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Comentando e analisando Captain America: Reborn #3

[este artigo contém spoilers]

Uma das coisas mais interessantes da minissérie Captain America: Reborn até agora é toda a conexão que o escritor Ed Brubaker faz com a cronologia Marvel e a participação do Capitão nela. Elementos como o descongelamento do corpo do herói, a Guerra Kree-Skrull e tantos outros momentos importantíssimos na vida dele e dos Vingadores dão as caras aqui, e sem soarem gratuitos. As duas edições anteriores da minissérie tinham se mostrado um pouco mornas, mas agora a coisa pega mais ritmo com o avanço da história.

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Seguindo a tradição das edições anteriores, a história continua quebrada em diferentes narrativas que, em determinados momentos, se conectarão com um “boom” no texto de Brubaker, e isso é bom. Primeiramente, vemos Steve Rogers criando uma consciência muito preocupada da situação e tentando mudar a cenografia das lembranças, mas é impossível. Sendo mais claro, Rogers se encontra novamente no momento em que Namor descobre o bloco de gelo em que ele está preso, e tanta avisá-lo, mas não consegue – a história segue seu curso como sempre foi, e ele acaba jogado ao mar. Esses momentos são bem interessantes pois, além de mostrarem que é impossível alterar o tempo passado, também conectam-se com cenas do presente: Reed Richards e Namor estão no Ártico para investigarem o corpo em decomposição de Steve, e ele simplesmente desaparece na frente deles. E no mesmo momento em que isso acontece, Hank Pym os avisa de que Sharon se entregou às autoridades por ser responsável pela morte do Capitão América.

captain-america-reborn-3-pg06Na outra narrativa, Bucky está sob custódia dos Thunderbolts de Norman Osborn, mas consegue se livrar com a ajuda do Falcão e também do novo Homem-Formiga, que o liberta em troca de proteção do governo. Entretanto, mesmo que este plano de Osborn tenha falhado, ele mandou Pecado e Ossos-Cruzados com algo para o Caveira Vermelha utilizar: um corpo provisório até que ele consiga o seu próprio – e, para isso, é hora dos vilões se reunirem com um dos grandes alicerces desta história e que ainda não havia aparecido: o Dr. Destino.

Dentre os acontecimentos mais bacanas da edição estão os questionamentos emocionais de Sharon e o quanto ela sofre com as decisões que tomou para o futuro de Steve Rogers e também o gancho que Ed Brubaker deixou com o Visão – novamente vamos citar Lost aqui. Quem já assistiu a quinta temporada do seriado viu que o personagem Desmond é uma espécie de exceção às viagens temporais, conseguindo obter novas memórias no passado se alguém lhe fizer ou disser algo em determinados momentos do tempo. Algo semelhante acontece quando, ao final de uma das batalhas clássicas dos Vingadores, o Capitão sabendo que não devia estar ali, pede que o Visão guarde algo em sua memória, que deve ser passado ao computador central do grupo. Certamente veremos isso ser utilizado nas próximas edições, e é uma espécie de chave para a solução do mistério, que esquentou bastante nesta revista.

Até então, Brubaker e sua equipe têm feito um ótimo trabalho, contando uma história lentamente e sem momentos gratuitos, com boas referências e acontecimentos reais nas doses certas. Ótima sacada da Marvel de tomar um cuidado assim com um personagem tão importante.

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