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Resenhando “Aquaman: Renascimento volume 1”

Nosso planeta é essencialmente água. Quase 3/4 da superfície terrestre estão cobertas com o líquido fundamental, enquanto que o restante está salpicado de porções de terra. Um planeta azul cheio de vida, de tal forma que grande parte fica escondida abaixo da superfície e que, nesse mundo subaquático, acolhe não só um rico ecossistema, mas também toda uma civilização humanoide, sob a égide do reino de Atlantis. Se olhássemos isso tudo como um novo cenário geopolítico gerador de tensões, tanto na superfície como abaixo dela, teríamos um local capaz de levar a humanidade a um conflito de que ninguém sairia beneficiado.

Em meio a este conflito está Aquaman. Ele ganha pela Panini um volume que reúne, num encadernado de preço bem acessível por sinal, as edições de “Aquaman: Rebirth #1” e “Aquaman” #1 a 6.

Aquaman é um personagem cuja faceta dupla está muito acentuada. Não trato de ter uma identidade secreta e sim algo bem mais complexo e elaborado. Aquaman/Arthur Curry é um herói que luta pelo o que acredita ser correto na superfície junto a Liga da Justiça ou em missões solo, mas também é um monarca, o líder de um povo orgulhoso. Isto tudo é de vital importância para tornar o personagem tão interessante, pois como é fruto da união de um humano e de uma atlante, uma ênfase maior é conferida a essa dualidade entre rei e herói, atlante e humano, dando-lhe uma personalidade bipolar.

Dan Abnett continua o que Johns deixou na série antes do Renascimento e marca ao colocar um olhar especial no conflito interno em Atlantis, o peso que tem a coroa em Arthur e sua imagem de herói. Abnett deixa claro que ser o Aquaman não é algo fácil, que sua vida não é igual a de outros heróis e as suas responsabilidade são enormes. Sua missão não é só ser um herói ou um rei, sua real missão é ser um embaixador, alguém capaz de inspirar tanto a humanos como atlantes para que deixem de lado as diferenças e que se unam em benefício próprio. O problema é fazer desaparecer as tensões entre as duas raças, e isso tudo sem pertencer completamente a nenhuma das duas. E a cada página lida encontraremos uma cadeia de fatos e momentos que direcionam a caminhos opostos pela imprevisibilidade das situações.

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Mas também neste Renascimento, os autores recuperam um pouco do que Johns deixava ao personagem: fazer piada de si mesmo e de suas habilidades. Abnett desenvolve um afiado humor entorno da capacidade de “falar” com as criaturas marinhas. Por último, podemos analisar outro fato relevante ao personagem, inédita em quase todos os demais heróis que conhecemos: sua esposa Mera é uma personagem forte, independente e capaz de levar pr si mesma as rédeas de sua vida. Mera se afasta por completo do recurso de dama em apuros, capaz de fazer feitos heroicos com seu marido.  A relação entre eles é complexa, íntima e destila uma confiança tamanha que não podemos conceber Aquaman sem Mera, nem Mera sem Aquaman.

O volume deixa claro todos estes aspectos que apresento e dentro do Universo DC  uma ponte para a nova coleção na iniciativa Renascimento, permitindo conhecer o personagem mais profundamente e mais peças de um quebra-cabeça quem vem a ser a trama seguinte. Asseguro aos leitores que terão uma boa experiência na leitura desta edição.

Em relação à arte, encontramos a surpresa de encontrar nos créditos o nome de Oscar Jiménez. Para quem leu a série do Flash, na época de Mark Waid, deve se lembrar da excelência em seu traço, com um nível de detalhe enorme, mas que só encontraremos nas primeiras e últimas páginas, pois deixa o trabalho a Scot Eaton, com um estilo mais simples que faz com o controle da história em detrimento do que Jiménez desenvolve.

Um volume que mostra um Aquaman soberano, preocupado com o seu mundo e o seu derredor. Abnett inova com o lado político, os choques culturais, os problemas de governar e estabelecer uma diplomacia entre os atlantes e o povo da superfície. Há retorno de vilões clássicos em uma nova roupagem e a marca do terrorismo. Excelente e longa vida ao Rei dos Sete Mares.

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