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Histórias interativas: a tecnologia que nasceu para os quadrinhos digitais

Já não é uma discussão recente: os livros como conhecemos hoje estão fadados à extinção? De fato, tablets e e-readers são os verdadeiros sucessores do papel? Muitos defendem que sim, seja pela comodidade de possuir inúmeros livros em apenas um lugar físico, seja pela suposta proposta sustentável que tais eletrônicos reservam para si, ou qualquer outro motivo que os ponha em vantagem frente ao evidente tédio inerente às páginas impressas. Tédio este, ilusório, sim, mas paradoxalmente palpável à medida que avançamos no tempo.

Apesar da introdução rabugenta, este texto tangenciará tais questões e se concentrará em um mercado irmão: o das histórias em quadrinhos.

No presente momento, todas as grandes editoras americanas publicam quadrinhos digitais através de aplicativos para plataformas móveis. Neste cenário, quem vem inovando é a Marvel, que recentemente lançou um app de realidade aumentada que promete dialogar com a mídia impressa. Ao contrário dos livros, penso que revistas mensais – tanto de quadrinhos como periódicos de notícias ou publicações científicas – possuem um propósito maior em existir digitalmente; para concluir isso, basta pensarmos que este tipo de publicação geralmente não desperta desejo colecionável, ou seja, possuem característica intrinsecamente descartável, ao contrário de romances e graphic novels, que frequentemente gozam de acabamento e qualidade mais refinada, bem como peridiocidade indefinida. Dito isto, podemos partir para o clímax desta contenda.

Recentemente chegou à App Store e ao Google Play Store o Marvel’s The Avengers: Iron Man – Mark VII, um quadrinho interativo que conta bem superficialmente todas as etapas de construção das sete versões da armadura do Homem de Ferro no universo dos filmes, desde Homem de Ferro até o longa d’Os Vingadores. O aplicativo foi feito pela Loud Crow Interactive Inc., que vem se especializando em fazer histórias interativas. O quadrinho mescla o já conhecido sistema de deslizar o dedo para passar a página e o toque em objetos do cenário para desempenhar as ações, como por exemplo, vestir Tony Stark com a Mark II e voar com o Homem de Ferro pelo céu noturno – uma repetição gráfica da cena do primeiro voo do herói. O roteiro se reserva a ser meros logs do Jarvis, que revelam pequeninos detalhes dos bastidores do universo do Homem de Ferro nos cinemas. É quase uma tech demo, já que quando se chega ao final da história, o pensamento natural converge para o desejo de ver tal tecnologia implementada em uma HQ de verdade…

Será? Não seria esta, uma nova ameaça às boas histórias? Um análogo aos bons gráficos dos videogames ou ao 3D do cinema? Um mero show de ilusionismo para mascarar roteiros fracos?

Digo que não. Como toda a evolução, se bem utilizada, a tecnologia só vem a acrescentar. Assim como outrora tínhamos a pintura e escultura como a veia de expressão mais forte da arte visual, o advento da fotografia, TV e cinema não eliminou tais tipos. As modalidades coexistiram, assim como caminha a indústria de quadrinhos hoje, de modo que motion comics, animações e quadrinhos interativos devem ser opções dentro da própria arte. Não há o que alardear.

Assim sendo, acredito que em se tratando de HQ, a variedade perfeita para o formato digital seja esta do tipo interativo. É um formato que nasceu para as plataformas móveis e indubitavelmente é um diferencial que justifica e engrandece o valor da tela frente à página. Certamente, como isso será aplicado é um pouco mais complicado, afinal, deveriam as edições normais ter ambas as versões, ou cada modalidade seguirá um caminho independente? Qual é o custo para criar tais histórias? É um negócio economicamente viável? Existe público para consumir este novo formato? Estas são algumas das muitas questões que cercam a novidade. Acredito que nenhuma delas possui resposta definida, já que tal modalidade sequer foi assumida oficialmente pela Marvel. Só não me surpreenderia se já houvesse algum projeto oficial em desenvolvimento pela empresa; na verdade, eu ficaria realmente muito feliz caso de fato tal coisa existisse. Entretanto, acredito que a questão seja um pouco mais complicada de resolver que se comparada ao embate da indústria literária, já que o mercado de quadrinhos é bem mais jovem e instável – e arriscar em ambientes assim nem sempre é algo inteligente de se fazer.

Ficou interessado no formato de quadrinho interativo? Então baixe gratuitamente o aplicativo mencionado no texto através dos links para a App Store e Google Play e veja por si mesmo. Ou melhor, imagine como isso seria se aplicado em uma HQ de verdade! 😉

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Audaz

Publicado por Rafaell Reboredo

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