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O silêncio da White Wolf

Hoje eu comecei a ler as primeiras notícias mais concretas sobre os estandes e os lançamentos na Gencon e confesso que senti muita falta de ver qualquer pronunciamento da White Wolf a respeito. Acho que finalmente estou passando para o lado da angry mob, que a vem atormentando durante o ano.

Para aqueles que não sabem há cerca quatro anos atrás (2006) a White Wolf estava próspera e feliz com seu novo World of Darkness. Essa prosperidade chamou a atenção de uma empresa muito maior que resolveu comprá-la, como aconteceu com a TSR e seu D&D. Depois da aquisição pela CCP as coisas seguiram normais para boas, e durante um bom tempo todos estavam satisfeitos com a mudança. Vale citar sempre o exemplo de Changeling: The Lost, uma linha menor no passado, mas que tomou de assalto o mundo rpgístico no ano que foi publicado (2007), não só em vendas como em prêmios.

Todos acreditam que Hunter: The Vigil não tenha sido o sucesso que era esperado (digo acreditam por que eu nunca vi número oficiais, mas sempre foi dito, e pareceu realmente que o frisson em torno do jogo esfriou bem rápido), principalmente os suplementos, que tinham pouca coisa realmente boa a acrescentar (em minha opinião que não gostei do que comprei, e desconsidero aqui Slasher como suplemento de Hunter).

Será que Geist foi a última linha limitada?
Será que Geist foi a última linha limitada?

Em 2009 a White Wolf continuou bastante ativa e havia muita especulação sobre Geist. Quando a editora anunciou que Geist não seria uma linha limitada como as demais e só iria possuir um livro básico, isso também acabou gerando uma grande discussão sobre os fãs e como as coisas estavam na empresa. Por fim, no final do ano, com a ausência de um livro de trabalho confirmado para 2010, e nenhuma surpresa sobre os escassos lançamentos propostos pelo ano o Lobo Branco finalmente deu a informação fatídica:

Nós agora temos uma empresa milionária nos sustentando, logo, não precisamos mais lançar livros todo mês para nos manter no mercado. Nossa idéia agora é só lançar produtos que sejam bem acabados e úteis e não se preocupar mais com o fluxo contínuo de suplementos. Junto com este aviso, eles diziam que a empresa ia bem, e que essa decisão era na verdade positiva para nós fãs, pois nosso dinheiro iria valer muito mais quando comprássemos seus produtos.

Eu verdadeiramente apoiei a idéia da editora de se preocupar menos em com suplementos correntes em se focar em produzir obras primas do RPG. O problema começou é que os poucos livros que foram lançados no início do ano, tiveram problemas sérios de distribuição. A Amazon, por exemplo, enviou alguns livros para pessoas que tinham comprado em pré-venda, meses antes do lançamento oficial (fui um desses felizardos), o que gerou uma grande bagunça nos calendários deles.

O problema é que a partir desta confusão a White Wolf decidiu não se pronunciar mais em relação a datas de seus produtos físicos (existe uma agenda funcional para seus ebooks). Somando-se a isso, todo tipo de informação que agente tinha sobre a empresa (a partir dos Monday Meetings e outros posts no blog oficial) cessaram de ocorrer durante o ano. Algumas das datas dos poucos livros programados para esse ano (divulgadas na Amazon, o que não quer dizer muita coisa em termos de serem oficiais) chegaram e os livros não saíram e até agora não sabemos quando eles irão realmente ser lançados.

Quanto mais temos que esperar para ler um livro anunciado em julho do ano passado?

Por um lado eu fico muito feliz que o WoD atual não tenha que viver o período pobre e pouco criativo que se antecessor viveu antes de ser extinto, com suplementos toscos que não tinham propósito nenhum além de manter a empresa. Eu entendo que muita coisa já foi coberta nesta nova edição e que havia sim o perigo de acabar caindo na armadilha dos livros inúteis, mas acho que nada justifica deixar tantos fãs no escuro, sem uma estimativa ou data, ou proposta de nova linha.

Torço para que esse quadro se altere, pois a White Wolf sempre se mostrou uma das mais brilhantes produtoras de RPG, e foi a principal responsável pela transformação do hobby nos anos noventa em algo que eu particularmente gosto muito mais. Espero que o Lobo Branco ainda nos traga muito conteúdo excelente, e volte a nos falar antes sobre ele.

Vale dizer que é engraçado notar a inversão de papéis que ocorreu entre a White Wolf e sua linha brasileira pela Devir. Enquanto lá, não sabemos de nada, aqui a editora nos mantém ciente de cada passo, chegando a discutir abertamente as traduções dos livros. Quem diria…

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6 Comentários

  1. Provavelmente informações mais concretas serão anunciadas na convenção de fãs de vampiros (Grand Ball?) que a própria WW vai organizar em Nova Orleães no próximo mês de Outubro.

    Por acaso falei nisso com alguma profundidade num dos episódios do podcast Jogador-Sonhador, um podcast português de RPG (http://jogadorsonhador.podbean.com/2010/04/24/16-atraves-das-trevas-com-joao-mariano/). A ouvirem se quiserem. 🙂