Autor mineiro transforma caos de encontros familiares em literatura

52
0

O caos político e social, as relações humanas cada vez mais distantes, reativas e movidas a preconceitos, o conflito de gerações. Tudo no microcosmo de um evento com uma paz forçada entre pessoas que não se veem há muito tempo. A realidade de muitas famílias brasileiras surge de modo ácido e inesperado em “O Almoço de Natal (Ou como sobreviver às reuniões familiares de fim de ano)”, novo livro de Tullio Dias, que usa as festividades de fim de ano como plataforma para uma prosa vomitada e catártica, com clima de desabafo mas sem perder o humor.

“Existe mais de mim do que gostaria neste livro. Só que o tema ‘briga familiar’ ou ‘almoço de Natal’ é extremamente universal, por isso fiz boas horas de pesquisa em fóruns, Twitter, blogs e portais para identificar os fatores mais comuns para não deixar faltar. Sem medo de ser clichê, sabe? O objetivo era escrever algo que qualquer pessoa poderia se identificar. Por fim, muitos amigos contribuíram compartilhando suas próprias experiências e traumas. Fui juntando tudo até entender o que dava para usar, o que poderia ser modelado, o que seria engraçado, crítico e ofensivo o suficiente para não ficar fora. Ah, e a eterna confusão entre discussões políticas e partidárias tiveram um papel importante”, conta ele.

Nascido em 1985 na cidade de Belo Horizonte (MG), Tullio é formado em Publicidade e Jornalismo, mas se destacou pelo seu trabalho como crítico de cinema em diversos portais, principalmente no Cinema de Buteco, do qual é co-fundador. No ano de 2021, publicou seu primeiro trabalho, a novela “Edifício Alvorada”, uma narrativa ácida e profana sobre a pandemia da COVID-19. 

“Após todos esses anos produzindo conteúdo digital para blogs e portais de cinema, ficava imaginando quando tomaria a decisão de deixar de produzir somente análises sobre obras criadas por outras pessoas e passaria a criar as minhas próprias. Começou de forma despretensiosa junto dos colegas do Cinema de Buteco, até que chegou a ideia de fazer um livro pensado no formato tradicional, para poder pegar, cheirar, passar as folhas, ou – Deus dos Livros que me perdoe -, até fazer marcações. E fazer isso especialmente com uma obra tão divertida de escrever, falando de coisas universais capazes de causar imensa identificação em qualquer pessoa, é muito bom também”, conta ele, que começou a escrever o livro em um desafio criativo entre os colaboradores do site.

O resultado é uma obra que fala de um Natal nesse momento ainda lidando com resquícios da pandemia, com política à flor da pele, e que chega pela editora Letramento como quase um guia para que o leitor se prepare para o que vai encontrar nas próximas semanas. Para isso, o autor aponta o dedo para si mesmo e seu círculo próximo.

“É muito difícil quando você vê na sua própria família tudo aquilo que combate através de seu trabalho. Não consigo me sentir confortável com a hipocrisia de passar pano só porque são familiares. Não me dá paz de espírito. Como minhas próprias relações familiares são (um pouco) complexas, tive que aprender a conviver com essas questões na marra e fica mais fácil defender minha visão e apenas adicionar esse ingrediente no liquidificador de emoções. E não se trata de falta de amor, sabe? Reconhecer e apontar as visões tóxicas é um ato de amor. Mas a impressão que fica é que ódio cega demais as pessoas para entender isso”, conclui Dias.

Compre “O Almoço de Natal (Ou como sobreviver às reuniões familiares de fim de ano)” na pré-venda: https://bit.ly/oalmocodenatal 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *