O histórico do escritor, nerd profissional e cineasta (não necessariamente nesta ordem) Kevin Smith com o Besouro Verde é longo, não apenas por ser fã do antigo seriado de Van Williams e Bruce Lee como também por ter feito o roteiro para um filme anos atrás para a Disney que nunca foi utilizado. Após ter negociado a propriedade do Besouro com a Green Hornet Inc. a editora independente Dynamite Entertainment resolveu fazer uma proposta irrecusável para Smith: ter a chance de ver o filme dele, que jamais seria feito, impresso em páginas de quadrinhos com um marketing massivo e total liberdade criativa. Ele topou, é claro!

Portanto no início de 2010 iniciava-se uma nova fase para Besouro Verde e para a Dynamite, que viria a ter um sucesso de vendas inesperado com o recém lançado título Kevin Smith’s Green Hornet tendo arte de Jonathan Lau e separações de texto do premiado e veterano Phil Hester. “Mas como assim separações de texto?” você deve estar se perguntando. É aí que vem o fato mais curioso de toda esta produção: Smith não escreveu o roteiro das Hqs e nem recebeu um centavo da Dynamite.

O que ocorreu é que o texto de Smith ainda é de propriedade da Disney. Sendo assim ele só poderia ser utilizado pela Dynamite com separações de edição por capítulos (trabalho que Hester fez) e sem que Smith recebesse pela publicação pois o roteiro já havia sido vendido – e por um valor razoável, dizem. Fora estes aspectos legais, Green Hornet foi um ótimo lançamento e conseguiu promover o personagem para as gerações que não o conheciam.

Ao contrário do que alguns acreditam o autor não jogou tudo no lixo e construiu um universo próprio e particular. Na verdade ele homenageou quase todas as fases e reencarnações que o herói já teve. Britt Reid foi o Besouro Verde com seu amigo Kato, que teve a nacionalidade mudada (elemento original do herói). Depois seu filho assumiria seu manto ao descobrir quem foi o pai após a morte dele (ideia de legado vinda da NOW Comics). Kato, no futuro, seria a filha do velho Kato, sendo que seu nome é Mullan Kato (ideia da Kato feminina, da NOW Comics). As novas aventuras têm muito do tom da série dos anos 1960, portanto Smith usou tudo que existia para sua criação.

A maior força de Smith nesta nova roupagem do Besouro Verde é a facilidade que ele tem para aprofundar-se nos personagens e fazer com que nos identifiquemos com eles logo de cara. Tudo é contado como num filme, edição a edição, formando uma antologia completa de começo, meio e fim muito bem feita e convidativa a qualquer tipo de leitor. Isto alavancou a ideia que a Dynamite tinha de utilizar a franquia com mais títulos e explorar outros cantos deste universo.

Uma das principais expansões feitas pela editora foi Green Hornet: Year One mostrando o começo de vida de Britt e Kato e como eles se tornaram vigilantes. A série foi toda feita por Matt Wagner e concorreu a melhor quadrinho de 2010 em vários sites internacionais. Wagner não é nenhum estranho na mídia gráfica e fez um trabalho impecável, argumentando uma narrativa muito coesa e cheia de referências históricas sobre os Estados Unidos (mais especificamente Chicago) e Japão.

Obviamente a editora aproveitou esta onda de sucesso de crítica e público e aproveitou para criar uma quantidade exorbitante de títulos e minisséries, todos com vida um pouco curta, mas que certamente cumpriram seu objetivo comercial.

A série principal, Green Hornet, continua saindo pela Dynamite com roteiros de Phil Hester. O trabalho dele tem sido muito elogiado, o que certamente prolongará a vida do herói nas páginas das Hqs. Mais uma vez novas pessoas têm contato com o Besouro Verde. E na iminência do filme (no Brasil) a Dynamite não poderia ter sido mais certeira.

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