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36Linhas traz Mulher na Lua, uma graphic novel da Coleção Graphic Films

A coleção de graphic films da 36Linhas foi criada para homenagear os grandes filmes clássicos que hoje estão em domínio público. Muitos desconhecem, ou ouviram falar, ou ainda viram em algum momento e marcou. Esta coleção de graphic novels privilegia a narrativa de cada filme, garantindo a maior fidelidade às imagens (cenários e personagens) e aos roteiros originais. A maioria dos títulos escolhidos são de filmes mudos, porém com temas/roteiros/obras que até hoje são referências, ao mesmo tempo, que são refeitos em versões modernas, sem a pureza das originais.

O título que abre a coleção foi Nosferatu, filme clássico de 1922; o segundo título Metropólis, um filme de ficção científica alemão de 1927 dirigido por Fritz Lang e o terceiro título, alvo de nossa análise é Mulher na Lua, outro filme de ficção científica alemão de 1929, dirigido também por Lang.

Mulher na Lua foi escrito por Thea von Harbou em colaboração com Lang (sua esposa na época). Apresenta o Professor Mannfeldt, um cientista visionário que escreveu um tratado, pelo qual foi ridicularizado por seus colegas, alegando que provavelmente haveria muito ouro na Lua. Seu amigo, um rico industrial, Wolf Helius, reconhece o valor do trabalho do professor. No entanto, um empresário inescrupuloso chamado Turner, também tem interesse na teoria do professor.

Enquanto isso, o assistente de Helius, Windegger anuncia seu noivado com a assistente do industrial, Friede, por quem o chefe secretamente também nutre interesse. Depois do encontro com o Professor Mannfeldt, Helius é assaltado por capangas da quadrilha. Eles roubam a pesquisa que o professor tinha confiado ao milionário e também assaltam sua casa, tomando outro material valioso. Turner, em seguida, apresenta a Helius um ultimato: sabem que ele planeja uma viagem à Lua; ou ele inclui ele, ou ele sabotará seu foguete.

Lang se esforçou muito para tornar sua viagem à lua o mais realista possível, de acordo com o conhecimento científico da época. O diretor trouxe o especialista em foguetes Hermann Oberth para aconselhar, e o resultado previu com precisão como seriam muitos aspectos do futuro voo espacial.

A adaptação feita por G.B. Royer, a qual não deixou de lado o design gráfico expressionista e realista, seguindo o estilo P&B da época, como nos demais títulos da coleção. Embora essa atenção aos detalhes reais, que seguem na narrativa gráfica, pudessem ter tornado o filme bem monótono e parecido com um documentário, a adição das subtramas realmente aumentou o clima e o tornou muito envolvente.

Dividida em três volumes, a narrativa gráfica combina o roteiro do filme: uma história de aventura scifi, uma triângulo amoroso e um thriller de conspiração. Os elementos de ficção científica serve aqui como uma forma para trazer o drama humano mais convencional, o romance, a espionagem, a chantagem e a traição.

A HQ mostra como houve muito trabalho de câmera; pois os quadrinhos seguem o o design e os efeitos imaginativos da época. Lang desenvolveu cenas claras, com alguns toques sinistros inspirados e são bem seguidos no trabalho de reprodução da 36Linhas.

A melhor parte está no planejamento para o lançamento, o lançamento do foguete e a viagem à lua. O lançamento do foguete é tão parecido com os lançamentos reais que aconteceram no Cabo Canaveral que nos perguntamos se a NASA usou o filme como modelo. O fato de Lang ter feito esse filme trinta anos antes de os humanos serem lançados ao espaço e quarenta anos antes de irem à lua é surpreendente. Outras curiosidade que está no filme e também nessa narrativa gráfica é o uso da primeira contagem regressiva de lançamento – adicionada para uma tensão dramática e adotada décadas depois pela NASA.

Diferentemente do filme, a narrativa gráfica aumenta o ritmo, com um bom senso das cenas e da atmosfera. Embora narrativamente a história seja inconsistente, há bons momentos com o elemento mais científico orientado para o espaço. A construção da decolagem tem tensão e, além de ser a mais visualmente inspirada, a decolagem em si evoca emoções e os queixos provavelmente cairão olhando como ainda parece bom e como é manipulado de forma criativa.

No geral, um olhar interessante para o trabalho de Lang, a narrativa gráfica de A Mulher na Lua serve em muito como uma referência para cineastas e pesquisadores, como também para curiosos e fãs da sétima arte. Recomendamos.

Nota: Ótimo – 3.5 de 5 estrelas

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