Soma Soma estreia o disco Nem Toda Flor

O grupo Soma Soma estreia seu novo álbum, Nem Toda Flor. O trabalho, que ganha vida a partir de pausas e transformações, foi gravado na cidade de Bristol, no Reino Unido, em um estúdio localizado nos fundos doThe Jam Jar. É o mesmo espaço em que o grupo costumava ensaiar. Ao longo de 9 canções,…


Soma Soma Press

O grupo Soma Soma estreia seu novo álbum, Nem Toda Flor. O trabalho, que ganha vida a partir de pausas e transformações, foi gravado na cidade de Bristol, no Reino Unido, em um estúdio localizado nos fundos doThe Jam Jar. É o mesmo espaço em que o grupo costumava ensaiar. Ao longo de 9 canções, o LP traduz a maturidade criativa e a harmonia coletiva adquirida por seus integrantes, que constroem juntos uma ponte entre o velho continente e as sonoridades brasileiras.

Formada por Jonny Pryor (guitarra), Oli Mason (bateria), Jake Calvert (percussão), Rory Macpherson (saxofone), Joe Bradford (trombone), Piers Tamplin (saxofone, clarinete baixo e flauta) e Stevie Toddler (baixo e vocais de apoio), além de Artur, a SOMA SOMA se revela uma celebração da pluralidade rítmica e emocional. Mais do que isso: uma big band contemporânea que calca sua identidade na potencialidade da música progressiva em acessar a alma do Brasil e ainda assim estar aberta ao diálogo com o mundo.

O título, que vem da frase “Nem toda flor floresce o ano todo”, é também uma metáfora sobre ciclos, emoções e a necessidade de respeitar o próprio tempo. “Nem Toda Flor, o álbum, nasceu da pausa que o mundo viveu durante a pandemia de Covid-19. Eu e Artur tínhamos bebês recém-nascidos, mas ainda assim encontramos tempo para seguir compondo com o resto da banda. Era um período de reflexão e de reconexão com o essencial — e foi nesse espírito que as músicas surgiram”, conta Jonny Pryor, um dos integrantes do projetos. 

Haja vista, cada faixa carrega uma história. “O Mundo Parou”, escrita durante uma visita ao Brasil, pulsa entre a tensão e a esperança. Inspirada por Bebeto e Antônio Carlos & Jocafi, a canção transforma a quietude do isolamento social em groove, com letras que refletem sobre trabalho, tempo e reconexão com a família. Já “Se Eu Fosse Um Homem Sem Amor” é uma canção de duas notas que se expande em sentimento, nascida da tentativa de simplificar o entorno e deixar que apenas seu ritmo guie. Influenciada pela batida dos Arróxa Drummers, a estreia traz um groove denso e apaixonado sobre criar vida a partir do amor.

Em “Yelda”, Artur Tixiliski se inspira no romance O Caçador de Pipas, do romancista afegão Khaled Hosseini, para transformar a noite mais longa do inverno persa em metáfora da espera e do desejo. “Parquinho”, por sua vez, reflete o tempo vivido entre a incerteza da paternidade, com o som das correntes de um balanço infantil se transformando em base rítmica para uma peça de tom jazzístico. “Pressa”, na sequência, homenageia a cena de jazz de Bristol com compassos irregulares e metais exuberantes, lançando luz sobre o aprendizado coletivo da desaceleração com fins de reencontro do propósito.

O álbum também se abre ao protesto e à espiritualidade. “Treta” é um maracatu político, escrito a partir de um antigo riff de autoria de Tixiliski, em parceria com o compositor Hércules Lacovic. É uma resposta à sua frustração com o autoritarismo e a crise ambiental provocada pelo governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). “Laranjeiras”, lançada como single antecipado, é um samba psicodélico que homenageia o bairro carioca e o espírito solar do Brasil, enquanto “Nem Toda Flor Floresce o Ano Todo” funciona como um mantra sobre autocompaixão, inspirado nos cantos responsivos do samba de coco. O encerramento, que se dá com “O Menino e o Pandeiro”, flutua entre rumba e samba, celebrando o aprendizado, a leveza e a continuidade, aspectos que nos abrem as portas do futuro.


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