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Superman esmaga a Klan, de Gene Luen Yang e Gurihiru

O ano é 1946. Os adolescentes Roberta e Tommy Lee acabaram de se mudar com seus pais de Chinatown para o centro de Metrópolis, lar do famoso herói, Superman. Tommy faz amigos rapidamente; enquanto Roberta sente falta de seu antigo lar. Até que, certa noite, a família acorda e percebe que sua casa está cercada pela Klan! O Superman entra em ação; mas sua exposição à uma misteriosa rocha verde o deixa fraco. Serão Roberta e Tommy capazes de ajudá-lo a esmagar a Klan?

Análise

As novelas gráficas sempre foram uma boa maneira de apresentar o mundo da literatura aos novos leitores. E quando inserimos no universo dos super-heróis, nada melhor do que aproveitar e combinar as duas opções. Nesse caso, a coleção de graphic novels da DC Comics, DC Teen, que a Panini vem publicando é uma boa opção, e com sua mais recente novidade, Superman esmaga  a Klan, os leitores conhecerão um pouco mais sobre o personagem em seus primórdios com uma abordagem que ainda continua atual, o tema preconceito e como nunca.

Inspirado no seriado de rádio “The Clan of the Burning Cross“; o autor do best-seller do New York Times Gen Luen Yang (O Chinês Americano), o criador de Kenan Kong, o Superman chinês em parceria com o artista Gurihiru; apresentam sua visão pessoal de como os imigrantes podem encontrar seu lugar no mundo.

A narrativa começa, como indica a sinopse, em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial. Apresenta-nos a história da família Lee, uma família de origem asiática que se muda para o centro de Metropólis. Mas, embora a guerra tenha acabado, muitos cidadãos acreditam que os imigrantes não devem ter os mesmos direitos que eles, pois para eles são seres ‘inferiores’. É isso que a família Lee enfrenta quando a Klan invade sua casa para queimar uma cruz em seu quintal.

No entanto, não apenas a família Lee está em perigo, pois os personagens Roberta e Tommy junto com Superman e outros irão tentar desmascarar a Klan. Em meio a esse confronto único, Superman descobrirá coisas de seu passado que havia esquecido.

A narrativa gráfica introduz seus personagens, contando com vários secundários, mas os mais importantes sem dúvida são o Superman, Tommy e Roberta Lee junto a Jimmy Olsen e Chuck, Lois Lane, o inspetor Henderson e a Klan, composta por vários antagonistas que iremos conhecer ao longo da história. Sem dúvida, a personagem com mais evolução é Roberta , que passa de uma menina tímida que acha que não se encaixa, para ser corajosa e até ajudar o super-herói, e o próprio Superman, que tem uma evolução de seu potencial.

Quanto ao enredo do livro, tem um bom ritmo, mesmo que seja para um público juvenil, que usa um estilo mais adulto para que conheçam uma parte da história de forma mais suave. Nesse caso, não se omite a parte de racismo e discriminação que os imigrantes tinham naquela época nos Estados Unidos, e fala, coberto com o nome da Klan, de todo o movimento Ku Klux Klan que existia naquela época. E num período que o fascismo e grupos de supremacistas brancos ganham voz em vários locais do mundo, inclusive no Brasil, a narrativa se apresenta como um escudo teen contra o itinerário racista.

Inspirado numa história real, Superman Esmaga a Klan traz um pouco de como o Superman foi desenvolvido. Antigamente, muitas das histórias eram transmitidas por meio de programas de rádio, e o Super-Homem era um daqueles personagens que conquistou os ouvintes do país.

Superman foi criado por dois garotos judeus que o fizeram como um personagem maligno, mas no final fizeram dele um super-herói que veio de outro planeta. Assim, fizeram seu personagem como um imigrante, como seus pais. Um personagem que teve um papel importante para os Estados Unidos.

Durante a guerra, no rádio, o Super-Homem lutou contra os nazistas para eliminar aquele mal do nosso planeta, e após o final da guerra não adiantava nosso super-herói lutar contra algo que havia sido derrotado. Por esse motivo, nasceu a ideia de que o Superman lutaria contra a Ku Klux Klan, embora, como essa organização tinha reconhecimento legal, seu nome foi alterado para The Clan of the Burning Cross.

Muito trabalho foi feito para que a história saísse e, embora muitas pessoas não concordassem com essa trama, também foi um sucesso. O show foi descrito como o primeiro feito para crianças com a temática socialmente consciente, e depois que a organização foi retratada em um programa de rádio infantil, os membros da Ku Klux Klan não conquistaram mais o mesmo respeito que no passado.

Destacamos as magníficas ilustrações que você encontrará em suas páginas. Com detalhes, sombras e cores incríveis, e só para apreciar a arte de Gurihiru, Superman Esmaga a Klan vale a pena ler.

Em conclusão, Superman contra a Klan é um narrativa gráfica que resgata um dos programas de rádio de maior sucesso da década de 1940, num momento que temos discutido a temática do racismo e do fascismo. Com personagens emblemáticos, ilustrações maravilhosas e um enredo que nos apresentará ao Superman que conhecemos hoje, com uma crítica social ao racismo da época. Sem dúvida uma ótima opção para entrar tanto em graphic novels quanto na DC Comics.

Nota: Fantástico 4,5 de 5 estrelas

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