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Suricato no Circo Voador: Um trem em movimento no pop rock brasileiro

O rock brasileiro voltou ao Circo Voador mais uma vez. Na última sexta-feira, dia 31 de outubro, a banda carioca Suricato subiu ao palco da famosa casa na Lapa para lançar seu novo disco, “Sol-te”, gravado na Toca do Bandido e produzido por Christiaan Oyens (que já trabalhou com Cazuza e Ritchie). O show apresentou ao grande público da cidade – depois da exitosa participação no programa Superstar da Rede Globo em 2014 – a musicalidade pop-folk guitarrística da banda. Comandada por Rodrigo Nogueira ao lado de Gui Schwab, Rafael Romano e Pompeo Pelosi, a Suricato, que harmoniza no seu som as características da canção pop com elementos do blues rural, tem tudo para se tornar uma força musical em ascensão dentro do cenário do rock brasileiro com alcance de massa.
O eixo artístico fundamental do trabalho é Rodrigo Suricato – cantor, compositor, letrista, guitarrista e líder do grupo que já havia lançado um disco com outra formação (o instigante grito inicial “Pra sempre primavera”, produzido por Jr. Tolstói). Rodrigo é um exímio guitarrista e um compositor que tem a habilidade especial de fazer canções no estilo de Elton John e Djavan. É ótimo melodista e sabe percorrer os caminhos suaves e misteriosos que conduzem até as notas encantadas que capturam os ouvidos e os afetos do público.
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O outro pólo criativo do grupo é Gui Schwab, que também canta, domina a guitarra com estilo e é multi-instrumentista: toca violão, viola caipira, didjeridoo (uma espécie de “berrante” criado por indígenas australianos), ukelele, gaita, mandolin, Waisenborn e outros, cativando a platéia com sua personalidade. A partir da potência criativa emanada do encontro entre os dois, e com o auxílio de Romano no baixo e Pelosi na bateria, a Suricato dá um passo adiante em relação ao primeiro trabalho e faz nascer sua interessante identidade musical: a mistura de pop rock brasileiro, a canção folk e o blues americano de raiz.

O Show

Com o sucesso “Talvez” marcando presença na Radio Cidade, Rodrigo e seus parceiros de “núcleo criativo” subiram ao palco energizados pelo “Boa noite, Circo Voador” para se apresentar para um público órfão do Brock. A banda iniciou os trabalhos com a execução de um hit certeiro: uma releitura charmosa de Come Together dos Beatles. Seguiu-se a ela a autoral “Trem”, canção que traz aquilo que a Suricato tem de mais afiado: sua pegada envenenada de country-blues envolvendo a canção, com uma melodia inventiva e bem trabalhada que faz a cama para uma letra poeticamente inspirada de Rodrigo. Some-se a isso tudo aquela camada imprevista de música folk, entregue especialmente por Schwab, seu Didjeridoo e suas cordas e temos um pouco da Suricato, uma espécie de combinação de Lulu Santos, Muddy Waters e Led Zepelin, no Rio .
O rock continua e pode-se ouvir outros sons inspiradamente radiofônicos e com a mesma atmosfera bluesy, como em “Inseparáveis” e “Eu não amo todo dia”. A galera curte e dança com Rodrigo, que fica muito a vontade no palco e se comunica com os fãs com naturalidade. Há espaço também para a candidata a hit “Para tudo acontecer”, parceria de Rodrigo com Moska (que também tem uma história no rock brasileiro pós-80 com os “Inimigos do Rei”).
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No cover de “Um certo alguém”, de Lulu Santos, o líder da Suricato brilha serenamente, familiarizado com a tranquilidade do ukelele, e revela a beleza pura e o desejo de captura suave presentes numa canção pop caprichada. Nada como o encontro de uma boa harmonia com uma boa melodia cantada com o coração disposto, não?. Com esse mesmo clima, a Suricato apresenta a fluência de suas próprias baladas. “Do que não sei”, foi tocada no show e cativa. “Quando vc crescer” e “Bobagens” estão no disco e são de se ouvir sorrindo.
Juntos, o disco e o show deixam claro que a Suricato bebe nas fontes musicais brasileira e americana com a sabedoria de jovens que cresceram nos anos 90. A banda articula suas inspirações na medida exata e, a partir delas, coloca sua própria música adiante. Dialogando com suas raízes, o grupo começa a construir artisticamente seu estilo, com alto potencial de chegar às FMs. Mais do que isso, o trabalho do grupo lembra pra nós o poder mágico que o veneno da guitarreira blues-folk-rock tem quando está associado à doce e sedutora capacidade de comunicação da música pop. Penso em Axl Rose e Slash e em Jon Bon Jovi e Ritchie Sambora.
Por aqui, o Circo abraçou a Suricato e sua música, que é amiga do grande público e toca na TV. E é, ao mesmo tempo, som para os roqueiros mais roqueiros, como aqueles que vibraram com o cover de “Like a rolling stone”, de Bob Dylan e andavam pela plateia satisfeitos com suas surradas camisas do Lynyrd Skynyrd.

Fotografia por Salvador Camino

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Comentários 1
  1. Fantástico. A melhor banda brasileira a surgir nos últimos 10 anos. Para aqueles que amam Beatles, Rolling Stones, Lynyrd Skynyrd, Dylan, Neil Young, Crosby, Stills & Nash, Geoge Thorogood, LED,……ou seja, rock de muita qualidade, feita por grandes músicos. Que a mídia deixe o povo saber e entender e aproveitar esse presente.

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