em

Titãs mostraram ao vivo no Circo Voador com quantas pedras se faz um rock

No ao passado os Titãs lançaram seu novo álbum “Nheengatu”, o melhor trabalho dos paulistas em mais de vinte anos. Aproveitando o ensejo do lançamento do DVD ao vivo da turnê de divulgação, o agora quarteto aportou no Rio de Janeiro para uma única apresentação no Circo Voador, na Lapa, na noite do último sábado diante de um público numeroso (casa praticamente lotada) e ávido não somente pelos clássicos com pelas novas músicas, dada a boa recepção do repertório do último disco.

O show se iniciou com ‘Fardado’, primeiro single de Nheengatu e a banda usando máscaras que pareciam um cruzamento de Slipknot e Kiss. Na sequência mais três novas: ‘Cadáver Sobre Cadáver’ e ‘Terra à Vista’. O desfiladeiro de hits (que não são poucos) se iniciou mesmo com ‘Lugar Nenhum’ do disco “Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas”, seguida de ‘Aluga-se’, cover de Raul Seixas, faixa de “As Dez Mais” de 1999 e ‘AA UU’, primeira da noite tirada do clássico absoluto “Cabeça Dinossauro”.

Foto: Patricia Moura
Foto: Patricia Moura

Na última década os Titãs, que já não contavam desde 1992 com o vocalista e letrista Arnaldo Antunes, tiveram três baixas: primeiro o guitarrista Marcelo Fromer, morto em um acidente de trânsito, em seguida o baixista Nando Reis, que deixou a banda para seguir em carreira solo, e por último o baterista Charles Gavin, que encerrou sua participação em 2010 para tocar projetos pessoais. A nova formação com os remanescentes Paulo Miklos (voz e guitarra), Branco Mello (vocal e baixo), Tony Bellotto (guitarra) e Sérgio Britto, que conta com o baterista de apoio Mário Fabre, parece ter dado mais peso à sonoridade ao vivo.

A redução do número de integrantes, instrumentos e vozes em cima do palco formatou o som de uma maneira mais crua, como já sugeria o novo álbum, deixando ainda mais em evidência a veia punk característica da banda. A prova disso é que até músicas mais radiofônicas, de pegada pop como ‘Sonífera Ilha’, ‘Marvin’ e ‘Televisão’ ganharam guitarras e andamento mais pesados. ‘Cabeça Dinossauro’, ‘Polícia’, ‘Bichos Escrotos’ e ‘Igreja’ não precisaram de aditivos, pois foram concebidas como chumbo grosso e ainda são capazes de abrir rodinhas de pogo. As surpresas do repertório ficaram por conta das raramente executadas nos últimos shows ‘Massacre’ do álbum “Televisão”, ‘Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas’ do disco homônimo e ‘Desordem’ também do disco de 87. Essa última, segundo Sérgio Britto, ainda atual.

Foto: Patricia Moura
Foto: Patricia Moura

Foram três bis para a alegria dos fãs. Britto em tom de brincadeira disse que iria contrariar um pouco, quando iniciou os primeiros acordes de teclado do sucesso ‘Epitáfio’, quebrando a sequência de 24 músicas levadas nos últimos decibéis. Claro que a plateia não reclamou e acompanhou. Mesma reação vista em ‘Pra Dizer Adeus’, música de “Televisão” que só encontrou a fama 13 anos depois, como carro-chefe do “Acústico MTV” de 1997, tornando-se um dos maiores hits da banda até hoje.

Com ‘Vossa Excelência’ e ‘Flores’ se encerrou o energético show de um dos pilares do rock nacional, que apesar dos 33 anos de estrada ainda soa fresco e empolgante. Os anos colaboraram para reforçar o entrosamento dos integrantes e a excelência técnica de Fabre, cada vez mais integrado, é muito bem vinda.

Embora hoje o rock Brasil já não tenha o mesmo espaço na mídia, sua relevância é assegurada pelos medalhões, além dos novos talentos que surgem com divulgação independente. O reflexo é visto em shows como o da noite de sábado.

Participe com sua opinião!