Sandra Annenberg estreia no teatro na fábula musical Pedro e o Lobo

Sandra Annenberg estreia no teatro na fábula musical Pedro e o Lobo – Ambrosia

Em apenas quatro dias de 1936, Sergei Prokofiev (1891-1953) escreveu Pedro e o Lobo, peça que reúne orquestra, narrador, bonecos e elementos cênicos para contar a história do menino que, ao desobedecer às ordens do avô, enfrenta e captura o lobo que aterroriza uma região. O espetáculo para todas as idades faz apresentações de 28 a 30 de julho, sexta-feira às 20h, sábado e domingo às 11h e 17h, no Theatro Municipal de São Paulo e marca a volta da jornalista e atriz Sandra Annenberg aos palcos como a narradora que conduz a trama.

A remontagem de Pedro e o Lobo retorna à São Paulo com 33 músicos da Orquestra Experimental de Repertório regida pelo Maestro Guilherme Rocha, bonecos criados por Marco Lima, que também assina a assistência de direção, iluminação de Wagner Freire, figurinos de Fábio Namatame, cenário de Alfredo Barbosa, adaptação do texto original por Mariana Veríssimo e direção geral de Muriel Matalon.

Todos os personagens de Pedro e o Lobo – engenhosidade de Prokofiev – são representados por instrumentos de uma orquestra: Pedro pelas cordas, o lobo pelas trompas, o avô pelo fagote, o pássaro por flautas, a pata pelo oboé, o gato pelo clarinete e os caçadores pela percussão. O espetáculo, encomendado ao autor pelas autoridades russas, tinha como finalidade aproximar o público infantil da música clássica. A obra encanta crianças e adultos em todo o mundo.

Encenada em 2008 e 2012, Pedro e o Lobo volta aos palcos com algumas novidades. Além da participação de Sandra Annenberg como narradora, os figurinos de Fabio Namatame estão sendo recriados e toda a manipulação dos bonecos (que são os mesmos e estão sendo restaurados) está sendo revista com novos movimentos. “Após mais de 10 anos, o desafio é não deixar de fora a emoção desse encontro especial entre a música erudita, o teatro, e a dramaturgia”, afirma Muriel Matalon.

A diretora também conta que acredita nas coincidências do teatro e que na maioria das vezes os deuses teatrais confabulam para muitos encontros. Foi assim, que Sandra Annenberg veio parar no projeto. “Sou amiga da Sandra há muitos anos e no final de 2021, quando começaram as primeiras apresentações presenciais após a pandemia, fomos juntas ao teatro. Na saída, comentei que estava com vontade de remontar Pedro e o Lobo e na hora, sem hesitar ela diz que quer participar do espetáculo. Desde então estamos juntas nas tentativas de trazer a montagem de volta”.

Para Sandra Annenberg, que está há 32 anos no jornalismo da Rede Globo, a volta ao teatro é uma alegria. “Acho que nunca deixei de ser atriz e vou aproveitar a ocasião para tirar a ferrugem”, explica ela, comentando que o maior desafio nos ensaios é descobrir outras nuances para sua voz. “O público já tem uma memória afetiva da minha voz e agora a ideia é sair do factual para algo mais teatral”.

Magia do teatro

Em Pedro e o Lobo o universo erudito se aproxima tranquilamente de crianças e adultos pelo caminho mais simples: o da emoção. Segundo Muriel Matalon, a fábula musical é de uma beleza e sensibilidade que emocionam logo no primeiro acorde. “O público vai ouvir um concerto harmônico no qual o brilhante compositor russo Sergei Prokofiev une a música e a dramaturgia de forma singular”, enfatiza a diretora.

Na montagem, esta união é levada ao extremo, pois quando as notas começam a vibrar, e a voz da narradora conduz o público pela história e os sete bonecos entram em cena, a magia do teatro acontece em um puro entretenimento para qualquer idade. Temas como o medo, a coragem, os desafios e a amizade são abordados com muita propriedade pelos bonecos criados por Marco Lima.

Serviço:

Pedro e o Lobo

Dias 28, 29 e 30 de julho, sexta-feira às 20h, sábado e domingo às 11h e 17h.

Theatro Municipal de São Paulo – Praça Ramos de Azevedo, s/nº – República, São Paulo. Telefone – (11) 3053-2080.

45 minutos | Livre para todos os públicos.

Ingressos – de R$ 10,00 a R$ 32,00 a venda pelo site theatromunicipalsp.byinti.com ou na bilheteria (segunda a sexta, das 10h às 19h; aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h).

Ficha técnica:

Concepção e Direção: Muriel Matalon. Regência: Guilherme Rocha. Concepção dos Bonecos: Marco Lima. Narradora: Sandra Annenberg. Assistência de Direção: Marco Lima. Adaptação de Texto: Mariana Veríssimo. Manipuladores: André Vicente, Camila Belén Rivero, David Caldas, Evandro Santiago, Julia Barnabé, Kelly Guidotti, Luana U, Marcela Arce, Maurício Caetano, Rocío Walls, Vitor Amato e Yves Carrasco. Stand in: Daniel Cantanhede. Cenografia: Alfredo Barbosa. Iluminação: Wagner Freire. Figurino: Fabio Namatame. Design Gráfico: Ciro Girard e Zoe Matalon. Fotografia: Fernanda Sá. Assessoria de Imprensa: Nossa Senhora da Pauta. Direção de Montagem de Aéreos: Cia de Estripulias Imagináveis/ Gilberto Caetano. Equipe: Higor Pinheiro e Priscila Ioli. Cenotécnico: Domingos Varella. Assistente de Cenotécnico: João Sobrinho. Serralheiro: Fernando Lemos. Confecção de Bonecos: Marco Lima e Nonon Creaturas. Restauro dos Bonecos: Satie Inafuku e Marco Lima. Diretor de Cena: Domingos Varela. Motorista: Flavio Lima. Coordenação Financeira: Híbrida Arte e Cultura. Assistentes de Produção: Lindsay Castro Lima e Elisa Annenberg. Produção Executiva: Mariana Mantovani. Realização: Híbrida Arte e Cultura. Direção de Produção: Mariana Mantovani.

Sobre Sergei Prokofiev

Havia um costume no Conservatório de Moscou de que os estudantes de piano, no dia de sua formatura, deveriam tocar um concerto de Beethoven, Grieg ou Tchaikovsky. Sergei Prokofiev (1891-1953) causou sensação ao tocar seu próprio Concerto no. 1. A música chocou os professores como espantosamente feia, mas ele tocou tão brilhantemente que estes engoliram o aborrecimento e lhe deram um prêmio especial.

Durante os vinte anos seguintes ele apareceu regularmente como pianista, executando suas próprias obras, e deu as primeiras audições da maior parte de seus concertos e sonatas. Imediatamente após a Revolução Russa de 1917, viajou pelos Estados Unidos e em seguida estabeleceu-se em Paris durante dez anos. Voltou à URSS em 1933 e, durante o resto de sua vida, apesar de ocasionais problemas com autoridades (que diziam ser a sua música muito intelectual e discordante), foi considerado um dos principais compositores de seu país. A maior parte de suas composições é melodiosa, fácil para o ouvido e em estilo romântico, temperado por inesperadas harmonias e vivazes ritmos do século XX. Entre suas principais obras temos, além de Pedro e o Lobo, os balés Romeu e Julieta e Cinderela, óperas como O Amor das Três Laranjas e Guerra e Paz, e mais uma infinidade de sinfonias, concertos, sonatas e estudos.

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