Genero Livre Foto de Pedro Henrique Lopes
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Monólogo “Gênero: livre”, inspirado na vida da atriz Christiana Guinle, estreia no Rio

Com texto de Pedro Henrique Lopes e direção de Ernestp Piccolo, o espetáculo reúne biografias, reportagens, músicas e relatos pessoais da atriz e da equipe criativa para refletir sobre as identidades de gênero além das definições binárias de masculino e feminino

Você é sempre a mesma pessoa? Você se comporta da mesma maneira em todo lugar?  Não estamos sempre nos modificando, mudando de aparência, ideias e pontos de vistas? Por que a sociedade, então, não se cansa de cobrar padrões de comportamento masculinos e femininos? Essas perguntas e reflexões sempre nortearam a vida e a carreira de Christiana Guinle, artista de gênero fluido, que estreia o monólogo “Gênero: livre”, dia 1º de dezembro, no Teatro Glauce Rocha, no Centro. Com texto de Pedro Henrique Lopes e direção de Ernesto Piccolo, a peça parte de episódios da vida da atriz para construir uma narrativa sobre gênero, que vai dos preconceitos arraigados no nosso dia a dia aos debates sobre liberdade em um mundo pós-gênero.

O projeto teve início na pandemia, quando o diretor e a atriz, amigos há mais de quatro décadas, decidiram trabalhar juntos pela primeira vez. Christiana Guinle sugeriu um projeto que resgatasse o processo que a levou ao entendimento de sua própria identidade sexual e de gênero para falar de um mundo que evoluiu nas discussões sobre o tema, mas ainda insiste em nos colocar em rótulos.

“Durante minha juventude, eu não tinha muitas referências de pessoas que se identificassem como fluidas. No máximo, tinham as pessoas andróginas. Eu tentava entender minha própria identidade. A descoberta da não-binaridade e a possibilidade de fluir entre os gêneros foram libertadoramente perturbadoras. Contei toda a minha história para o Pedro, que usou as minhas memórias para escrever um espetáculo sobre o respeito às nossas próprias individualidades. Queremos falar do corpo sem gênero. Das roupas sem gênero. Do sexo sem gênero”, descreve Christiana Guinle. “As pautas identitárias no teatro são um reflexo das discussões frequentes na sociedade hoje. As pessoas estão querendo ver também em cena narrativas que falem da igualdade de gênero, combate ao racismo, sexualidade e preservação ambiental. Mas as discussões sobre gênero fluido ainda não são tão frequentes em cena”, analisa o autor Pedro Henrique Lopes.

A peça passeia não só pela trajetória de Christiana Guinle, mas resgata personagens importantes no debate da fluidez de gênero: Thomas Baty (1869-1954), umas das primeiras pessoas documentadas como “não-binárie”; a atriz Rogéria, com quem Christiana trabalhou e se tornou amiga; Kaká Di Polly, ícone drag dos anos 1980 e 90; a modelo trans Roberta Close; e muitas outras pessoas que contribuíram para a (des)construção social brasileira de gênero. Todos eles estão em cena através das falas e da vivência de Christiana Guinle.

“O teatro que debate assuntos sociais importantes me interessa muito, principalmente quando a gente está falando da liberdade, do livre-arbítrio, de ser quem a gente é de verdade”, observa o diretor Ernesto Piccolo. “Ainda temos muito que evoluir nessa questão, mas já vemos muito mais espaço para o debate de gênero hoje do que décadas atrás”, completa.

Sinopse

Descobertas e questionamentos envolvendo identidades de gênero e orientação sexual ganham a cena no espetáculo “Gênero: Livre”.

Ficha técnica:

Direção: Ernesto Piccolo

Interpretação: Christiana Guinle

Texto: Pedro Henrique Lopes

Assistente de direção: Kattia Hein e Mark Benjamin

Coreografia e preparação corporal: Kallanda Caetana

Figurinos: Helena Araújo

Iluminação: Gabriel Prieto

Trilha sonora: Pedro Henrique Lopes e Ernesto Piccolo

Caracterização e visagismo: Ricardo Moreno

Produção executiva: Christiana Guinle e Ernesto Piccolo

Assistente de produção: Layla Paganini

Direção de produção: Pedro Henrique Lopes

Assessoria de imprensa: Racca Comunicação

Programação visual: Yucky Designs e Ideias

Realização: Expansão 2 Produções Artísticas e Expressão Piccolo

Serviço:

Temporada: De 01 a 17 de dezembro

Dias e horários: sexta e sábado, às 19h; e domingo, às 18h.

Teatro Glauce Rocha: Av. Rio Branco, 179, Centro.

(Espaço cultural da Fundação Nacional de Artes – Funarte)

Telefone: (21) 2220-0259.

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

Duração: 1h

Lotação: 204

Classificação: 12 anos

Venda de ingressos: Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/89206) e bilheteria do teatro

Sobre Christiana Guinle

A atriz Christiana Guinle ingressou aos 15 anos na Royal Shakespeare Company, em Londres. Ganhou o prêmio Mambembe de Melhor Atriz em “A Odisseia de Homero”, sob direção de Carlos Wilson. Em 1993, foi indicada no Prêmio Molière por sua atuação em “O Inferno são os Outros”. Em 1994, ganhou o APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) por sua atuação em Anjo Negro. Em 1996, foi indicada ao Shell por “A Dama do Mar” e no Festival Alternativo de Berlin por “Metalguru”.

Sobre Ernesto Piccolo

O diretor Ernesto Piccolo, com mais de 20 anos de experiência, dirigiu espetáculos de extremo sucesso, como: “Duetos”, com Patricya Travassos e Du Moscovis (2022); “Dom Quixote de Lugar Nenhum”, de Ruy Guerra, com Edson Celulari (2008); “Divã”, com Lilia Cabral (2005); “Simples Assim”, texto de Marta Medeiros e Rosane Lima, com Julia Lemmertz (2019); “Andança, Beth Carvalho o musical” com texto de Rômulo Rodrigues; “Sonhos de um sedutor” (2013) de Woody Allen; “Doidas e Santas” texto de Regiana Antonini a partir do livro de Martha Medeiros com Cissa Guimarães (2010 até 2016), e “A História de Nós 2”, texto de Lícia Manzo com Alexandra Richter e Marcello Valle (2009 até hoje); além do hit infantil “D.P.A – A Peça” (2019 e 2023).

Sobre Pedro Henrique Lopes

Autor da comédia musical “O Meu Sangue Ferve Por Você”, do documentário cênico “O Que Sobrou”, da versão brasileira do espetáculo irlandês “Mojo Mickybo”, além dos espetáculos infantis “Detetives do Prédio Azul – O Mistério do Teatro”, “Tchibum! – A Liga Aquática”, “A Conferência dos Monstros”, “Galinha Pintadinha: Em Busca do Natal”, entre outros. É criador do projeto teatral “Grandes Músicos para Pequenos”, que já homenageou Elza Soares, Elis Regina, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Braguinha e Raul Seixas, pelo qual recebeu os prêmios de Melhor Roteiro no Prêmio Botequim Cultural 2017 e Categoria Especial no Prêmio CBTIJ de Teatro Infantil 2016. É responsável pela versão brasileira do espetáculo oficial da Disney “Princesa”. No audiovisual, Pedro assina a criação e o roteiro original das animações infantis “Dodó e Tatá” e “Pequenininhos”, e dos curtas “Um Casal Normal” e “Transe”, selecionados em diversos festivais.

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