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[Atualizado] Resenha: Keys To The Supernal Tarot

Resenha do Suplemento: WW40312: Keys to The Supernal Tarot ($27.99, 160 p.)

A Capa de Keys of the Supernal Tarot, pelo excelente Michael Kaluta
A Capa de Keys of The Supernal Tarot, pelo excelente Michael Kaluta.

Um Compêndio de Boas Idéias

Keys of The Supernal Tarot (As Chaves para o Tarot Superno) é o mais novo livro para a linha Mage: the Awakening (Mago: o Despertar), e é também o que apresenta a proposta mais singular. É natural esperar de uma linha de jogos como Mage um envolvimento mais complexo de algo tão popular dentro do misticismo que é o Tarot. O seu próprio antecessor, Mago: a Ascensão, possuía além de algumas regras o seu próprio deck, que pode ser encontrado a preços exorbitantes no mercado de revendas.

Esteticamente o livro está acima da média, a belíssima capa e todas as cartas foram desenhadas pelo traço de Michael William Kaluta, responsável pela arte do livro básico. Todos os arcanos maiores são apresentados na contracapa inteiramente coloridos, e depois em tamanho maior em preto e branco nos seus respectivos capítulos. O maior problema do livro é sem dúvida nenhuma a ausência de um baralho de cartas, algo que vem sendo reivindicado pelos leitores desde os primeiros anúncios de Keys of The Supernal Tarot, entretanto, os arcanos maiores são apresentados de forma grande o suficiente para que seja possível imprimi-los e adiciona-los a um baralho de sua preferência. É um certo trabalho extra, mas o resultado certamente seria compensador.

A Morte, o caminho Moros e sua arcana sutil
A Morte, o caminho Moros e sua arcana sutil.

Uma outra coisa que chama atenção a esta obra, é sua autoria única, tão rara nos livros de empresas grandes de RPG. Arrisco dizer inclusive que este é o primeiro suplemento de storytelling escrito por apenas uma mão, no caso a de Matthew McFarland. O projeto solo parece trazer uma certeza definitiva: Matt é certamente um dos melhores escritores de RPG dentro e fora da White Wolf.

Ficção introdutória

“Você não ouviu Wilke e Jerry? Um baralho de cartas de jogar é um baralho de Tarot. Um baralho de Tarot é o manual para a vida de uma pessoa. A vida de uma pessoa é o reflexo de sua alma. Simbolismo não é uma máscara, é uma camada de maquiagem. É um truque de luz. Ele disfarça a verdade, mas nunca a muda.”

Nada de especial na ficção per se, uma história entre despertos que utiliza e põe em debate o uso do Tarot.

Introdução

Aqui, além de ser apresentada a proposta do livro, o autor traça de forma breve a história do Tarot em nosso mundo, assim como uma possível variante no World of Darkness. Em seguida ele ensina de forma simplificada como realizar uma das mais clássicas jogadas de Tarot, a cruz céltica. Estes dois primeiros elementos merecem re-avaliação, afinal, eles precisavam mesmo estar presentes no livro? Qualquer texto sobre Tarot possui versões melhores e mais detalhadas de sua história e formas de se jogar, e acredito que alguém que desconheça completamente o Tarot não iria se interessar no livro. Mesmo que houvesse um interesse o esforço aqui é inócuo o suficiente e um iniciante não conseguiria aprender a jogar pela simplicidade como a coisa é apresentada. Senti falta de uma recomendação de “decks” e livros sobre o Tarot, que complementassem o suplemento em termos mais específicos e teóricos. Para aqueles que buscam isso, recomendo o clássico Tarot do Waite.

A Alta Sacerdotiza, símbolo dos Guardiões do Véu
A Alta Sacerdotiza, símbolo dos Guardiões do Véu.

A segunda parte da introdução é mais interessante, situando o uso do Tarot dentro de uma crônica de Mage. É incrível o quanto este baralho pode ser uma ferramenta útil em mesa: seja para fazer leituras dentro da mesma para os personagens (ou os próprios personagens jogadores atuarem como cartomantes), seja para criar crônicas e capítulos baseados em temáticas resultadas do Tarot, seja para criar personagens a partir da mesma forma ou apenas as histórias dos mesmos. Além disso, Matt desenvolve um novo mérito, Cartomancia, que basicamente permite ao jogador, usar o tarot em mesa para aperfeiçoar ou piorar suas magias. No primeiro nível é apenas um bônus divinatório, e a partir daí no segundo e no terceiro, o jogador tira uma carta quando lança sua magia e o narrador a interpreta, se for algo em sintonia com o objetivo da mágica utilizada a mesma pode ganhar bônus, se for contrário, ele perde dados. Um bom exemplo é uma magia de forças que visa criar luz, se o jogador tirasse a carta Sol por exemplo, com certeza ganharia um enorme bônus para sua mágica, o contrário ocorreria se o resultado fosse a Morte (uma clara alusão ctônica).

Os demais vinte e três “capítulos”

O livro em si, consiste de pequenos capítulos cada um para um arcano maior, aqui denominados chaves (o keys do título). Nestas “chaves”, encontramos primeiramente o significado comum daquela carta, ou seja, como ela vem sendo interpretada no Tarot. Logo em seguida, temos uma descrição de como a mesma se encaixa no contexto superno (por exemplo “A Morte”, além de representar a arcana de mesmo nome, também é comumente associada ao caminho Moros), e na jornada iniciativa representada pelo tarot (uma associação comum em nosso mundo, que pensa o tarot como um simbolismo para uma jornada de autoconhecimento que todos passamos, iniciada pelo tolo e terminada no mundo).

O Sol, o símbolo do Conselho Livre
O Sol, o símbolo do Conselho Livre.

Em seguida temos o mais essencial do livro, cada chave nos traz algo que pode ser vinculado simbolicamente com aquela carta, no caso, entre as vinte duas chaves temos diversos Artefatos, Personagens, Legados, Cabalas, Grimórios, Lugares e até mesmo um Arquimago. Cada um deles em ressonância com o Arcano maior de sua chave, e cada um deles proporcionando idéias excelentes para se por na crônica. É um feito impressionante, posso afirmar que nenhuma das vinte duas “coisas” apresentada no livro é de qualidade menor que excepcional, acredito que qualquer narrador de Mage deveria buscar algo para si nestas páginas, pois elas são no mínimo uma gigantesca fonte de inspiração. Além do mais, depois que essa “coisa” é apresentada, o livro volta para dizer o significado da carta invertido (considerando ainda as três diretrizes: significado comum, significado desperto e posição na jornada iniciática), e transforma aquilo que foi apresentado neste novo significado. Exemplo: na carta III, a Imperatriz (a forma feminina divinizada), nos é apresentado um legado: As Rosas do Éden. Quando chegamos no trecho que descreve o significado deste arcano invertido (a falta de fertilidade, de intuição), as mesmas Rosas são novamente apresentadas, agora como um legado do caminho esquerdo (Left-Handed Legacy), em sintonia com o simbolismo da Imperatriz invertida.

Por fim, o último capítulo é dedicado aos Arcanos menores. Mostrando seus significados comuns e invertidos. O autor nos traz também um pequeno gancho para uma história simbolicamente vinculada com cada uma destas cartas. Ainda sim, é de longe o conteúdo mais fraco e simplificado do livro. Mesmo quando o autor lança mão de idéias excelentes, não existe espaço para descreve-las de maneira apropriada.

Concluindo, Keys of the Supernal Tarot é um livro maravilhoso, ainda que não seja essencial (como Tome of Mysteries ou Sanctum & Sigil). Todo e qualquer narrador encontrará idéias excelentes para sua crônica no mesmo, além de uma fluida e proveitosa leitura.

Atributos:

Arte: V de V

Eu sou muito fã da arte de William Kaluta em particular, e acredito que o mesmo tenha se superado nesse livro. As cartas e a capa são belíssimas.

Leitura: IV de V

A leitura é tranqüila e fluida e o formato em chaves do livro, que faz com que cada objeto e carta sejam únicos, permite ao leitor que interrompa sua leitura sem problemas para retoma-la.

Sistemas: V de V

Os sistemas são excelentes, desde o mérito Cartomancia, até os novos legados.

Usabilidade (Geral): IV de V

O Livro não é essencial, mas certamente vale a pena. Possui os melhores artefatos e muitas das melhores idéias á expostas em um livro de Mage.

Nesta segundafeira,  dia 15 de Dezembro de 2008, a White Wolf anunciou oficialmente que está em seus planos o lançamento de um Tarot baseado em Mage: The Awakening.

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Comentários 9
  1. A arte de Kaluta se superou realmente! É como o meu amigo Paulo disse (ele um grande fã de Kaluta),: “a arte de Kaluta é limpa, mas ele funciona melhor com cores e uma arte final mais caprichada. Eu não gostei dos desenhos dele no básico do Mage, meio pobres.” Mas no Supernal Tarot, supremo! Este livro precisa de um deck! hehehe

  2. Ei Felipe, onde conseguiu as ilustrações das cartas? Gostaria de saber, pois acvho que ficariam legais como papel-de-parede em minha tela, hehehe

  3. Opa Felipe,
    Você tem alguma indicação de baralhos ou de livros/artigos bons sobre como se iniciar no Tarot?
    Fiquei tão tentado com esse artigo que acabei de comprar o livro na Amazon e eu acho que ja tenho algumas idéias de como usar ele na minha campanha atual de Mage 😉

  4. Cara tem o tatrot do waite que é o mais clássico, mas eu esperaria o agora confirmado lançamento do tarot do mago, que em tese, virá com um manual.
    O tarot do waite, ou o tarot da vertigo, que também é excelente vem com livros explicando como se jogar.

  5. O negício é quando esse tarot vai sair né, eu já queria começar a usar ainda no próximo mês essas coisas, vão ter uns acontecimentos interessantes que ficariam ainda mais interessantes se tivessem isso no meio 🙂
    Vou procurar esses baralhos aí, valeu!

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