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O Punho de Ferro de Ed Brubaker, sua despedida da Marvel

Ed Brubaker é com certeza é um dos melhores roteiristas da Marvel. Personagens como Capitão América, X-Men, Demolidor e outros por suas mãos tiveram polêmicas e tramas tão bem desenvolvidas que alavancaram ao seu posto atual, premiado e reconhecido. Sua carreira foi consolidada e quando anunciou sua saída da Casa das ideias, os fatores que delegou foram as oportunidades que surgiram para escrever para o cinema e para a TV: o êxito de Fatale, na Image Comics e a morte de seu pai.

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Capa da edição norte-americana, a mesma na edição brasileira.

Um de últimos trabalhos em série regular foi The Immortal Iron Fist. Quando a Netflix anunciou o teaser da série do Punho do Ferro (assista aqui), fiquei maravilhado. E, lendo a edição que a Panini lançou recentemente com esse arco, fiz essa análise a contento.

Ed escrevia um bom número de títulos por mês na época e aceitou o argumento porque contava um co-roteirista, Matt Fraction. Segundo o próprio Brubaker, Punho de Ferro é um personagem encantador, e o kung fu que o cerca é um grande alicerce para boas aventuras. A premissa da série é a reconexão de Danny Rand com sua identidade e sua vida pessoal, lembrando o que Brubaker fez com o Demolidor. O herói tinha uma vida estável e aparentemente perfeita (rico, uma noiva, poderes), os roteiristas engenharam uma trama para aumentar seus problemas.

Battle_of_Gettysburg__by_Currier_and_IvesO arco de abertura, “The Last Iron Fist Story,” escava na história do próprio legado e revela que Danny não é o primeiro a ter o nome Punho de Ferro. Na verdade, tiveram vários punhos de ferro ao longo dos séculos. Brubaker e Fraction entram no misticismo em torno do personagem e criam um mundo envolvente que muitos leitores poderão se perguntar por que ninguém nunca tinha pensado nisso antes. Os dois misturam seus pontos fortes para dar uma história cheia de possibilidades. A série traz aranhas mecânicas, ninjas, a Hidra, conspirações, misticismo e muitas lutas, mas basicamente a premissa será em Danny e seu passado, descobrir quem realmente ele é e que peso carrega como Punho de Ferro.

13516426_120129675084399_1659028546322477313_nA arte do David Aja acrescenta muito para o tom desta HQ. Seus desenhos são corajosos e retratam uma sensação noir a este conto de arte marcial, do kung-fu. Também faz uso de uma tendência recentemente encontrada em outros quadrinhos: vários artistas retratam flashbacks na história. A arte de Aja está ligada para a história atual, enquanto Derek Frindols, John Severin, Russ Heath, Thomas Palmer e Sal Buscema fazem a arte nas sequências que retratam as aventuras dos punhos de ferro anteriores. Isso permite ao leitor perceber o que está acontecendo e quando ocorreu, criando um tom diferente para cada um dos Punho de Ferro. Os cenários apresentados em flashback reforçam e complementam a arte de Aja, dá nem pra notar a diferença de estilo.

album-page-large-3867Mas o que mais encontramos é ação, mas muita ação. É kung fu, aquele mesmo do Bruce Lee,  os autores usam a Hydra para o arco narrativo, permitindo ao herói apresentar vários golpes de sua luta,  mas em fez de fazer o habitual “grupo do mal tenta dominar o mundo” no enredo, a trama principal é sobre o legado do Iron Fist e como querem destruir o que já foi constituído há eras. Danny é um herói à margem da Lei de Registro de Super-humanos e precisa lidar com uma conspiração da Hidra para acabar com ele e com sua empresa. Para isso, Rand vai contar com a ajuda de mais um Punho de Ferro!

Quando você terminar o álbum, dá para entender o por quê que o Punho de Ferro nunca foi um personagem feito para começar como nesta série. Começou como um personagem clichê, que seguia o tema da vez, no caso o kung-fu, durante a década de 1970 e agora se tornou um dos personagens mais visados da editora. Ainda mais com essa apresentação, mas também por ser membro dos Vingadores pós Guerra Civil.

Meu receio é que ele se torne um Wolverine e que apareça em todo canto e título. Mas o potencial que Brubaker e Fraction e o olhar de Aja alcançam, leva essa caracterização para longe. Em um mundo onde o kung fu retorna, temos em mão, um dos melhores HQs do gênero, no mercado, a narrativa nos agarra, dá vários golpes durante todo o tempo da leitura e nos deixa implorando por mais.

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Um trabalho superior que resgata o herói, que por muitas vezes foi mal utilizado. The Immortal Iron Fist ou O imortal Punho de Ferro é uma narrativa que deixa você sem fôlego, com uma profundidade na trama e com personagens bastante interessante. Aguardo a continuação e parabéns para a Panini pela edição.

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Publicação Cadorno Teles