Heróis Reunidos: Liga da Justiça – A Era Moderna

[Daniel Braga é nosso ilustre autor convidado] Esta é a parte final da série de artigos Heróis Reunidos: Liga da Justiça, caso ainda não tenha lido os artigos anteriores não perca mais tempo: Heróis Reunidos: Liga da Justiça – A Era de Ouro Heróis Reunidos: Liga da Justiça – A Era de Prata Heróis Reunidos:…


[Daniel Braga é nosso ilustre autor convidado]

Esta é a parte final da série de artigos Heróis Reunidos: Liga da Justiça, caso ainda não tenha lido os artigos anteriores não perca mais tempo:

A era moderna 1996-2006? – A novidade dos sete clássicos.

JLA #1 (1996)
JLA #1

Então roteiristas como Grant Morrison e Mark Waid chegaram e disseram “Vamos voltar para ás coisas clássicas de Gardner Fox, trazendo alienígenas gigantes e invasões que acabam com o mundo e contar como um melodrama. Waid e Fabian Nicieza criaram uma série limitada em 96 chamada “Liga da Justiça: Pesadelo de Verão” com essa idéia e logo a revista escrita por Morrison recomeçou do numero 1 apenas intitulada JLA – as inicias em maiúsculos e negrito.

Lá estavam finalmente reunidos Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Caçador de Marte, Aquaman, o Flash III Wally West, que evoluíra bastante desde que substituiu seu mentor no Pós-Crise, e o novíssimo Lanterna Verde Kyle Ryder, um desenhista com a mente mais abstrata e criativa de todos os seus antecessores, utilizando um anel sem a fraqueza do amarelo mas quase nenhuma experiência como super-herói. Kyle era, literalmente, um Lanterna Verde. Eram versões atualizadas dos sete membros originais e mais famosos do grupo e compunham para Morrison um panteão de deuses alegórico, com diferentes poderes (Gardner) e diferentes personalidades (O`Neil Freedrich Wein e Englehart).

Justice League Elite #1
Justice League Elite #1

Eles se mudaram para a Torre de Vigilância, uma base lunar. Foi um sucesso imediato, pois era o retorno ao clássico e ao mesmo tempo era diferente de todas versões anteriores. Os eventos de histórias eram quase sempre bombásticos e fechados nos próprios números, afetando pouco a vida de novos números, mas as mudanças da revistas solo eram incorporadas, como a mudança de visual do Superman elétrico e outros e por fim foram também incorporaram outros personagens como no passado, como Oráculo (Bárbara Gordon), Aço (Henry Irons), o novo Arqueiro Verde, filho bastardo do original, o caótico Homem-Borracha e o contemporâneo Aztek. Apesar do sucesso, não foram criados novos títulos contínuos, mas sim minisséries fechadas, como Liga da Justiça Elite por ocasião do numero 100 da JLA, entre outras.

A editora havia aprendido a lidar com o sucesso sem sobrecarregar o mercado. Para muitos cada encarnação do time de alguma forma trouxe algum adendo ao grupo e, nesse nível, todas foram relativamente bem sucedidas e principalmente fieis ao que é a Liga da Justiça. Isso mostra o quanto essa idéia é abrangente. O artista Howard Potter que, como Maguire na versão cômica, acertou o tom da época de JLA em seus fantásticos desenhos. O clímax se dá no final dos anos 90 com a saga “Terceira Guerra Mundial” que chegava com ao ápice com todos na Terra herdando temporariamente super-poderes para se unirem a Liga para enfrentarem um mal comum. “Olhem para o céu, são seis bilhões de pessoas!” Influenciados por esse sucesso nos HQs e na animação Justice League, de 2004 a 2006 DC novamente começa reformula tudo, a principio de forma mais discreta.

Liga da Justiça da América Vol. 2 (2006 – …?) Rumo ao futuro.

JLA Vol.II #1

A DC do século XXVI parece tentar recapturar não só a sensação da Era de Prata, mas também várias de suas idéias. Após o evento “Crise Infinita” a Justice League of America Vol.II começa do numero 1 sob a batuta de Brad Meltezer. Brad pegou todos os conceitos daquela era, das personalidades dos heróis, da dinâmica entre seus personagens, misturando com várias outras idéias de tudo que viera antes. Pegou os grandes e colocou lado a lado de personagens que nunca se esperaria ver. Mais do que isso, ele explorou tanto o lado humano quanto o super-humano para contar histórias sobre a condição de serem super-heróis.

Arsenal (atual Arqueiro vermelho, o ex-parceiro do Arqueiro Verde original que a muito abandonara o nome Ricardito), Vixen, uma nova Mulher-Gavião e Canário Negro (a nova líder do grupo, maturada por seus anos na equipe feminina Aves de Rapina com Oráculo e Caçadora) lado a lado de Batman, Superman e Mulher-Maravilha. A tríade voltara a fazer parte do começo da equipe time original não do seu começo, mas logo depois, como é visto em “JLA Year” one de Mark Waid, bem como podemos perceber em várias revistas que abordam o passado do Universo DC, como um especial desenhado por Alex Ross sobre o grupo e principalmente na aclamada mini-série “Crise de Identidade”.

Identity Crisis #2
Identity Crisis #2

Nesta série uma facção interna e secreta da Liga da época do satélite (Gavião Negro, Hal Jordan, Canário Negro, Zatanna, Arqueiro Verde e Barry Allen) se responsabiliza por manter escondida as identidades secretas de todos seus membros, encobrindo suas ações um tanto que questionáveis, remodelando a personalidade psicótica do vilão Dr. Luz, que havia acabado de estuprar a esposa do Homem-Elástico e logo depois apagando a memória de Batman que os flagra no ato. São heróis lutam internamente para manter coesa a equipe, não importa como, enquanto que outros como o próprio Superman fazem vista grossa para o fato. O risco de uma identidade de um herói ser revelada num mundo informatizado é imenso, não só para ele e seus entes queridos, mas para toda a equipe.

É uma nova concepção e alargamento moral do código dos super-heróis. O velho Arqueiro diz a Wally em uma parte “Os Titãs te ensinam a ser uma família, a Sociedade a ser heróis mas a Liga te ensina a lutar”. Esse novo fator, de um time que precisa existir para combater ameaças bombásticas e precisa ao mesmo tempo se proteger (tanto seus membros quanto os parentes, amigos e cônjuges destes) incorpora um novo precedente que irá desencadear toda uma mudança na DC na pregressa “Crise Infinita” e agora em “Crise Final.” Heróis lutando pelo mundo, mas também pela sua sobrevivência. Esse questionamento moral está claramente presente no ultimo filme de Batman: até aonde um herói tem que ir a nome daqueles que lhe são queridos? Onde está o limite entre o que um herói e um vilão?

Se essas mudanças serão bem sucedidas só o tempo dirá, mas o fato é que com o caminhar para a nova formação do grupo, encabeçada pelo gênio criativo James Robinson de “Era de Ouro” e Starman. Robison não conta mais com a tríade (que pode ser vista no título próprio Trindade), nem os outros membros do panteão de Morrinson, partindo para um retorno de amigos que começaram na Era de prata, mas se solidificaram na Era de Bronze: Hal Jordan e Oliver Queen ao lado de estreantes no time, ex coadjuvantes de grandes heróis em busca de afirmarem suas identidades como Supergirl, Batwoman, o novo Shazam e o improvável macaco falante Congorilla. Herdar o legado da Liga da Justiça para artistas de HQs pode ser algo intimidador. Ao mesmo tempo em que se estabeleceu uma nova mitologia de deuses modernos, ela está sempre em constante evolução.

Vários autores e editores como Len Wein, Joe Kelly, Michael Friederich, Marv Wolfman já deram depoimento do quanto se sentem honrados e o quanto aprenderam sobre o quanto o sentimento de grupo pode ser maior do que o individuo simplesmente ao lerem e escreverem a Liga da Justiça. Os roteiristas e desenhistas das HQs de hoje fazem um trabalho heróico de forma fascinante ao pegarem temas e contos imortalizados, originado no mundo dos mitos e os trazem para o futuro. Seja o grupo da Era de Prata, dos anos do Satélite, seja a Liga de Detroit ou internacional, seja a JLA de Grant Morrinson, o mix de Brad Meltezer, ou o que ainda está por vir de Robinson, seja todas as temporadas dos Superamigos, do desenho Liga da Justiça ou a subseqüente Liga da Justiça Ilimitada, seja suas encarnações recontadas no passado de “Era de Ouro: Sociedade da Justiça”, “O Prego” ou a “Nova Fronteira” ou no futuro de “Reino do Amanhã”, “Cavaleiro das Trevas 2” ou “Batman do Futuro”, ou mesmo, só nos resta torcer para que eles continuem a ser a melhor equipe de super-heróis de todos os tempos e eras e a nos darem incríveis histórias da reunião indivíduos com qualidades, habilidade e personalidades, que sacrificaram tudo, até suas próprias vidas, para sonharmos com um mundo melhor. Ainda bem que James Robison está a altura. Seja bem-vinda então, sobre seu argumento e a arte de Mauro Casciolli a nova revista mensal da DC, Justice League.


4 respostas para “Heróis Reunidos: Liga da Justiça – A Era Moderna”

  1. tenho grandes expectativas pra essa liga do james robinson também, mas parece que ele andou brigando com o DiDio
    anyway… quem viver verá… hehehe

  2. Brigou, mas vai continuar na DC.

  3. Avatar de Daniel Braga
    Daniel Braga

    Eu tb tenho, Sam. Acho que a tríade precisa respirar um pouco fora do time.
    Eles e os outros dos 7 do Morrison: O Aquaman original foi substituído , o J’onn morreu, Barry está voltando (no lugar do Wally?), Kyle está em Oa… Hal e Oliver precisam brilhar. Mas eu to com muita expectativa quanto ao que ele vai fazer com o Atom (Elektron) e com o Shazam.
    Alem disso, é Robison, ele ja tá dando uma super calibrada na Kara, espero que os outros do time tb surpreendam.
    Tomara, Lam. Fiquei preocupado naquela sua matéria que o DiDio não faz uma menção sobre a Liga… Mande noticias assim que souber de algo, por favor.

  4. aguenti ai mulher maravilha estamos atras deles

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