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Rei Menino em São Paulo

Captura de tela 2026 06 09

Repleta de símbolos, música e espiritualidade, a Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha é uma das mais significativas celebrações afro-brasileiras em São Paulo – embora ainda seja desconhecida por muita gente. E a peça Rei Menino, com texto de Rafael Cristiano e direção de Cleydson Catarina, nasce justamente para destacar a importância dessa manifestação popular.  No elenco, além do próprio autor, estão Lucas Laureno, Gabriel Coupe e Rafael Fazzion.

O espetáculo estreia nos dias 26 e 27 de junho, às 15h, no Largo do Rosário (Penha) durante a própria coroação e, depois disso, ganha novas apresentações gratuitas na Biblioteca Mário de Andrade (dia 3 de julho, às 14h e às 16h), no Centro Cultural Tendal da Lapa (no dia 17,  às 14h e às 16h) e no Centro de Referência da Dança (no dia 18, às 14h e às 16h). 

A proposta do trabalho nasce do encontro entre arte, memória e educação, tendo como foco as infâncias negras e periféricas da cidade de São Paulo. O projeto parte de uma realidade marcada pela escassez de referências positivas à cultura afro-brasileira nos currículos escolares e nos espaços públicos acessados por crianças negras. 

A trama narra a história de Pepê, um menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones culturais.

A coroação, que une espiritualidade e ancestralidade, ganha novos significados quando é levada ao palco e compartilhada, garantindo que essa tradição seja conhecida, reconhecida, homenageada e admirada de variadas maneiras. É um gesto de respeito à ancestralidade, à memória, à identidade e um convite para que as novas gerações se interessem por essa festa, celebrando a cultura afro-brasileira com orgulho e encantamento.

“Levar essa festa ao teatro infantil é uma forma de fazer com que as crianças experimentem, de maneira encantadora, um patrimônio vivo onde a realeza negra se manifesta, não em castelos distantes, mas em seus próprios territórios, em suas comunidades, em sua história. Ao encenar essa festa no teatro, a peça reforça a importância de contar histórias que ampliam a visão de mundo das crianças, promovendo um olhar sensível sobre o papel da cultura afro-brasileira na construção do país”, explica a diretora de produção Ingrid Alecrim.

Sobre a Coroação

A Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos é uma celebração vibrante, na qual a fé e a cultura afro-brasileira se entrelaçam. Em São Paulo, acontece na Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha – um espaço de segurança e de reinvidicação de direitos básicos do povo negro. 

Construída em 16 de junho de 1802, em pleno regime escravocrata, a igreja atuava com irmandades negras que tinham como funções oferecer um enterro e velório dignos a seus irmãos, promover oportunidades de convívio e interação em festas, proporcionar a compra comunitária de alforrias, entre outras ações. 

Mais do que um rito religioso, a festa é, portanto, um símbolo de pertencimento, resistência, dignidade e memória coletiva. Desde 2002, a coroação pôde deixar de ser propositadamente esquecida e festejada como um território importante para a história da cidadania de pessoas negras da cidade e um ponto de confluência dos saberes africanos difundidos no que chamamos de “cultura popular brasileira”.

Durante a festa anual, reis, rainhas, príncipes e princesas negros são reverenciados em um cerimonial que mistura o sagrado e o festivo. A cerimônia recebe pastorais, irmandades tradicionais da igreja, e mais de 20 grupos ligados à tradição, entre congadas, moçambiques, marujadas, maracatus, sambas de bumbo e jongo. A cerimônia reafirma nossa vasta realeza afrodescendente, em um país onde há uma contínua tentativa de apagar e marginalizar a própria história negra.

Ela se inicia com o evento de levantamento do mastro no Largo do Rosário, no bairro da Penha, e é composta por uma programação artístico-cultural que tem duração média de um mês. Um dos momentos mais especiais é o da coroação do rei e da rainha de festa, que são escolhidos anualmente, após a celebração de uma missa afro-inculturada (ou seja, uma celebração católica, feita por um padre e normalmente acompanhada por um bispo, que integra em sua estrutura a musicalidade e alguns signos das religiosidades africanas no Brasil). 

No momento da coroação, as congadas entram para saudar a realeza e uma delas carrega a coroa. Segundo as pessoas que continuam seu legado, a Comunidade do Rosário da Penha, a festa realiza um movimento que sempre circunda os que vieram antes, os que lá estão e os que ainda virão, fruto de uma espiral simbólica que representa a abrangência das ancestralidades que traçaram os múltiplos caminhos de ser negro. 

Ficha técnica

Ficha técnica:

Dramaturgo e designer: Rafael Cristiano 

Diretor: Cleydson Catarina

 Assistente de diretor: João Filho 

Diretor musical: Fernando Alabê

Compositor musical geral: Uberê Guelé

Compositor das músicas “Valsa do Rei” e “Funk Chamego do Meu Pai”: Gabriel Coupe

Elenco: Gabriel Coupe, Lucas Laureno, Rafael Cristiano e Rafael Fazzion 

Preparador corporal e cenógrafo: Guinho Nascimento 

Bonequeiro e Aderecista: Rager Luan

Assistente de Cenógrafo: Alafim

Figurinista: Patricia Freire

Técnica de som: Helena Menezes

Iluminadora: Tati Santos

Consultora de acessibilidade e audionarradora: Cintia Alves

Intérprete de Libras: Ricieri Palha

Diretora de produção: Ingrid Alecrim

Produtor executivo: Miguel Estevão

Divulgação: Catucá Comunicação

Fotógrafa: Duda Viana

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio Assessoria de Comunicação 

Consultora de dramaturgia: Kiusam de Oliveira

Sinopse

A peça narra a história de Pepê, um menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones culturais.

Serviço

Rei Menino, de Rafael Cristiano

Classificação: Livre

Duração: 50 minutos

Ingressos: Grátis (sem necessidade de retirada)

26 e 27/6 às 15h: Largo do Rosário – Penha de França, São Paulo 

3/7 às 14h e 16h: Biblioteca Mário de Andrade: Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo 

17/7 às 14h e 16h: Centro Cultural Tendal da Lapa: Rua Guaicurus, 1100 – Lapa, São Paulo 

18/7 às 14h e 16h: Centro de Referência da Dança: Galeria Formosa Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Praça Ramos de Azevedo – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo

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