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The Who – Os melhores momentos de Pete Townshend

Guitarrista da banda clássica completa 75 anos

Pete Townshend, guitarrista e líder da lendária banda The Who, completou 75 primaveras no último dia 19 de maio. Celebrar Townshend é celebrar The Who, claro. Sua trajetória na música se confunde com a da banda que fundou junto com o vocalista Roger Daltrey, o baixista John Entwistle e o baterista Keith Moon.

O guitarrista foi (e ainda é) o cabeça e o estrategista da banda. Compositor da maioria das letras e de praticamente todas as melodias em uma banda em que os integrantes não eram amicíssimos. Por mais que ele tenha sido pivô da maioria das brigas (geralmente causadas por seu autoritarismo) sua obstinação contornava esses percalços e manteve a banda junta até hoje, mesmo com apenas dois membros originais (Moon e Entwistle morreram em 1978 e 2002 respectivamente). Além da liderança, suas marcas registradas são o “windmill” (aquele rodada de braços antes de desferir uma palhetada nas cordas de sua guitarra) e os altíssimos pulos que dava no palco nos anos 60 e 70.

Para celebrar o aniversário, vamos lembrar alguns momentos brilhantes da carreira de Pete Townshend.

A Quick One

No segundo álbum, o The Who já demonstra uma guinada mais ambiciosa artisticamente. Enquanto “My Generation” estava mais para um agrupamento de singles, “A Quick One” já se reveste do conceito de álbum, com as faixas em um claro sentido de unidade. A opereta que dá nome ao disco pode ser vista como precursora da mini ópera-rock Rael, do álbum seguinte, “The Who Sell Out”, e da ópera-rock “Tommy”, que seria lançada três anos depois.

O Who tinha 10 minutos para preencher o LP. Kit Lambert, empresário da banda, sugeriu a Pete Townshend que ele escrevesse “algo linear … talvez uma música de 10 minutos”. Townshend respondeu dizendo que as músicas de rock são “2 minutos e 50 por tradição!” Lambert então disse a Townshend que ele deveria escrever uma história de 10 minutos compreendida como uma música de 2 minutos e 50. Essa performance no “The  Rolling Stones Rock and Roll Circus” pode ser considerada a definitiva.

Tommy

Depois de ensaiar o conceito com ‘A Quick One’ e a faixa ‘Rael 1’, Pete Townshend resolveu criar sua ópera-rock. A história do garoto que cresce cego surdo e mudo após um trauma na tenra infância e desenvolve habilidades sem igual no pinball, se transformando em ídolo, foi narrada em um vinil duplo (e CD simples).

O ponto alto é a faixa ‘Pinball Wizard’, que foi a última música que Townshend compôs para Tommy. Ele a escreveu quando descobriu que o influente crítico de rock britânico, Nik Cohn, estava vindo para escrever sobre o projeto. Townshend sabia que Cohn era um fanático por pinball, então ele organizou tudo para garantir uma boa resenha. Cohn fez uma ótima crítica e o pinball se tornou o tema principal da ópera do rock.

A canção que traz um dos riffs mais marcantes do rock, foi gravada com uma Gibson de 1968, e se tornou um dos maiores hinos do The Who.

 

Who’s Next

A gênese do quinto álbum do The Who está em Lifehouse, projeto concebido por Townshend como um filme sci-fi com teor espiritual, com trilha da banda, que apareceria em alguns momentos tocando ao vivo, e renderia um álbum duplo.

Dos escombros de Lifehouse saíram letras sobre a desilusão com as expectativas de uma mudança significativa prometida pela geração dos anos 60 (‘Won’t Get Fooled Again’), espiritualismo (‘Baba O’Riley’, inspirada pelo guru indiano Meher Baba), e até um desabafo autorreflexivo de Townshend (‘Behind Blue Eyes’ em que diz: “ninguém sabe como é ser o homem mau/ser o homem triste/por trás dos olhos azuis”).

 

Quadrophenia

A outra grande ópera-rock do The Who contada em álbum duplo mostrava a trajetória do jovem Jimmy, um garoto mod (tendência da qual emergiu o The Who) da classe operária.

O ponto alto é ‘5.15’, música que abre o disco 2 com Roger Daltrey em performance vocal extrema. O termo “Quadrofenia” foi cunhado por Pete Townshend, referindo-se a uma esquizofrenia ao quadrado.

O protagonista Jimmy The Mod era um quadrofênico. Townshend queria que cada uma de suas quatro personalidades representasse um dos quatro membros da banda. Isso acabou não funcionando tanto como planejado, pois ele estava muito mais envolvido no projeto do que os outros membros.

 

Parceria com Ronnie Lane

O Small Faces, assim como o The Who, era um dos principais nomes da british invasion, inclusive com boa influência da banda de Townshend.

Em 1977 aconteceu um encontro entre mestre e aprendiz quando o ex-Small Faces e The Faces Ronnie Lane junto com Townshend empreenderam a bela parceria chamada Rogh Mix, disco que contava com convidados de peso como Charlie Watts, baterista dos Rolling Stones, Ian Stewart, pianista dos Stones, Eric Clapton e o seu colega de Who John Entwistle.

Carreira solo

Além de Rough Mix, Townshend teve trabalhos relevantes fora do The Who como “Empty Glass”, gravado após à morte do baterista Keith Moon, e “All the Best Cowboys Have Chinese Eyes”, de 1982.

Sua carreira solo também é lembrada pelo fracasso de crítica da ópera “The Iron Man”, de 1989, apesar de trazer nomes de peso como Roger Daltrey, Nina Simone e John Lee Hooker. Mas vale também lembrar de trabalhos paralelos ao auge do The Who como Happy Birthday (1970) Who Came First (1972) e With Love (1976).

Literatura

Pete Townshend também marcou bastante presença no mundo literário, escrevendo artigos em jornais e revistas, resenhas de livros, ensaios e roteiros. Em 1977 ele fundou a Eel Pie Publishing, editora especializada em títulos infantis e musicais, além de publicações relacionadas a Meher Baba.

O primeiro lançamento foi “The Story of Tommy”, livro escrito por Townshend em parceria com seu antigo colega de escola de arte Richard Barnes, que tratava da composição da ópera-rock de 1969 e a realização do filme de 1975 dirigido por Ken Russell. Em 1984, ele publicou uma antologia de contos chamada “Horse’s Neck” (13″ no Brasil). E, claro, há seu livro de memórias “Who Am I”, de 2012.

 

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