É hora de Besouro Verde com Kevin Smith!

Enfim os leitores americanos tiveram a chance de ler a primeira edição da tão propagada nova série de quadrinhos do Besouro Verde, escrita pelo nerd mais famoso do mundo Kevin Smith e desenhada por Jonathan Lau, sem citar os capistas de grande renome como Alex Ross e John Cassaday. Parece uma equipe imbatível, não é mesmo? E, mesmo que essa primeira edição seja apenas uma rápida introdução ao que deve realmente se desenrolar na história, o trabalho tem um saldo mais que positivo.

Se você nunca ouviu falar deste clássico combatente do crime, não se preocupe, é normal que mutia gente que não acompanhou os primeiros anos da carreira de Bruce Lee ou não é tão inveterado assim nos primórdios da cultura pop não o conheça. The Green Hornet como é chamado lá fora, ao lado de seu inseparável parceiro de luta Kato, era um bem sucedido jornalista de Chicago chamado Britt Reid que lutava contra a injustiça vestido como o formidável Besouro Verde, sempre transportado por Kato no veículo da dupla o Black Beauty. Sucesso nos anos 1930 e 1940 nos programas de rádio a franquia cresceu aos poucos e se tornou uma série de TV entrada por Van Williams e Bruce Lee nos anos 1960, produzida pelos mesmos caras responsáveis por aquela cômica adaptação do Batman para a TV. Enquanto o Besouro usava alguns artifícios (como sua pistola de gás) e uma bela direita no queixo dos meliantes, Kato era o “kung-fu guy”, sempre atento aos perigos e cheio de técnicas para derrotar os bandidos.

Dito isto vale também acrescentar que o herói conseguiu ter uma franquia razoável de quadrinhos pela extinta NOW! Comics, que durou cerca de 5 anos, pegando os períodos de fim dos anos 1980 até início dos anos 1990. Desde então algumas tentativas muito falhas foram feitas de tornar o herói popular novamente até o anúncio oficial do filme estrelado e escrito por Seth Rogen que sai nesta ano, com atores do calibre de Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), Cameron Diaz e Edward James Olmos (Blade Runner, Battlestar Galactica). Aproveitando-se desse revamp a Dynamite Entertainment escalou os melhores profissionais que podia e tratou de fazer essa franquia se tonar um sucesso novamente nas comic-shops do país, colocando ninguém menos que Kevin Smith para escrever a série que, na verdade, era o roteiro seu de um filme do herói feito em 2006 que não vingou.

Com todas essas informações é hora de falarmos da revista em si! Muito antecipada pelos nerds mais velhos e fãs em geral do material original a primeira edição desta mensal saiu na última quarta-feira lá fora e tem tido resenhas positivas pela mídia especializada. Nela vemos a última missão de Britt e Kato, desmantelando e desmoralizando as máfias local e chinesa, derrubando de vez o crime organizado da cidade – é hora de abandonar as fantasias, de Kato voltar para sua terra natal e começar sua própria família, bem como de Britt cuidar melhor da sua, formada por uma dedicada esposa e um filho ainda novo. Um detalhe interessante é que Kato aqui é chinês (originalmente ele era japonês) já que a dupla conversa em mandarim em alguns momentos.

Anos se passam e vemos Britt Jr. adulto, um completo irresponsável filho de um grande nome da cidade que não se importa com absolutamente nada, o que inclui sua própria namorada que o deixa pra sempre por estar tão cansada dos absurdos dele. A mídia está em sua casa como urubus fotografando e filmando a partida da moça, enquanto o rapaz, cheio de classe, mostra a bunda pra todo mundo e acaba saindo na primeira página do jornal nesta posição. Vocês já imaginam a reação do velho Britt…

Assim acaba esta primeira edição, bem simples e rápida, tem cara de que foi adaptada de um roteiro para cinema mesmo, afinal, é cheio de ação logo no início para ganhar a atenção do leitor e depois começa a desenvolver bem vagarosamente a história que tomara mais ritmo nas próximas edições. Foi um bom começo, com a quantidade certa de lutas, diálogos e bom humor, preparando bem o terreno para o que se tornar mais uma franquia de sucesso da Dynamite. E tirando o roteiro da questão por um momento, a arte de Lau é muito bonita, mais voltada à anatomia realista com um pouco de cartum para as cenas de humor, mas refinada principalmente ao estar ao lado das belas cores de Ivan Nunes, que coloca tons de verde sempre que possível nas cenas mas sem parecer exagero.

No mês que vem voltaremos para falar da segunda edição de Kevin Smith’s Green Honret. Não percam!

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