A Luz se apaga para o Quarteto Fantástico

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Agora sim pode-se dizer que uma luz se apagou para o grupo de heróis mais antigo da Marvel Comics e esta afirmação nem é no sentido figurado. Com a revista Fantastic Four #587 encerra-se o ciclo de vida do Tocha Humana, um dos personagens mais carismáticos que a editora foi capaz de criar em todos esses anos. Mais ainda, com ele morre também uma parte do amor dos leitores por estes heróis.

O autor Jonathan Hickman foi o responsável pelo fim do Tocha Humana em edição que chegou hoje em todo o Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. É curioso que a morte do Tocha fugiu as muitas teorias e expectativas que apontavam Sue Richards, ou mesmo Ben Grimm, como alvo deste novo corte programado da editora. Obviamente a Marvel consegue chamar a atenção da mídia internacional mais uma vez repetindo o feito do Capitão América há exatos quatro anos atrás em circunstâncias muito semelhante: a morte do herói. O grande diferencial apontado por críticos e fãs nesta morte específica é o fato de Johnny Storm ser o membro de uma família muito unida e que esteve ao lado de gerações de leitores pelo mundo afora ganhando a simpatia deles pelo seu carisma, bom-humor e jovialidade.

A história contada por Hickman é sobre resoluções e batalhas para todo o Quarteto. É o Senhor Fantástico contra Galactus, a Mulher-Invisível contra o povo da Atlântida e o Coisa junto dos filhos do casal Fantástico e o Tocha-Humana contra as hordas da Zona Negativa. Foi uma verdadeira batalha final, com o autor que é apontado por alguns como o novo Alan Moore (por sua criatividade, estrutura narrativa inovadora e formas nada convencionais de usar a mídia),  entregando a execução do pífio para o cósmico e grandioso, fazendo a partida do herói parecer o clímax trágico de uma peça antiga.

Claro, esta era uma edição de morte e alguém morreria mesmo, não há segredo – a questão é como a coisa toda é feita. Hickman assumiu a revista há mais de um ano lá fora (seu primeiro arco terminou recentemente no Brasil na revista Universo Marvel), e foi construindo tudo de forma muito meticulosa e cuidadosa, mostrando muito respeito pelo trabalho que assumiu. E esse foi o grande trunfo comercial da Marvel – que fez todo um hype mudando o logo clássico do grupo de um 4 para um 3, mostrando que apesar de parecer simples a tal mudança pode ser chocante.

O Tocha deve sim voltar, afinal, ninguém morre de verdade nos quadrinhos americanos, em especial na Marvel. Para quem não se lembra, durante os sombrios anos Bob Harras o Quarteto todo faleceu numa guerra contra o vilão Massacre, mas voltou triunfal tempo depois. Desta vez a editora deve planejar melhor como isso será feito, muito provavelmente seguindo o exemplo do Capitão América, mas eles preferem fazer todo mistério possível por enquanto. Segundo Tom Brevoort, vice-presidente da empresa, só haverá mais uma edição da revista e depois ela cessará. “Não haverá Fantastic Four #589 nem nada depois” disseram Brevoort e Joe Quesada. Sabemos bem que eles devem ter um plano mas o anúncio deverá demorar a ser feito.

O Quarteto Fantástica completa exatos 50 anos de criação em 2011 e, desde que foi idealizado por Jack Kirby com textos de Stan Lee, marcou uma grande mudança na indústria de quadrinhos. O feito de Hickman, 50 anos depois, certamente não é nada muito inovador para uma indústria repleta de ideias repetidas hoje em dia, mas serviu ao seu propósito principal: uma campanha de marketing que fará a revista esgotar-se rapidamente. E quem pode culpá-los?

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4 thoughts on “A Luz se apaga para o Quarteto Fantástico

  1. Um novo Alan Moore? Vou correr atrás para ler este material.

  2. Quando vão parar de tentar lucrar na morte de heróis? Até onde eu sei nenhum deles morre, sempre inventam algo e o cara volta. Capitão América já foi morto a tiros, Super-homem, Homem Aranha e tantos outros que nos fizeram crer q finalmente o mal havia vencido.. duvido q o tocha tenha morrido pra valer

  3. Velloso, eu conheço muito de Alan Moore. Quase tudo que ele escreveu praticamente. E no quesito IDEIA o Hickman perdeu muito pouco, ou talvez nada. A questão é época. Hoje em dia é tão difícil ter alguém tão bom que quando ele aparece ninguém quer acreditar. E na boa, o Moore hoje é só um velho recalcado