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Quadrinho inapropriado é selecionado para alunos de 3ª série

dez_na_area_um_na_bandeiraEsta semana, a Folha de São Paulo apurou uma grave falha no trabalho da Secretaria de Educação de São Paulo: a escolha de um quadrinho inapropriado como material paradidático para alunos da 3ª série. De fato os quadrinhos têm ganhado mais espaço no Brasil, e isto está relacionado também com uma política governamental que vêm comprando grandes levas de obras quadrinísticas para serem aplicadas em salas de aula, o que gera um bom lucro para as editoras. Essa fixação desse mercado foi um ponto positivo para a indústria do ramo porém, não é qualquer material que deve ser reservado à ela, sendo necessário que haja uma seleção cuidadosa dos produtos, evitando o ainda presente preconceito “todo quadrinho é coisa de criança”, erro que a Secretaria de Educação parece ter sentido na pele.

O governo comprou e distribuiu um lote de pouco mais de 1.200 exemplares da obra Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol, uma coletânea publicada pela Via Lettera com 11 histórias diversas sobre futebol. Porém, junto com o futebol, o material contém palavrões e discussões sexuais, incluso comentários do nível de “chupava ela todinha” ou “e fist-fucking, rola?”.

Alguém fez um trabalho de seleção nas coxas e a Folha percebeu, agora as revistas estão sendo recolhidas e os homens públicos estão procurando alguém para culpar. O resultado disso tudo foram políticos tentando se justificar, jornalistas dando lições de moral e quadrinistas sendo mal-ditos, como vocês podem ver no vídeo abaixo, que traz uma entrevista com o Serra (que reclama até mesmo dos desenhos da obra) pela Globo.

O problema aqui é que a culpa é do governo e não dos artistas. A obra não foi escrita com uma finalidade paradidática, voltando-se para um meio completamente diferente e mais maduro. O próprio Caco Galhardo, responsável por uma das histórias com maior conteúdo sexual e termos chulos, já produziu outros materiais dedicados ao trabalho escolar, porém não foi este o caso, e ele afirma que o responsável que selecionou a obra obviamente não a leu.

A Associação dos Cartunistas do Brasil divide a mesma opinião e, em comunicado recente, informou que como “ vem participando por anos da luta pelo reconhecimento do autor brasileiro na área dos quadrinhos e humor gráfico, não pode deixar de dizer que as informações colocadas, dessa forma na mídia, podem depor contra um trabalho sério nas escolas de utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura e cultura nacional” e que “O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular.”. Para os interessados, vale a pena ler o restante da declaração da ACB sobre o assunto.

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Comentários 3
  1. Pois é. A culpa está bem longe dos artistas. Mas sim do pessoal que seleciona os livros para serem distribuidos.

    Foi comu tu disse: o artista não fez a obra para crianças. O erro foi de quem achou que era.

    Como a leitura faz diferença às vezes, né?

  2. De forma preconceituosa, “profissionais da Educação” compraram a obra e a indicaram, sem ao menos, lê-la ! Acharam que “gibi” é coisa de criança… Quem pensa assim nunca leu “V de Vingança”, “Persépolis”, “Maus”, “Watchmen”… Sou leitor de HQs há mais de 30 anos… Há 20, recebi em doação mais de duas mil HQs da Editora Abril… Li todos e distribuí as que julguei adequadas às crianças da minha cidade… Há 10 anos, coordenei projeto no “Escola da Família”, preparando alunos para vestibular e concursos públicos e obtive resultados excelentes: os alunos relacionavam Macunaíma (o herói brasileiro) com Superman (o herói americano), O Médico e o Monstro com o Incrível Hulk e Maria Quitéria com a Mulher-Maravilha… Assumo: devo muito de minha cultura geral às HQs… Passei em concursos, vestibulares e até mesmo na Fuvest – fui estudar na USP- com ajuda das HQs. Atuo como jornalista e escritor há 20 anos e utilizo muitas técnicas narrativas que aprendi nas HQs. Autores: solidariedade…

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