Não! Não Olhe! – uma nova abordagem de Jordan Peele

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Em seu terceiro longa-metragem como diretor, “Não! Não Olhe!”, Jordan Peele brinda o público com uma história de monstro instigante, com forte inspiração nos animes dos anos 80 e 90.

A trama se inicia no rancho da família Haywood, no momento em que o patriarca falece em um incidente envolvendo a queda de objetos estranhos do céu, remetendo ao filme argentino “Um Conto Chinês”. O filho, OJ (Daniel Kaluuya), herda o negócio do pai, que consiste no treinamento de cavalos para atuarem em filmes de Hollywood. Por não ter muito tino comercial e social, o rapaz enfrenta dificuldades financeiras para manter a fazenda. Sua irmã Em (Keke Palmer), que atua bem como relações públicas, deseja se afastar dos negócios em razão de questões familiares mal resolvidas, trazendo uma crítica social que é pouco explorada pelo filme.

Para que a família possa sobreviver diante da crise financeira, OJ começa a vender seus cavalos a Ricky ‘Jupe’ Park (Steven Yeun), dono de um parque de diversões temático, ao estilo Velho Oeste. Jupe é um ex-ator-mirim que ficou famoso em uma antiga sitcom, que trazia um chimpanzé como personagem principal e na qual ocorreu uma grande tragédia durante as filmagens. É importante destacar que tanto no rancho dos Haywood quanto no parque de diversões há uma nuvem misteriosa pairando no ar durante os últimos 6 meses.

Talvez o maior problema de “Não! Não Olhe!” seja não respeitar as regras que ele mesmo estabelece. A partir do momento em que os personagens entendem como o monstro funciona e como é possível ludibriá-lo. Por diversas vezes essas regras são quebradas apenas por ser mais conveniente ao roteiro. Isso deixa o espectador confuso, questionando se foi ele que não entendeu o conceito apresentado pelo longa ou se foi mesmo uma falha do roteirista. Dessa forma, em vários momentos o público é tirado da imersão do filme, causando um impacto em sua apreciação da obra.

O destaque positivo do filme fica por conta da atuação da dupla de atores que interpretam os dois irmãos protagonistas. O olhar ao mesmo tempo sofrido e cheio de raiva de Daniel Kaluuya nos deixa em dúvida sobre seus reais sentimentos, e na expectativa de sua reação às situações mostradas. Sua atuação com poucas palavras remete ao clássico personagem do Homem Sem Nome, eternizado por Clint Eastwood nos anos 70, principalmente nas cenas em que ele aparece montado em seu corcel negro com trilha sonora de western ao fundo. Já a atuação de Keke Palmer, apesar de parecer exagerada no início, ganha contornos e formas muito interessantes conforme conhecemos melhor a personagem e entendemos todo o sofrimento pelo qual ela passou – em especial na cena de seu flashback.

“Não! Não Olhe!” pode não ser o filme mais inovador de Jordan Peele, e nem o com melhor acabamento. Porém isso não tira o mérito do diretor de apresentar uma obra diferenciada, com uma marca autoral forte, que se sobressai perante a maioria dos filmes lançados recentemente.

Não! Não Olhe!

Não! Não Olhe!
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Nota: Ótimo - 7/10
Nota: Ótimo - 7/10
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