A minissérie “Broadchurch” é brilhante e merece ser vista

O clássico “quem matou” já não é novidade para ninguém. Mídias diferentes usam e abusam desse recurso, criando plots mirabolantes que muitas vezes se perdem e, no final, descobrir quem é o assassino, perde a graça. Mas, certamente, não é isso o que acontece em “Broadchurch”, minissérie em 8 capítulos do canal britânico ITV. Nela,…


O clássico “quem matou” já não é novidade para ninguém. Mídias diferentes usam e abusam desse recurso, criando plots mirabolantes que muitas vezes se perdem e, no final, descobrir quem é o assassino, perde a graça.
Mas, certamente, não é isso o que acontece em “Broadchurch”, minissérie em 8 capítulos do canal britânico ITV. Nela, Chris Chibnall cria uma delicada e inteligente rede que se torna muito mais complexa, do que um simples “quem matou”.

Broadchurch é uma pequena cidade litorânea, onde seus habitantes vivem em uma feliz comunidade. Todos se conhecem há anos, trabalham juntos, fazem festas e comemorações. Mas, tudo muda quando em um dia rotineiro, Danny (Oskar McNamara), um menino de 11 anos, aparece morto na praia. A partir daí, a vida de todos os habitantes, ligados ao menino ou não, começa a mudar.
broadchurch_09_2340891_1958130515 O encarregado de liderar as investigações é o Detetive Hardy (David Tennant), um veterano policial que conta com a ajuda da Detetive Miller (Olivia Colman), uma moradora local. Hardy sem saber, tomou o posto de Miller e terá que enfrentar costumes locais, aos quais não está acostumado. Aos poucos, segredos que estavam bem escondidos vão vindo a superfície e mostrando quem de fato são os moradores dessa pequena cidade, e em como isso irá afetar as investigações.

A minissérie estreou em Março no Canal ITV, e rapidamente conquistou a audiência. Mesmo com poucos episódios, o enredo consegue ser conciso e não deixa pontas soltas. Chibnall cria situações que passam longe do fictício, mesmo sabendo que o é, nesse caso. A grande questão não é a identidade do assassino, mas como a família do menino e os demais moradores estão lidando com isso. E essas dúvidas e mudanças de comportamento são postas em prática o tempo inteiro, tornando os personagens mais humanos. Personagens esses, aliás, que são extremamente bem elaborados, o que, com a escolha certa do elenco, só engrandeceu a trama.
uktv-broadchurch-s01-e05-5 Beth, a mãe de Danny, vivida pela atriz Joddie Withaker, tem, sem dúvida, uma das melhores atuações na minissérie. Fica muito fácil para o telespectador entender todas os sentimentos pelos quais ela passa. Destaque também para o veterano David Bradley, que tem um papel simples, mas de uma carga emocional muito forte. Há poucos, mas significativos, momentos engraçados com alguns personagens.
A locação escolhida para situar a trama é de tirar o fôlego. O Diretor de Fotografia, Matt Gray, capricha bastante nos closes dos atores, planos bem abertos e cortes que nos deixam boquiabertos, sejam com um lindo céu azul ou nebuloso e carregado de nuvens de chuva.
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Com uma duração de quase 50 minutos, os episódios são recheados de tensão deixando para resolver o caso somente no último capítulo. Uma sábia decisão de Chibnall, que decidiu apostar (e acertou) mais nas emoções e relações interpessoais, do que focar toda a minissérie em uma ação policial. Preferindo não apontar suspeitos, ele descreve um pouco do passado e presente de cada morador, deixando para que nós, telespectadores, tiremos nossas próprias conclusões. E olha, não é nada fácil.

A minissérie começa a ser exibida hoje pelo canal a cabo GNT, às 22h30. Uma segunda temporada já foi encomendada, mas a produção só irá começar em 2014.


2 respostas para “A minissérie “Broadchurch” é brilhante e merece ser vista”

  1. Avatar de marcosordonha
    marcosordonha

    Lembra-me uma tragédia de uma garota chamada Laura Palmer…

    1. Avatar de Melissa Andrade
      Melissa Andrade

      Mas teve inspiração em Twin Peaks. Aliás, tudo do gênero pegou inspiração nesse seriado.

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