuladora de imagem. Precisa ser vista e revista; e ouvida, pois sabe cantar.

Clichê, mas a nova sensação do pop veio para ficar.

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8 thoughts on “Senhoras e senhores, apresento-lhes Lady Gaga!

  1. Diferente… mas o pessoal tem que entender que a Cindy Lauper era diferente tbm e hoje o que é a Cindy Lauper???
    logo,logo vai começar a fazer "duetos" com cantores de hip-hop que só falam merda.

    • Cindy Lauper fez "She's So Unusual" e depois partiu para algo como "True Colors". Evolui em algo, mas no seu genêro, o pop, o tempo apenas tratou de consolidar quem transgredia e fazia hinos. Não que ela não o fizesse, mas não se reinventava muito nisto.
      Gaga já deve ter tido um bom aviso com o ocorrido com Kanye West. Duetos apenas dependem dela, a qualidade também. Não dá para prever tudo e depois tratar com estupefação se sair algo bom.

  2. Fica por mais 10 minutos que nem todas as outras…

  3. A sua imagem aparenta ser consumida e reciclada a um ritmo vertiginoso e podendo cair no tédio popular, mas suas habilidades como cantora a denotam no cenario como influência e habilidade.

  4. Gaga é um gênio, uma DIVA absoluta! Ela é Cindy Lauper, Grace Jones, Kylie Minogue e Madonna com uma pitadinha de Bowie, apresentada à uma nova geração.
    Sim, é uma cantora pop. Sim, muito do que faz já foi visto. Mas a garota Stefani Germanotta por trás de Gaga sabe o que está fazendo. Ela é polêmica em seus clipes e perucas, ao subir no palanque da marcha pela igualdade dos direitos GLBT e ao criticar o sistema que a consome. Mas fora disso ela nunca foi vista caíndo de bêbada numa festa ou acidentalmente sem calcinha num carro. Em entrevistas, fala da família e do desejo de ser um modelo para todos os que se sentem estranhos. Nos shows, ela se mostra como um ídolo consumido pelo monstro da fama… Mas parece que é ELA quem sabe como consumir o monstro.

  5. acho bom o trabalho dela é excitante, descolado, esperto, dançante, divertido, e pelo o que eu ando ouvindo de algumas demos do que possa ser o do novo disco dela ela vai mudar radicalmente, ouvi muito piano guitarra e bateria, será? acho possivel. seria melhor pra ela, porque mudar é sempre bom. acho que por ela ser essa figura iconica de moda e comportamento ela sofre muita rejeição por parte de fãs da madonna ou de outras cantoras, bom no meu caso, adoro lady gaga, nao é a minha 'DIVA', mas respeito ela, e sei que ela veio pra ficar. excelente texto, parabens.

  6. Lady Gaga é Demais, e eu realmente aprecio o seu trabalho! Love You, Mother Monster =) S2