Camping: uma experiência sofrível para os personagens e os espectadores

Ambrosia Críticas Camping: uma experiência sofrível para os personagens e os espectadores

A expectativa era alta para a nova série desenvolvida por Lena Dunham e Jenni Konner, dupla por trás da elogiada Girls. No entanto, Camping desapontou e muito quem viu parte dela ou mesmo os bravos guerreiros que aguentaram a série até o final. Como remake de uma série inglesa de mesmo nome, Camping perfaz quatro horas da sua vida que você nunca mais terá de volta.
A neurótica influenciadora digital Kathryn (Jennifer Garner) organizou metodicamente um grande evento para comemorar o aniversário de 45 anos de seu marido, Walt (David Tennant). Tal evento é um acampamento que durará vários dias e será recheado de atividades pouco estimulantes. Além do casal, outros convidados para o acampamento são o filho pequeno deles, Orvis (Duncan Joiner), a irmã de Kathryn, a insegura Carleen (Ione Skye), o marido alcoólatra dela, Joe (Chris Sullivan) e a enteada adolescente Sol (Cheyenne Haynes), os amigos George (Brett Gelman) e Nina-Joy (Janicza Bravo), que passam por uma crise no casamento, e o amigo Miguel (Arturo Del Puerto), que acabou de se divorciar e leva a nova namorada, a liberal Jandice (Juliette Lewis), para o acampamento, mesmo ela não tendo sido convidada.
Embora a galeria de personagens pareça interessante, eles não são bem desenvolvidos. Carleen é quem passa pela maior transformação conforme aprende a se impor frente a Kathryn, coisa que Walter também faz. Algumas coisas se perdem pelo meio do caminho, e não estou falando apenas do cabelo longuíssimo de Carleen: o fato de Kathryn ser um tipo de influenciadora digital só é mencionado nos primeiros episódios, e o pobre menino Orvis acaba ficando de escanteio conforme a série “progride”.
Camping: uma experiência sofrível para os personagens e os espectadores | Críticas | Revista Ambrosia
Kathryn é fisicamente doente, tendo feito diversas cirurgias em um curto espaço de tempo, o que evidentemente afetou também sua saúde mental. Lena Dunham baseou-se em seus próprios problemas de saúde, que enfrentava quando começou a trabalhar em Camping, para escrever a personagem. Entretanto, ela teve de se afastar durante a maior parte da criação do roteiro, pois se submeteu a uma histerectomia para tratar as fortes dores decorrentes da endometriose. Isso nos leva a questionar se, com a ausência de Lena, Jenni Konner e os outros roteiristas aproveitaram para moldar a personalidade irritante de Kathryn a partir da própria Lena. A hipótese ganha ainda mais força porque, após Camping ser finalizada, Lena Dunham e Jenni Konner anunciaram o fim de sua parceria criativa.
A série original teve apenas seis episódios e foi bem mais ousada que o remake, em especial na finalização, e acabou ganhando o status de cult – e não há nada mais difícil do que adaptar algo cult para o grande público. E por causa desta origem, Camping foi feita para ter apenas uma temporada – o que é muito bom para nós e para a própria Jenni Konner, que disse ter odiado as gravações ao ar livre.
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Como fonte de análise de relacionamentos tóxicos, Camping até funciona e mostra o que provavelmente vinha acontecendo entre Jenni e Lena, culminando na separação. Porém, ao adaptar a série original na tentativa de ser Seinfeld parte 2, em que os personagens insistem nos mesmos erros do início ao fim, Camping se torna insuportável. David Tennant e a luminosa Juliette Lewis têm as presenças mais marcantes, mas mesmo assim não salvam o show, que se classifica como comédia, mas que não garante meia dúzia de risadas em oito episódios.
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