O futuro é agora. O futuro é você!” A maxisérie Fim dos Tempos (Future’s End) da DC Comics gira ao redor destas duas frases.

Lançada pela Panini, a primeira edição chegou em abril deste ano e traz nomes como Brian Azzarello, Jeff Lemire, Dan Jurgens e Keith Giffen a frente do título, o que já é bastante atrativo para os leitores. São roteiristas já famosos pelo trabalho em histórias que já fazem parte do nosso imaginário. Para citar alguns de seus trabalhos 100 Balas, Sweet Tooth, a Liga da Justiça dos anos 1980 ou a Morte de Superman, reforça ainda mais a sensação de uma boa aposta.

A história tem seu início no futuro, onde dentro de quarenta anos toda a humanidade estará subjugada pela inteligência artificial conhecida como Irmão Olho. O domínio absoluto sobre o planeta aconteceu após a IA caçar e exterminar a todos os super-heróis, assimilando-os ciberneticamente e usá-los como cães de caça para aqueles que resistem. Batman, um dos poucos sobreviventes, tem um plano: regressar ao passado para mudar seu futuro. Assim poderia descobrir quem começou tudo e detê-lo.

Não duvido após a leitura deste resumo não venha a mente do leitor inúmeras outras estórias parecidas. Umas das primeiras, que recordei, é Dias de um Futuro esquecido, que ganhou versão na telona, aquela narrativa com os sentinelas, os robôs gigantes que caçam mutantes em um futuro alternativo e cuja a única esperança era voltar ao passado para modificá-lo. Outra que vem na mente é a saga cinematográfica de O Exterminador do Futuro (Terminator), onde voltar ao passado para mudar o futuro é sua principal premissa.

FIM_DOS_TEMPOS_1-600x917Future’s End tem o roteiro embasado neste clichê do ‘retorno ao passado para salvar o futuro’, porém acredito que uma história que nos vendam como nova possa se sustentar sobre conceitos já explorados, em especial quando novos caminhos são trilhados, algo que nesse primeiro número percebe-se que temos um ambicioso What if? pela frente.

Gostei da maneira que alguns personagens são recuperados do limbo após o cancelamento prematuro de suas séries,que tenderam ao ostracismo solitário deste o lançamento do Novo Universo DC, no caso, Grifter, Firestorm (Nuclear), Mr. Terrific e Franquenstein, cujos títulos  não vincaram, ou foram incompreendidas pelos leitores. Nuclear, um personagem com um potencial tão grande que não ainda não consigo entender porque não consegue uma série própria estável. Um super-herói com dupla personalidade e enormes poderes é o sohno de um escritor com vontade de fazer algo diferente, porém o diferente sempre termina cancelado na História das HQs. Já Franquenstein… o trabalho desenvolvido por Jef Lemire na sua série era uma das melhores dessa leva dos personagens não tão conhecidos pela DC Comics. Nos presenteou com a S.O.M.B.R.A (S.H.A.D.E), Ray Palmer como assessor científico numa série que mistura terror, sci-fi dos anos 1960 e o lado super-heróico. Seu cancelamento foi uma pena, pois considerava um dos melhores dos 52.

Mas é na figura de Terry McGinnis, o Batman do futuro, que a série se centra, pois é dele o trabalho de impedir que o Irmão Olho seja ativado. O personagem apareceu pela primeira vez na animação Batman Beyond. A série tinha qualidade que surpreendia a cada capítulo, Paul Tini e Bruce Tim capricharam nesta produção. Temos um Bruce afastado, sendo um tutor para de Terry, um jovem de personalidade forte, que fazia esquecer que Dick ou Tim quem poderia assumir o manto do Homem-Morcego. Passou no início dos anos 2000, e teve 52 capítulos. Agora o personagem se integra ao Novo Universo com um peso importante nesta história.

Nesta primeira edição iremos descobrir o que ocorrerá com o universo DC dentro de cinco anos, com o enredo/a ação envolvendo os personagens citados acima, dando uma ideia do que está ocorrendo e do que está por vir.

Futures-End-Cv1-610x926A parte gráfica nos confronta com uma batalha de imagens e cores dos desenhistas que assumem cada momento dos personagens.

O próprio Jurgens, Aaron Lopestri, Jesús Merino, Patrick Zircher Ethan Van Sciver, todos artistas de qualidade ímpar, renomados em suas criações, mas que ao meu ver não conseguem expor sua arte, por causa da mudança constante de estilo que as histórias passam.

Não me acostumei ainda com esse estilo, quando lemos uma HQ e que ao passar uma página nos custa reconhecer o personagem porque ele foi desenhado por outro profissional. Mas vale pela maneira que os autores constroem todo o arcabouço deste evento ambicioso, como uma teia de aranha, e merece um voto de confiança pela história que mostrará cheias de surpresas, como foi com o Batman do Futuro.

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