Nelson Baskerville parte de uma das famosas tragédias cariocas de Nelson Rodrigues (1912-1980) para criar um espelho cruel das hipocrisias brasileiras na distopia Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária ou no Brasil todo mundo é Peixoto.
O espetáculo da Cia da Borracha volta em cartaz para a sua temporada de despedida de 12 a 29 de março de 2026 no Teatro de Arena, em São Paulo.
No elenco, estão Afonso Bispo Jr, Carol Rainatto, Duda Paiva, Filipe Barral, Gui De Rose, Isa Scoralick, João Rodriguez , Juliana Roberta, Lauro Fagundes, Leonardo Van der Neut, Luciana Marcon, Lia Bennatti, Marcio Araujo, Manu Nahas, Maria Estela Modena, Naiara de Castro, Nelson Fioque, Sabrina Larisse.
Em um cenário sufocante de pneus e borracha, a peça acompanha Edgard (Lauro Fagundes), um homem marcado pela miséria apesar de anos de dedicação ao patrão Werneck (Nelson Fioque). Ele recebe do chefe uma proposta tentadora: casar-se com Maria Cecília (Sabrina Larisse), jovem rica e “bonitinha” , mas envolta em um passado controverso. O dilema entre dinheiro e moralidade o arrasta por um universo de desejos reprimidos, traições e valores distorcidos.
A encenação expõe as principais hipocrisias da sociedade brasileira, intensificadas pelo recente avanço da extrema direita no país, que ficou camuflada durante muitos anos. E, para representar essa sociedade corrompida pelo poder e pela aparência, aparecem em cena figuras mascaradas com sacolas plásticas de supermercado e vestidas com figurinos manchados por lama.
A produção, encabeçada por Marcio Araujo, também marca a estreia da Companhia da Borracha, jovem núcleo teatral que surge na cena paulistana. Com um elenco numeroso e diverso, o grupo se propõe a reafirmar a potência da dramaturgia nacional como lente crítica para pensar o Brasil de hoje: suas contradições sociais, seus abismos éticos e suas disputas políticas
A trilha sonora do espetáculo, executada ao vivo, mescla sucessos de Astor Piazzolla (Vuelvo al Sur e Adios Nonino) com uma variada lista de músicas brasileiras, que vão de Roberto Carlos a José Augusto.
Elas embalam as desventuras de Edgard que, por uma situação de miserabilidade, vê-se na encruzilhada entre tornar-se um “próspero” milionário ou honrar a educação e ética transmitida por seu pai.
Ficha Técnica
Texto: Nelson Rodrigues
Direção e encenação: Nelson Baskerville
Assistência de Direção: Brunna Martins
Elenco: Afonso Bispo Jr, Carol Rainatto, Duda Paiva, Filipe Barral, Gui De Rose, Isa Scoralick, João Rodriguez , Juliana Roberta, Lauro Fagundes, Leonardo Van der Neut, Luciana Marcon, Lia Bennatti, Marcio Araujo, Manu Nahas, Maria Estela Modena, Naiara de Castro, Nelson Fioque, Sabrina Larisse.
Desenho da coreografia: Fernando Fecchio
Cenografia: Nelson Baskerville
Figurino: Davi Parizotti
Assistentes de figurino: Patrícia de Simone e Alex Andrade
Costureira: Claudia Moreno
Iluminação: Bruno Garcia
Sonoplastia/música ao vivo: Filipe Barral e Mariah Altruda
Operador de som: Bruno Garcia
Mídias Sociais: Júlia Castanheiro e Leonardo Van der Neut
Identidade visual e programa: Alana Fagundes e Déborah Kovezi
Produção: Ocanga Produções e Iza Marie Miceli
Apoio: Inbox Cultural
Sinopse
A distopia criada por Nelson Baskerville a partir da tragédia carioca de Nelson Rodrigues ressurge como um espelho cruel das hipocrisias brasileiras, amplificadas pelo recente avanço da extrema direita. Edgard, um homem marcado pela miséria apesar de anos de dedicação ao patrão Werneck, recebe uma proposta tentadora: casar-se com Maria Cecília, jovem rica e “bonitinha” , mas envolta em um passado controverso. O dilema entre dinheiro e moralidade o arrasta por um universo de desejos reprimidos, traições e valores distorcidos.
Serviço
Temporada: 12 a 29 de março de 2026
Quinta a sábado, 19h30 e domingos às 18h
Teatro de Arena Eugênio Kusnet – Rua Teodoro Baima, 94 – Consolação SP
Gênero: Drama
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 110 minutos









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