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Relendo “Espíritos da Terra”, uma das aventuras mais insólitas do Homem-Aranha

Gosto do cabeça-de-teia e sempre revisito suas obras que tenho em minha coleção.  As edições brasileiras do Homem-Aranha estão completando 47 anos e algumas estou conseguindo reavê-las, com reedições como foi no caso da Última caçada de Kraven pela Salvat ou procurando em sebos virtuais, como foi o caso de Espíritos da Terra, edição nº 10 da Graphic Marvel, publicado pela editora Abril em 1991, que encontrei no Pinterest.

O autor e o cenário desta narrativa gráfica que apresento aqui no Ambrosia tem uma característica incomum para as estórias do Aranha, Charles Vess e a Escócia.

63e514d268376f6c6f2c3f016606fa58Mas não era a primeira vez que Vess encontrara Peter Parker, o ilustrador foi o responsável pela capa da primeira edição de Web of Spider-Man lá pelos anos 1980.

O norte-americano desenvolveu para a Casa das Ideias trabalhos onde a presença de super-heróis era de longe orientada. Como foi em Epic ilustrated, Marvel Fanfare ou O Estandarte do Corvo, que testemunhavam suas virtudes de artista especialmente dotado e orientado para a fantasia.

Mesmo que as ilustrações dedicadas ao aracnídeo fossem realmente impressionantes, era inegável que a condição urbana do Aranha contrastava com suas ambientações feéricas, tanto que a mera conjunção do nome do autor e da personagem chama a atenção.

novgrf211-2-500x762A desculpa para colocar o Homem-Aranha nas Highlands é uma segunda lua-de-mel para Peter e Mary Jane. MJ tinha recebido uma herança de um parente distante que residia na Escócia, e assim o jovem casal aproveita a ocasião para dá uma escapada e conhecer o que tinha legado de sua tia afastada. A visita ao Reino Unido leva-os a uma típica aldeia escocesa, mas está mais para arquetípica, com os aldeões, um castelo em ruína e suas lendas.

Uma maldição ronda o lugar e os moradores estão decididos a irem embora; o herdeiro da antiga aristocracia local desapareceu e uma anciã que fala constantemente da força da magia e o poder das fadas  é o que Parker encontra ao se situar naquelas paragens. Fiel a sua politica de boas vizinhanças, o Homem-Aranha dará as cartas ao assunto e tentará desvendar oque ocorria ali.

O prólogo da história mostra uma cena habitual do Aranha em Nova Iorque, essa introdução permite remarcar o contraste entre a metrópole e os campos verdes das Highlands. O autor desenvolve uma ambientação corriqueira que Peter experimenta desde que pôs o pé no velho continente, a sensação de peixe fora d’água. A viagem da América para a Europa parece uma viagem no tempo, porquanto dos costumes e da mentalidade demonstrada naquele local afastado da dita civilização.

Outro contraste é a imagem de Mary Jane que aparece exuberante perante as demais personagens femininas, tradicionais, como uma via que demonstra quanto antagônico é o antigo e o moderno. Sem falar da tecnologia, por exemplo, os lançadores de teias nem tem tanta serventia naquelas paragens, mas o que mais afeta é quanto sua mente científica é jogada nessa experiência paranormal que Vess desenvolveu.

A narrativa de Peter, um morador de uma metrópole na fronteira do antigo reino das fadas, não deixa de ser um reflexo da fascinação que qualquer viajante sente quando chega a um destino que geograficamente e culturalmente está afastado de sua origem e aporta numa promessa de uma magia que se acreditava perdida.

Espíritos da Terra é uma graphic novel deliciosa que Charles Vess mostra o seu conhecido talento para justificar a presença insólita do Aranha naquelas paragens. Há de se reconhecer que a estória poderá não agradar quem procura uma aventura habitual do Aranha, mas para uma releitura, como no meu caso após quase vinte anos, fora um nostálgico passeio num tempo em que tudo que aparecia era novo e cada título que surgia trazia a promessa de uma história especial e fascinante.

Uma das mais espetaculares aventuras do Homem-Aranha, merece uma reedição e para quem não leu, procure, vale a leitura.

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