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Diário de uma Cidade Litorânea, de Akimi Yoshida

Yoshino, a segunda de três irmãs, ao acordar no quarto de um homem, recebe a notícia da morte de seu pai. Ela não o vê há muito tempo por causa do divórcio de sua mãe, mas não fica comovida com a morte dele… .

Análise

Diário de uma Cidade Litorânea, nova série de Akimi Yoshida, que retrata os “laços” familiares em Kamakura, é infinitamente dolorosa e amável. Um mangá  que se enquadra na classificação mangá josei muke, ou seja, “mangá para mulheres adultas”. Nomeado para inúmeros prêmios e vencedor de alguns, como o prestigiado Japan Media Arts Festival Excellence Award (que séries famosas como Real, 20th Century Boys, Pluto, Mushishi, Emma também ganharam).

Foi publicado na revista Flowers da editora Shogakukan entre 2006 e 2018, sendo finalizado em um total de 9 volumes. E aqui ganha uma edição pela Panini

Como um mangá josei, homens até podem ler, mas o espírito do mangá, o público para o qual foi originalmente concebido, é eminentemente feminino e adulto. Yoshida, é uma mangaká veterana que já se destacou nos anos 1980-1990, principalmente com Banana Fish, e que já se destacou nessa época por fazer mangás shōjo mas com alma shōnen, então não é novidade que ainda hoje é difícil “classificar” suas obras.

Dirigido por Hirokazu Kore-eda, uma adaptação do mangá em live-action foi feita em 2015.  A produção foi nomeada para a Palma de Ouro em Cannes. Em 2016, o longa chegou ao Brasil sob o título Nossa Irmã Mais Nova, e está disponível para alugar em algumas plataformas como no  YouTube e no Google Play.

A história

As três irmãs Koda, Sachi (29), Yoshino (22) e Chika (19), moram em uma casa bastante antiga na cidade histórica de Kamakura depois que seu pai as abandonou quando eram pequenas e sua mãe também foi embora pouco depois, deixando as três aos cuidados de sua avó. Ao longo dos anos, aprenderam a viver cada um à sua maneira. De repente, eles recebem a notícia da morte do pai que não viam há 15 anos; e descobrem que o funeral será realizado em uma cidade na província de Yamagata, onde o homem passou seus últimos anos de vida trabalhando em um albergue ryokan

Indo a Yamagata, por questões também de herança, para serem resolvidas com Yôko, a nova esposa do pai, conhecem Suzu, uma meia-irmã de um casamento anterior do pai com outra mulher que já morreu. Não tendo mais nenhum de seus pais biológicos e realmente não destinada a ser feliz com sua madrasta Yôko, mostra-se bastante instável e mentalmente fraca.

Análise

Este primeiro volume nos oferece três capítulos, o primeiro dos quais é uma introdução inteligente que configura bem a atmosfera da série, longe de ser tão triste quanto se possa pensar. Com efeito, se a questão do luto e da perda de um ausente por anos está no cerne do início do volume, nenhum sentimento se nota, até permite ao final sublimar um tema como a força dos laços familiares, e ainda com humor.

As três irmãs possuem características peculiares: Sachi, a mais velha, decidida e madura, raramente se desprende, entrega-se totalmente ao seu trabalho de enfermeira e muitas vezes pode parecer severa, especialmente porque não se deixa pressionar. É muito direta e tem uma língua afiada, mas tudo isso não o impede de ter um coração justo. Yoshino, por outro lado, é a garota mais festeira e a mais feminina; ela aparece a princípio mais despreocupada e superficial, mas acaba revelando outras facetas aos poucos, além de uma verdadeira bondade no limite.

Quanto a Chika, a mais nova das três, é a mais esportiva e a mais moleca. E por fim, a pequena Suzu, apenas esboçada no primeiro capítulo, e sob seu físico infantil podemos adivinhar uma maturidade quase empurrada pela perda de seus pais e pela aspereza de uma Yôko que quase a priva de sua infância por querendo torná-la já adulta.

Enquanto os dois outros capítulos mostram o nascimento de uma alquimia entre ela e as três irmãs Kôda e o cotidiano delas, em especial a mudança em Suzu que se sente mais alegre e despreocupada como uma criança.

Desde o primeiro capítulo, sentimos a abordagem de temas tão fortes quanto o luto e a infância desperdiçada, sem nunca ser pesado, muito pelo contrário. O resto do volume vemos a pequena Suzu desembarcar em Kamakura, e o tom não muda, permanecendo tão delicioso, na mudança de estilo e ainda vemos Akimi Yoshida mais uma vez abordando temas difíceis, como decepção amorosa, dívidas de dinheiro ou câncer, sem cair em uma atmosfera pesada, graças a personagens com características que revelam-se cada vez mais e evoluem diariamente. Como qualquer um na vida.

Se tivéssemos que resumir Diário de uma Cidade Litorânea em uma palavra, seria simplesmente Vida. Aquela que todos conhecem, dos mais simples momentos de felicidade, dos mais difíceis de tristeza, do mais humano dos relacionamentos, num tom vivo, benevolente, modesto, simplesmente justo. Tudo ancorado no pacífico cotidiano de uma cidade que revela seus encantos aos poucos, de acordo com os lugares por onde os personagens são levados.

Nota: Muito Bom – 3,5 de 5 estrelas

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