
Sinceramente não esperava tanto do novo álbum da banda Coldplay, mas Viva la Vida or Death and All His Friends já se tornou o melhor lançamento do ano. Muitos andam vociferando que a banda se tornou o U2 – ainda mais com a produção de Brian Eno, porém acho engraçado que estes mesmos críticos reclamaram por anos que X&Y era idêntico ao Parachutes.. que a banda não mudava… assim fica complicado entender.
O álbum começa muito bem com a música Life In Technicolor, os segundos iniciais em total silêncio criam a expectativa certa para o que vêm a seguir… a música toda é instrumental e deixa claro que é apenas a introdução para um Coldplay mais aberto, com uma sonoridade buscando ser global sem deixar de ser introspectivo – a grande marca da banda. Cemeteries of London chega em seguida com muito estilo, Chris Martin lembra um bardo medieval cantando sobre fantasmas e o além, aqui temos a certeza da banda ter evoluído para algo novo.
Na terceira faixa, Lost, música mais do que pra lá de U2 – não que isso seja ruim, a música é muito boa e os órgãos da igreja transformada em estúdio se contrapõem perfeitamente com o vocal de Chris. Boa parte das músicas foram gravadas em antigas igrejas da Espanha e América Latina, países que possuem uma ligação muito forte com a religião e com a morte, temática principal do álbum. Coincidentemente ou não, após Lost temos 42 (número que segundo o O Guia do Mochileiro das Galáxias representa a resposta para a vida), que se inícia com a letra…
Those who are dead are not dead
They’re just living my head
And since I fell for that spell
I am living there as well
… uma homenagem da banda aqueles que se foram e deixaram um legado para trás, Chris Martin declarou que esta música era dedicada a John Lennon. Escolher a melhor música do disco é uma tarefa bastante árdua, porém 42 é música que mais me agradou por apresentar de maneira brilhante três momentos distintos sobre praticamente dois refrões, deixando a canção triste e vibrante ao mesmo tempo. Lovers in Japan / Reign of Love é a primeira faixa que contém duas músicas em uma, Lovers novamente carrega muito U2, porém acho melhor irmos nos acostumando com isso pelos próximos anos, já Reign of Love é canção amável apoiada num tocante piano.
Yes / Chinese Sleep Chant novamente contém duas músicas, em Yes, Chris aproveita o violino do convidado Davide Rossi para soltar uma voz grave e nos proporcionar uma aura diferente, que ao meu ver combina inexplicavelmente bem com o tema do álbum. Já em Chinese Sleep Chant, temos guitarras e uma letra ininteligível que chega para nos dizer que a banda ainda não cansou de surpreender…

Viva la Vida é a faixa que da nome ao álbum e impressiona pelos detalhes desde sua abertura até o desfecho, instrumentos de corda e um tambor ao fundo acompanham os tradicionais piano-baixo-guitarra-bateria. A música nos remete principalmente para oespírito da revolução francesa e outros momentos em que as pessoas venceram a opressão e a tirania, a letra inclusive é narrada por um monarca autoritário que deposto conta sua história enquanto espera a guilhotina. Simplesmente fabulosa.
Violet Hill, a música que a banda liberou para download um tempo atrás e primeiro single do disco é a música “mais inglesa” da banda… por me parecer mais uma garantia de vendas do que uma aposta – como outras faixas do álbum, se tornou a que menos gostei. Strawberry Swing vêm em seguida e soa bastante verdadeira, acho que está música expressa melhor o novo Coldplay do que qualquer outra, muito devido a alegria da faixa.
Death and All His Friends / The Escapist chegam cedo demais, a primeira parte de Death and All His Friends segue num ritmo lento e de início me lembrou Smashing Pumpkins em Mellon Collien and The Infinite Sadness, mas depois entram as vozes da banda em unissomo cantando “I don’t wanna follow death and all his friends!”, definitivamente a música que gostaria que tocassem no meu funeral. The Escapist fecha o álbum com sua melodia intangível, um verdadeiro epílogo para a vida/morte.
Por fim, não posso deixar de pedir que ouçam o álbum duas vezes em sequência, há um “segredo” maravilhoso quando se faz isso.
Primeiro single – Violet Hill
Apresentação de Viva la Vida na MTV
Viva la Vida and Death and All His Friends será lançado oficialmente 17 de Junho no Brasil, mas se não quiser esperar pode conferir algumas músicas na página oficial da banda no MySpace.









Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.