Demolidor 45 Anos: A Justiça é cega, mas tem cores fortes!

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[Parte 1: O Começo de Tudo]

daredevil-17-capaNo fim dos anos 1960 tínhamos duas situações com o Demolidor nos quadrinhos da Marvel: a primeira dizia que era um personagem com potencial razoável, o suficiente para aparecer em algumas edições de outros personagens para tentar se popularizar; na segunda situação, o herói não se sustentava sozinho numa revista, e decisões editoriais mais drásticas eram necessárias.

Até então tínhamos visto o herói cego embarcar em aventuras contra o Coruja, o Gladiador e muitos outros vilões menores. Ele constantemente era colocado em triângulos amorosos e, em Daredevil #57, Matt Murdock finalmente revela sua identidade à Karen Page, mas ela deixa a vida dele logo depois disso porque aquilo era demais para sua cabeça. Neste período também deu-se início a amizade do herói com o Homem-Aranha, parceria que seria uma das mais famosas dos quadrinhos estadunidenses até hoje.

Durante todo este período as citadas mudanças editoriais foram tomando conta da revista. Gene Colan, conforme citamos no artigo anterior, assumiu a revista na edição #20, em 1966, ficando até a edição #100, além de um anual em 1967 – ele voltaria em 1997, já visto pelos fãs como uma grande lenda, para um arco de oito partes. A dedicação de Colan ao personagem sempre foi muito famosa, quase tanto quanto o próprio herói entre os leitores, e mesmo hoje ainda é citado quase sempre que se fala do Diabo da Cozinha do Inferno. Seu trabalho, porém, também ficou marcado pelo início do período negro do personagem, não por culpa sua, mas por más decisões editoriais vindas do próprio Stan Lee. A saída dele dos daredevil-55-caparoteiros se deu na edição #54 e na seguinte o faz-tudo Roy Thomas assumiu, fazendo exatamente o que Lee mandava para não deixar transparecer muito a mudança. Pouco depois de um ano o outro grande faz-tudo da Marvel, Gerry Conway, assumiu e ficou por tão pouco tempo quanto Thomas. A partir daí, o demônio estava jogado aos cantos da Marvel.

Os anos 1970

No início da década seguinte o Demolidor entrou em declínio absoluto. Pouco, ou quase nada, é usado de referência no que veio a ser feito com ele depois da passagem de Frank Miller pelo título, que se deu no fim desta década. Esse foi o período em que o herói saiu de seu habitat natural e enfrentou as coisas mais bizarras e sem nexo possíveis, perdendo por completo sua personalidade de início de carreira. Nesta época, o grande Marv Wolfman passou rapidamente pelo título bimestral dele, criando o vilão Mercenário, mas que na época não passava de um bandido genérico, só se tornando importante anos à frente.daredevil-156-capa

O grande problema que se via eram as bizarrices genéricas em que o herói era colocado constantemente. O Demolidor comparava-se ao Batman dos anos 1960 que tinha perdido totalmente sua personalidade inicial, tornando-se, literalmente, qualquer coisa. Todo o aspecto de advogado, de grande buscador de justiça e vigilância, da dualidade da lei e da falta dela, foram jogados no limbo.

O último a assumir o título mais mal vendido na Marvel foi David Micheline, que, assim como os anteriores, apenas cumpria obrigações contratuais e fazia trabalhos desprezíveis com o herói. Entretanto, ao seu lado, estava um novato na indústria, chamado Frank Miller, que fazia os desenhos da revista. Na época, Dennis O’Neil era editor da revista e, claro, estava aceitando qualquer sugestão que tivesse o objetivo de provocar alguma mudança drástica no título que não emplacava de forma alguma. De origem suburbana e fã incondicional de Spirit, do mestre Will Eisner, Miller enxergou em seu ídolo a saída para este herói e levou algumas ideias à O’Neil. Era o momento da mudança! Mas essa história fica para outro artigo…

o-demolidor-1-bloch-capaNo Brasil

O início da década de 1970 também é histórica para o personagem por um motivo muito peculiar: o Demolidor ganha sua própria revista no Brasil, publicado pela editora Bloch, iniciando-se em 1975. Curiosamente, mesmo nas histórias com o uniforme amarelo e preto, ele aparecia todo vermelho – para quem não sabe, a Bloch ficou famosa anos depois pelas cores deturpadas dos uniformes dos personagens, muito provavelmente devido à própria falta de tintas nas impressoras que as editoras daqui possuíam.

O Demolidor” teve 15 números mensais, durando pouco menos de 1 ano e meio, e publicou cerca de 30 números diversos dos primeiros anos do herói na Marvel. Dentre os momentos mais importantes estão os encontros com Ka-Zar e o Homem-Aranha.

Uniformes

O mais famoso e favorito dos fãs sem dúvida é o uniforme todo vermelho, que o Demolidor usou em 90% de suas histórias. Entretanto, como bem sabemos, o começo não foi assim, e nos anos 1990 ele também foi “modernizado” para a época (tempos em que todo mundo usava armaduras fodonas). Enfim, vamos recapitular rapidamente os três uniformes mais conhecidos do Diabo Nova Yorkino.

Uniforme amarelo-preto-vermelho: apareceu pela primeira vez em Daredevil #1. Ele durou apenas 6 edições, mas hoje é considerado um clássico e visto muito bem por fãs expressamente saudosistas, até pelo seu aspecto pulp, que muito lembra a era de ouro dos quadrinhos. Primeiramente ele tinha apenas um “D” no peito, mas passou a ter dois nas edições seguintes. Mais tarde descobrimos que ele foi feito do roupão de boxe do pai de Matt (Demolidor: Amarelo).

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Uniforme vermelho: o mais famoso uniforme do diabo foi criado por Wally Wood em Daredevil #7 e veio a ser utilizado desde então passando por pouquíssimas mudanças. Ele foi utilizado constantemente até o arco Caindo em Desgraça, um dos mais famosos e controversos do herói. Depois voltou a ser o uniforme padrão, estando por aí até hoje.

Armadura negra: quem viveu os anos 1990 se lembra muito bem dessa roupa, com um aspecto todo modernizado mas controverso e renegado pela grande maioria dos fãs. Ficou com o personagem por cerca de 3 anos. Foi criado por D.G. Chichester e Scott McDaniel no arco Caindo em Desgraça, e acabou destruído depois.

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Assim terminamos nossa segunda parte do especial de 45 anos do Demolidor. E amanhã, neste mesmo site: Demolidor – Amarelo, de Jeph Loeb e Tim Sale.

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2 thoughts on “Demolidor 45 Anos: A Justiça é cega, mas tem cores fortes!

  1. parabens ótimo artigo morcelli,esse uniforme amarelo é muito ruim,nessa imagem que vc colocou na matéria pode até parecer legal,mais nos quadrinhos ficava mto ruim…a parceria do demolidor com o homem aranha que ocorreu varias vezes é a melhor parceria entre super heóis da marvel e foi essas parcerias que fizeram o demolidor decolar e se tornar uma lenda

  2. O uniforme bom, para mim, é o todo vermelho com os dois Ds. Acho que é o mais característico. Essa armadura negra, é total nada a ver. O Amarelo, sei lá não fica muito demoniaco, entendem?