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Retrospectiva 2013: o melhor nos quadrinhos

O ano findou e os quadrinhos, dentro de um mercado crescente trouxe numa escala espetacular uma boa quantidade de lançamentos. Tivemos diversas opções nas bancas e livrarias, como também em outras mídias. Uma retrospectiva dos melhores trabalhos publicados aqui e lá fora vem a calhar, como também das obras brazucas. Listaremos a seguir, o que considero os melhores trabalhos de 2013, que de alguma forma consegui ler ou obtive opiniões de amigos sobre os mesmos. Mas fazer uma lista como essa, com uma pesquisa árdua pelo número de publicações e por morar distante dos principais centros urbanos e não ter acesso a muito do que foi publicado neste ano, não foi uma tarefa fácil. Espero que vocês entendam, mas vamos lá:

SUPER-HERÓIS

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Começamos pelo gênero de super-heróis, com a série do Gavião Arqueiro de Matt Fraction e David Aja é o melhor lançamento do gênero em 2013, fiéis ao clássico, eles recuperaram o espírito dos anos 1970 a nível estético, com uma identidade própria. O título venceu os prêmios Eisner de melhor desenhista e capista, como também estava nomeado como melhor série, melhor lançamento e melhor roteiro. Com ambientação urbana, a série conta o ‘velho’ Clint Barton e a jovem Kate Bishop (dos Jovens Vingadores) de pupila do Vingador, no combate ao crime organizado em Nova York, numa versão que abusa do que Tarantino colocou na tela grande, com montagens com referências bem sacadas no texto.

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A DC Comics e os Novos 52 chegou ao Brasil já há um tempo, o reboot que renova a origem dos heróis já até abordado aqui. O mês zero saiu em junho e apesar de muita coisa que para um velho fã posso até considerar estranhas ou mesmo absurdas, tivemos edições interessantes como a da Liga da Justiça, que trouxe a origem de Shazam, Geoff Johns e Garry Frank fazem uma edição agradável e enfim tiramos aquela história de remeter à concorrente com o nome Capitão Marvel. Ou Batman as revelações sobre a família Wayne nas revistas do Batman, ou o que Grant Morrison está fazendo nas séries do Super-Homem.

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Na Marvel gostei do encontros dos dois Homens-aranhas, na revista homônima, onde encontramos o nosso Peter Parker e o do Universo Ultimate, Miles Morales. Na HQ, vemos uma brincadeira com o fato de Parker ter morrido no universo Ultimate e é idolatrado por lá, o que gera piadas muito engraçadas e situações divertidas. Outra HQ boa que saiu foi os dois encadernados do Demolidor, com Mark Waid a frente do roteiro, onde temos Matt Murdock retornando ao alter ego, com aquele mesmo trama de viver os dois papeis em meio a uma Nova Iorque cada vez perigosa.

OUTRAS SÉRIES

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Com certeza, o melhor lançamento por aqui foi a revista “X-O Manowar”, por mostrar o Universo Valiant ao Brasil, com seus personagens mais que interessantes e roteiros ímpares. A HQM está de parabéns e parece que teremos mais títulos neste 2014, espero ler todos. Para terem uma ideia leiam a resenha que fiz do personagem título da revista.

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Outra série que destaco é “O Inescrito” (The Unwritten, no original), de Mike Carey e Peter Gross, lançada por aqui pela Panini, merece destaque, tanto pelo encadernado “O Inescrito – Tommy Taylor e a Identidade Falsa”, lançado no fim do ano passado, como também pela graphic novel inédita The Unwritten – Tommy Taylor and the Ship that Sank Twice. O selo Vertigo trouxe esse trabalho envolvente, que já ganhou uma resenha aqui no Ambrosia, e que neste ano chegou em sua última edição, com o crossover com “Fábulas” de Bill Willingham e Mark Buckingham, e que provocaram, em parceria com Carey e Groos, de forma visceral e direta a vida do protagonista da série, Tommy Taylor, e os pontos conceituais que as duas séries convergem. A série continua em 2014, com um novo número #1, e pessoal, como queria fazer uns quadros das capas da série, essa Yuko Shimizu se garante demais.

Li em cbr. a boa “Blacksad” de Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido e fiquei ávido pelo universo antropomórfico noir dos caras, e por isso, merece está nesta lista, o roteiro conta o detetive Blacksad que vai empenhar algumas de suas nove vidas num mistério que envolve diversos entorpecentes, vodu e a atmosfera divertida do Mardi Gras na Nova Orleans de 1950. Tanto pela história quanto pelos desenhos, a série cativa e também foi vencedora do Eisner deste ano, na categoria Melhor Edição Norte-Americana de Material Internacional.

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A Image entra na lista com duas séries que merece está no melhor de 2013, li pouco delas, mas o que vi, me surpreendeu. Foram “Lazarus” e “Saga”, a primeira só li a opinião de um colega que está nos EUA, que Greg Rucka e Michael Lark criam um conto sobre famílias de mafiosos controlando o mundo após um apocalipse. Cada família tem um “Lázaro”, que foi geneticamente modificada para ser um agente poderoso para proteger os interesses da família. ‘Tou’ ávido por ler e pelas críticas é uma das melhores narrativas do 2013. Em relação a Saga de Brian K. Baughan e Fiona Staples, a série que ganhou 3 Eisner (Escritor, Nova Série e Série Regular) o Hugo de melhor HQ de 2013 e 6 Harvey (Roteiro, Ilustrador, Colorista, Nova Série, Série Regular e Edição), além de estar em todas as listas lá fora de melhor série de 2013. Um space opera que conta a história de um casal de amantes e seu filho numa fuga em meio a um conflito intergaláctico. Convincente pelo que li e merecedora dos prêmios pelo cenário em expansão e à narrativa complexa, mas cheia de sutilizas e revéis psicológicos.

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Uma linha que me aproximei neste ano, por causa de dois amigos do Facebook, foi dos quadrinhos espanhóis, os tebeos, e lá conheci, dois trabalhos que adiciono em minha lista, e que um dia queria ver publicado em português. Um, é o “Paseo Astral” do Max, uma viagem em narrativa gráfica para a arte contemporânea e o jornalismo, onde o criador busca sua musa e o pacto com forças além da compreensão para conseguir o feito e com muitas homenagens à literatura, aos quadrinhos em si e às artes visuais. Windsor McCay com seu Little Nemo in Slumberland inspira o trabalho para fazer essa belo tributo aos pioneiros da Nona Arte que desde os finais do século XIX conseguiram desenvolver na imprensa norte-americana da época uma linguagem própria. Outro, é da França, mas li em espanhol, o título é comprido” ¿Quién le zurcía los calcetines al Rey de Prusia mientras estaba en la guerra?”, escrito por Zidrou e ilustrado por Roger Ibáñez. A história conta como a senhora Hubeau trata de sua única preocupação em vida seu filho de 40 anos, Micheal, um home descapacitado, que não pode fazer muito, que ver um mundo ainda como um garoto. Uma graphic que repassa o que é verdadeiramente importante em nossa vida e emociona, como emociona.

AUTORAIS

Neste final, deixei os melhores trabalhos do ano, num Top 20:

20) “O Azul Indiferente do Céu”

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 Shiko, pela Marca da Fantasia é uma fábula sobre a violência de nossas cidades, um álbum de impacto visual que li na casa de um amigo, com uma boa pegada literária em abordar a história real, em que é baseada, quando antes de ser morto um ativista colombiano estava com o poema Epitáfio de Jorge Luiz Borges.

19) “O Quarto Vivente”, trabalho independente de Leonardo Salles, quadrinhos de vanguarda, de onde não encontraremos regras pré-estabelecidas, encontraremos a arte do autor intercedendo para um momento de reflexão e questionamento. A história apresenta uma distopia onde o Brasil após um cataclismo que destruiu a Europa e a Ásia recebe os sobreviventes da França, em um estilo narrativo e gráfico caótico que torna o todo em poesia. Adorei essa HQ, uma grande revelação aos Quadrinhos.

18) “Incidents in the Night”, de David B., publicado pela Uncivilized Books. Conspirações. Paranormais. O poder da escrita. Figuras messiânicas. A busca da imortalidade. A morte. Encontraremos esses elementos no conto surreal de David B, ainda sem publicação em português. A narrativa mostra arqueólogos vasculhando livros e mais livros, enquanto um louco secular procura enganar a Morte, a Ceifadora. Habilmente o autor mistura horror, humor, melodrama e filosofia. Confiram.

17) “O Azul é a Cor Mais Quente” (Le bleu est une couleur chaude), de Julei Maroh, que saiu pela Martins Fontes, a história do relacionamento lésbico entre duas adolescentes rendeu a adaptação cinematográfica, premiada com Palma de Ouro em Cannes. A ótica feminina perante as sensações é o diferencial nesta narrativa.

16) “The Private Eye”

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Única webcomic da lista, com Brian K. Vaughan ao lado de Marcos Martín, uma narrativa sobre um futuro onde a privacidade é a principal riqueza da sociedade. E a primeira HQ que os leitores decidem quanto pagar. E temos em versão em português .http://panelsyndicate.com/

15) “Friquinique” de Eduardo Medeiros, Rafael Sica, Elcerdo e Stêvz, pela Beleléu, já ouvi a palavra esquisita pra esse trabalho a oito mãos, mas o mundo dos freaks não é? E é essa apresentação que temos, o cotidiano daqueles considerados estranhos, inadequados, bizarros, de uma forma caprichada. Vale a pena conferir.

14) “Campo em Branco” de Emilio Fraia e DW Ribatski, pela Quadrinhos na Cia, onde dois irmãos, separados pelo tempo e pelo espaço, se reencontram numa cidade estrangeira. Não sabemos ao certo onde estão, tampouco conhecemos os caminhos que os fizeram chegar ali. Lucio, o mais novo, tenta entender o que o mais velho, Mirko, quer com ele. Numa trama sobre família e memória, tratam com suspense e humor, doçura e medo, a jornada desses dois irmãos. A arte vibrante de Ribatski e os temas enigmáticos de Fraia combinam-se num road movie às avessas, onde a viagem só começa quando podemos reconstruí-la, desmontá-la, inventá-la.

13) “Chico Bento – Pavor Espaciar”, Graphic MSP/Panini, de Gustavo Duarte, a Turma do Chico Bento envolta com alienígenas, pra vocês verem o Chico, o Zé Lelé, o porquinho Torresmo e a galinha Gizelda são abduzidas e o autor conta toda a história no melhor caipirês que já li, um estilo cartunesco de primeira. Leia a resenha aqui.

12) “Boxers & Saints” de Gene Luen Yang, um quadrinho díptico, com duas histórias acontecendo em paralelo, dois pontos de vista sobre a Guerra dos Boxers, uma rebelião popular anticristão que ocorreu na China do final do século XIX. São dois volumes, o primeiro, Boxers centra-se no pessoal chinês com sua fé milenar, através do herói que originou o referido levante, e o segundo, Saints, do lado de uma moça chinesa de fé cristã. As duas visões se chocam e surpreende a arte que apresenta essa história.

11) “O Boxeador” de Reinhard Kleist, publicado pela 8Inverso, conta a história real do polonês Hertzko Haft, e como ele sobreviveu à Segunda Grande Guerra e aos campos de concentração sendo entretenimento para os militares nazistas como pugilista, em combates entre os prisioneiros. Com tradução bem feita (parabéns ao Augusto Paim), edição caprichada, narrativa tensa, desenhos em P&B que fazem desta HQ uma obra-prima.

10) “Turma da Mônica: Laços”

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Graphic MSP, Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi. Uma aventura sobre amizades, onde a Turma da Mônica fazem de tudo para encontrar o Floquinho desaparecido. O traço faz uma turma com outro visual de encher os olhos e no roteiro temos o que mais atrai nessa turminha em questão: a união, a irmandade, a família. Lindo presente que dei pra minha filha. Leia a resenha aqui.

9) “20th Century Boys”, Naoki Urasawa, Pannini mangá adulto, preciso me interagir mais com esse universo e o ponto de partida foi esse, mesmo com um certo atraso. Um grupo de garotos em 1969 brinca de super-heróis e um deles guarda um diário que servirá de base para a história que envolve um mistério. Após a morte de um colega, Kenji, o cara do diário, se envolve numa trama com intrigas políticas, lembranças do passado e ficção cientifica. E a premissa principal da narrativa é buscar no passado as respostas para o presente. Urasawa é incrível, pela maneira que constrói sua trama, detalhista ao extremo, mas vale cada minuto lido.

8) “Battling Boy” de Paul Pope, First Comics, saindo por aqui este pela Quadrinhos na Cia é um dos melhores trabalhos de várias listas, do NY Times ao Omelete, a narrativa foi desenvolvida durante seis anos e conta a luta de um garoto com superpoderes contra monstros que tomaram uma cidade, simples mas com uma arte impressionante. Não li, mas pelo que já vi, merece está em nossa lista.

7) “Peter Pan”, de Regis Loisel, pela Nemo. Mais uma versão do menino que não queria ser grande, só que adulta, excelente edição que a editora refez com cuidado para nós não perdemos o brilho do original em francês, a infância na sua versão mais nua e crua perante a vida adulta e espetaculares quadrinização, desenhos e cenários belíssimos. Apesar do preço salgado, vale cada centavo. E é apenas o volume 1.

6) “Valente Por Opção”

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De Vitor Cafaggi (Panini); Após a coletânea de tirinhas, a editora traz o cachorrinho numa edição especial e suas superações na Faculdade. Trabalho gostoso de se ler e com o traço do mineiro, uma continuidade que destaco pela abordagem de construir em um personagem tão simples muito das preocupações de nosso dia-a-dia.

5) Você é minha mãe? (Quadrinhos na Cia), de Alison Bechdel, vide minha resenha.

4) “Os Companheiros do Crepúsculo”, de Bourgeon. Bem, sou suspeito para falar do estilo desta graphic novel, a Nemo caprichou na edição, rica em detalhes e uma drama envolvente faz do trabalho do francês François Bourgeon, numa saga medieval com o cenário da Guerra dos Cem anos pela ótica de três personagens: uma jovem criada por uma feiticeira, um rapaz cruel e um cavaleiro. Uma ótima mistura de história e ficção para contar uma saga de lutas sangrentas, misticismo e erotismo.

3) “Crônicas de Jerusalém” de Guy Delisle, pela Zarabatana Books. O autor traz mais um de seus quadrinhos que mistura aqueles cadernos de viagem com autobiografias e um pitada de jornalismo, numa espécie de diário pessoal com suas opiniões e detalhes do cotidiano em fragmentos gráficos da estranheza ocidental em ver a multifacetada Jerusalém. Crítico e ácido, o autor interpela as contradições da com sua arte simplista e perspectiva própria. Um ótimo lançamento de 2012.

2) “Pobre Marinheiro” da Balão Editorial, traz um conto de Guy de Maupassant (1850-1893), que o autor, Sammy Harkham, utiliza apenas como base para contar a história da viagem de um rapaz ao desconhecido. Arte sequencial pura, pela abordagem quadro a quadro em suas 128 páginas.

1) “Piteco – Ingá”

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De Shiko, pela Panini, li na noite do dia 31 para o dia 1º, após ler a resenha da Melissa Andrade, é formidável mesmo, não vou escrever muito, mas posso garantir que a aventura do Piteco e seus amigos numa versão como essa, com um cenário bonito de se ver, com personagens com novas personalidades e uma aventura para uma adaptação cinematográfica faz desse trabalho ao meu ver o melhor de 2013.

É isso, pessoal, aguardo comentários e que o 2014 seja tão bom para a Nona Arte como foi o ano passado.

Participe com sua opinião!

Ativista

Publicado por Cadorno Teles

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