em

Captain America Reborn números 4 e 5

[este artigo contém spoilers]

Depois de alguns meses estamos de volta para falar da grande história da Marvel de 2009 que se estendeu até este início de 2010: Captain America Reborn, escrita por Ed Brubaker e desenhada por Butch Guice e Bryan Hitch. O que vimos na última edição foi o plano do Caveira Vermelha ao lado do Dr. Zola e do Dr. Destino tomar forma ao eles provarem que estavam com o verdadeiro corpo do Capitão América para seus objetivos maléficos enquanto a mente do herói patriota viajava perdida no tempo sem encontrar sua “constante”, revivendo uma série de momentos de sua vida que já se tornaram grandes histórias outrora.

Nestas quarta e quinta edições Brubaker joga na nossa cara ação e conteúdo nas doses corretas, aproveitando também para dar uma série de respostas e fechar algumas pontas, possibilitando a abertura de pequenos sub-plots que serão fechados na última edição. Separando por história, o que vemos na revista #4 é o Caveira chegando à Latvéria acompanhado de sua filha (Pecado) e de Ossos-Cruzados para executar o plano verdadeiro: tomar o corpo de Steve Rogers para si enquanto a mente do herói fica perdida para sempre. O dispositivo aperfeiçoado pelo Dr. Destino é perfeito para a ocasião e, enquanto o Capitão América continua vagando por memórias muito antigas e sem linearidade temporal, Sharon Carter é levada ao covil dos vilões para ver de perto o que está acontecendo. No meio disso tudo, Bucky e Viúva Negra tentam chegar lá a todo custo para impedir a blasfêmia ao símbolo patriota que o herói representa.

Apesar do plano bobo (inúmeras vezes o Caveira tentou tomar o corpo de Steve), a execução de Brubaker tem tamanha seriedade e peculiaridade que torna a história não somente crível, mas muito adulta, não negando nenhuma das referências literárias que ele usa normalmente em suas histórias. Isso dá uma vantagem tremenda para que o autor mostre vilões que sempre foram caricaturas como seres de maior profundidade e credibilidade. Os grandes destaques desta edição são:

  • o momento em que Steve volta ao dia em que ele e Bucky estavam no avião que o jogou no Ártico e “matou” seu amigo (agora sabemos que ele se tornou o Soldado Invernal) e, quanto ele acha que conseguirá mudar todo o futuro salvando seu parceiro, sua mente começa a flutuar pelo futuro numa velocidade absurda, acabando dentro de seu corpo, mas sem poder comandá-lo: o Caveira está no controle. O mais interessante ainda é como isso funcionou: tendo sequestrado Sharon meses trás, o Dr. Zola inseriu nano robôs na corrente sanguínea dela, assim como fez com o corpo de Steve. A função deles é justamente atrair a mente para o corpo em questão e foi exatamente assim que o herói voltou, mas dominado pelo Caveira. Relembrando: a mente dele ficou perdida no tempo quando sua amada destruiu a máquina do Caveira, que mantinha-o vivo.
  • o fechamento da ponta aberta edições atrás, quando Steve deixou uma mensagem para o Visão sobre suas viagens mentais fora do corpo, mensagem esta que é repassada a Reed Richards e a Hank Pym – isso nos faz lembrar muito do encontro de Daniel Faraday com Desmond Hume em Lost, quando o cientista afetado deixa uma mensagem para ele em tempos passados quando estava viajando loucamente pela linha temporal, fazendo com que o escocês apaixonado recuperasse essa mensagem no futuro como uma memória perdida.

Partindo para a quinta edição vemos Bucky e Natasha chegando à Latvéria e o início da luta dos Capitães América. O que é fantástico nesta narrativa não é o plano da luta mas sim o plano mental que se inverte totalmente, fazendo-nos ver Steve preso à lembranças que agora são do Caveira e não mais suas. Num jogo de layouts incrível, Guice e Hitch desenham planos surrealistas muito criativos para a luta mental do vilão e do herói pela presença corporal, enquanto os Vingadores partem para a Latvéria mas são abatidos pelas forças unidas de Destino, da IMA e do próprio Caveira. Sharon está impossibilitada e sendo espancada pela forma corpórea do Capitão, antes que Bucky chegue.

Quando ele e Natasha chegam o inevitável acontece: o Caveira blasfemou o símbolo da América e Bucky não tem coragem suficiente para matá-lo. O grande “x” da questão aqui é que, mesmo Steve estando vivo dentro de seu corpo, ele está totalmente impotente pois o Caveira está numa posição muito superior a ele naquele momento, e Bucky não pode fazer nada a respeito. A tensão está criada e, enquanto já sabemos como isso vai terminar (mesmo que ainda não saibamos exatamente quais fatores levarão a isso), o Caveira Vermelha torce por um amanhecer completamente diferente na América.

Até então estas duas edições foram as melhores da minissérie até agora, mostrando tudo nas doses corretas, escritas por alguém que sabe o que está fazendo. Parabéns aos criadores até este momento pelo excelente evento que fizeram sem precisar de grande alardes ou inúmeros tie-ins. Que a última edição feche com chave de ouro esta saga.

Deixe sua opinião