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Novas informações sobre Geist: The Sin Eaters

Famosa Hydria Grega retratando o Mundo Inferior com diversas figuras relevantes: no centro, O Rei Hades e sua Rainha Perséfone, ao lado desta, Orfeu e em branco, Cérbero.
Famosa Hydria Grega retratando o Mundo Inferior com diversas figuras relevantes: no centro, O Rei Hades e sua Rainha Perséfone, ao lado desta, Orfeu e em branco, Cérbero.

Fiquei sabendo desta notícia através do Wod Brasil, pois raramente entre nos fóruns fora da égide de Mago: o Despertar. Há cerca de quatro dias atrás a Amazon colocou o livro do Geist em pré-venda no seu site. Para a sorte dos leitores (ou azar da White Wolf?) junto da adição do produto também foi colocado um pequeno resumo do mesmo, este bastante revelador.

“Um livro de regras para jogar com os Devoradores de Pecados, mortais que atravessaram os portões da Morte e retornaram, atrelados à estranhas sombras conhecidas como Geists. Um olhar expandido sobre a morte e o Mundo Inferior (Underworld) no Mundo das Trevas, de simples fantasmas até sinistras ameaças como os Kérberoi.  O livro fornece um novo tipo de personagem e antagonistas para crônicas de crossover, assim como para crônicas focadas exclusivamente nos Devoradores de Pecados.”

Parece que todos aqueles que esperavam por um livro focado no Underworld, local que já apareceu diversas vezes em livros de Mago e até Vampiro, acabaram tendo que comprar Geist, onde aparentemente o mesmo será descrito com detalhes incluindo seus estranhos habitantes.

Nota para o antagonista citado, Kérberoi, o plural de Kérberos, o Cão de Hades que guardava a entrada do mundo inferior. É bastante plausível imaginar que estes seres caçarão os Geists por terem fugido/violado os portões do outro mundo. Eu gostaria muito de ver conceitos de cultos ctônicos gregos como o Orfismo e outros mistérios explorados no livro. Orfeu é um dos poucos homens que reconhecidamente conseguiu ir e voltar do Reino de Hades, inclusive fazendo adormecer Cérbero (Kérberos no original) no caminho. Seu relato fundou uma das mais revolucionárias e instigantes crenças helênicas, com direito a sua própria Teogonia, bem diferente daquela composta por Hesíodo.

Uma outra adição interessante à Geist, seriam as lâminas órficas, pequenos escritos encontrados ao longo de várias cavernas e pequenos “templos” órficos. Seu conteúdo em boa parte dos achados compõe pequenos mapas do mundo subterrâneo, coisas que ajudariam um iniciado a como se localizar por lá. Um pequeno exemplo aí embaixo:

“Na entrada da casa de Hades,
encontrarás à esquerda uma fonte.
Perto dela se ergue um cipreste branco.
Dessa fonte não te aproximes*.
Mas adiante deverás achar outra,
Que sai do lago da memória.
De onde jorra água fresca e guardiões a protegem.
Se aproxime e lhes diga:
Sou filho da terra e do céu estrelado,
Mas minha aliança repousa com este.
Tenho uma sede que me beira o padecimento,
Daí me de beber da água fresca,
Que jorra do lago da memória!
E eles lhe permitirão se saciar na fonte divina,
E dali em diante, reinarás para sempre como herói.”
(Tábua de Petelia, quarto século d.C., Museu Britânico)

*A primeira fonte costuma a ser associada ao rio Lethes, ou seja, o rio do esquecimento.

Também gostaria de ver a presença de personagens clássicos como o Caronte, mas por sua importância em Wraith, é possível que não o vejamos de novo. O livro será lançado no dia 5 de Agosto e deverá ter 320 páginas (Menor do que Changeling, Hunter e Mago, maior do que os demais).

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Comentários 7
    1. “Sério, o que mais me interessou dessa parada toda foi “…estranhas sombras conhecidas como Geists”. Sombras? Stygia? Acheron? Wraith?”

      Expectativa demais em relação a jogos anteriores só vai gerar frustração. Lembrem-se de que o Ethan Skemp já avisou que o nome do jogo era novo (“Geist” e não “Wraith”) porque os conceitos eram suficientemente diferentes.
      Isso vindo de alguém que fez Changeling: the Lost, que é BEM diferente do antigo Dreaming mas a criatura-protagonista principal (changelings) manteve o nome assim mesmo.

      Eu ainda acho que a melhor pista sobre Geist, como postei lá no fórum da WW, é a história City of Ghosts no livro Horror Recognition Guide (para Hunter: the Vigil). Cabe 100% nesta pequena descrição da Amazon.

      Se aquilo foi feito mesmo pensando no que virá em Geist, os geist serão fantasmas do passado sim, mas o protagonista mesmo é o ser humano com quem o geist se “fundiu”. Não é exatamente um Risen (como no antigo Wraith) porque o humano retém sua personalidade a maior parte do tempo, e por isso também não é exatamente um um spirit-claimed (como em Lobisomem: os Destituídos). O geist também não é exatamente como a Sombra do antigo wraith (que aliás se chamava “Shadow”, enquanto nesta descrição a palavra usada é “shades”) porque ela não “sussurra” coisas ao anfitrião, não se comunica diretamente como “aquela vozinha no fundo da sua mente” – tem mais a ver com o humano tendo blackouts, sonhos com a vida passada daquele geist, e assim por diante. E a história termina com o cara entrando no Underworld para defender fantasmas que eram vítimas do geist que o “possuiu” – talvez daí o sin-eater, do “possuído” tentar refutar/resolver questões do geist, inclusive do outro lado.

      Nesse sentido, tem mais a ver com Orpheus do que com Wraith, só que sem todo o aparato tecnológico, o clima de rivalidade corporativa, e o tom conspiratório/paranóico. Também me lembrou um pouco como o Monte Cook tratou os vampiros no McWoD – vampiros eram resultado da fusão entre humano e a alma de alguém morto há tempos que cometeu muitos crimes/pecados, lembram? Lá também havia graus de “possessão” – em alguns casos, a alma morta tinha o controle completo, em outras isso cabia ao humano “possuído”, e havia graus intermediários também.

      Eu confio no Ethan Skemp, que ele vai fazer esse jogo tão diferente quanto possível. Já é o terceiro jogo de fantasmas da WW – nem vampiros tiveram tantos! – e o segundo, Orpheus, já prestava reverência suficiente a Wraith. Não vou me espantar se as únicas coisas realmente em comum que o jogo tiver com Wraith sejam o fato de ser um jogo de fantasmas e de ter um reino chamado Underworld para onde fantasmas vão. Tá na hora de ir em uma direção diferente.

      1. Eu não cheguei a ler este conto Fábio, mas gostaria de um jogo que o envolvimento com o lado Geist fosse maior, tendo por exemplo, mais interação no Underworld. Ainda que eu ache Wraith um jogo muito bom, tenho bastante certeza que Geist será bem diferente deste. O que você descreveu me lembrou muito os possuídos do “Inferno”, onde justamente o espírito do vício se funde a um humano, que retêm em boa parte sua consciência e personalidade, mas recebe uma influência sutil e poderes de sua contra-parte.

        Acredito que possa haver uma certa semelhança entre City of Ghosts e Geist, mas se não me engano, no tópico citado lá no forum disseram que o Hunter Recognition Guide havia sido escrito bem antes do desenvolvimento do conceito de Geist, portanto podemos esperar que a linha vá bem além disso. Pelo menos é o que eu torço.

        Sei que sendo o Ethan Skemp eu não devo ficar desapontado, tendo em vista que praticamente tudo que levou o nome dele na WW funcionou muito bem…

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