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Os “outros” Caça-Fantasmas

Os primeiros caça-fantasmas da cultura pop foram Ray Stantz, Egon Spengler, Peter Venkman e Winston Zeddemore, certo? Errado! Nove anos antes do filme de Ivan Reitman, que acaba de ganhar um reboot, houve a série americana produzida pela Filmation, “The Ghost Busters”. Teve apenas uma temporada, com 15 episódios, e foi exibida entre setembro e dezembro de 1975 na CBS.

Era um período em que o estúdio do produtor executivo Lou Scheimer, que nos anos 80 produziria He-Man e She-Ra, produzia a série animada dos Archies, de Star Trek e “Os Monstros Camaradas”, mas também estava investindo em atrações live action como “Shazam!”. “The Ghost Busters” era uma sitcom (meio tosca, por sinal) sobre um trio de investigadores de fantasmas formado por Spencer, Kong e o gorila Tracy, resolvendo casos envolvendo monstros e fantasmas, em um estilo de histórias misturando humor e sobrenatural ao estilo de “Scooby Doo”.

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Assim como a equipe de mesmo nome, que se tornou mais famosa, eles também possuíam uma engenhoca para combater os espectros, o “desmaterializador de fantasmas” geralmente ativada por Kong, que, triunfalmente, gritava “Zap!”. A arma não capturava as assombrações, como a geringonça dos xarás dos anos 80, apenas as desintegrava, os despachando de volta para o mundo dos espíritos (a desintegração era bem tosca também, com uns defeitos especiais dignos de episódios do Chapolin). Mas para isso, o trio precisava atrair essas ameaças até o local de onde surgiram (geralmente um cemitério ou castelo mal-assombrado), e depois de muito corre-corre e trapalhadas, eram finalmente encurraladas e enviadas de volta para o além.

Também contavam com uma sede, que era situada em um prédio de escritórios em uma cidade não especificada (detalhe que o nome de Spencer na porta foi grafada “Spenser”, enquanto os créditos de abertura escrito seu nome “Spencer”). Era um escritório normal de detetives particulares, e continha, além de um grande armário em que Tracy guardava inúmeros chapéus, incluindo o seu famoso gorro, um telefone público perto da porta como o único meio de comunicação dos caça-fantasmas com os clientes em potencial.

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Cada episódio consistia na mesma fórmula: na sequência pré-créditos, um fantasma ou monstro (geralmente acompanhado por um ajudante imbecil), que apareciam prometendo causar estragos ou vingança contra uma pessoa em particular, a cidade, ou mesmo o mundo. Após os créditos, Kong mandava Tracy e Spencer a um local para obter a sua próxima missão de “Zero” (voz do produtor Lou Scheimer).

A mensagem gravada em fita era normalmente escondida dentro de um objeto cotidiano, como uma bicicleta, máquina de escrever, ou um brinquedo. Em homenagem parodiando “Missão: Impossível”, a gravação terminava com Zero, dizendo: “Esta mensagem de auto irá destruir em cinco segundos”; depois Tracey contava os segundos nos dedos, e a mensagem (e muitas vezes o item em que foi escondido)  explodia em sua cara.

Entre as assombrações estavam desde monstros clássicos Frankenstein, Conde Drácula e o Fantasma de Canterville, até o espírito do fora-da-lei mais procurado do oeste, Billy The Kid. Os nomes dos personagens são homenagens ao ator Spencer Tracy e a King Kong. O curioso é que Kong não é o nome do gorila, cujo intérprete Bob Burns era creditado como “treinador”. Os atores Forrest Tucker e Larry Storch, que interpretavam Spencer e Kong, praticamente reprisavam seus papéis de uma outra série, F Troop, produzida entre 1965 e 1967.

Os 15 episódios foram gravados em nove semanas, e, segundo disse Bob Bunrs III em uma entrevista, a audiência era boa o suficiente para haver uma segunda temporada, Ghost Busters era a segunda maior audiência da Filmation. Contudo, a produtora preferiu investir capital em sua atração número 1 em audiência, “Shazam e Isis”.

Em 1986, “The Ghost Busters” ganhou continuação, mas em forma de série animada, e se aproveitando do sucesso do filme homônimo da Columbia Pictures, tanto que usou a mesma forma aglutinada do título, ao contrário da original, separada, e sem o artigo “the”. Isso bem na época em que a Columbia decidiu produzir uma versão animada do seu sucesso nos cinemas.

O nome Ghostbusters havia sido liberado para uso no cinema graças a um acordo com Scheimer, mas nada fora firmado para a TV, com isso, a animação baseada no filme ganhou o nome de “The Real Ghostbusters” para evitar confusão e problemas de direitos (cá entre nós, o mais lógico seria a Filmation usar esse título). Isso no original, porque, aqui no Brasil, a série da Filmation se chamava “Os Fantasmas” (exibida no SBT entre 1988 e 1994) e a da Columbia (exibida na Globo no mesmo ano) ficou como “Os Caça-Fantasmas” mesmo.

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A versão animada de Ghost Busters durou mais do que sua encarnação live action, foram 65 episódios em duas temporadas produzidas entre 1986 e 1988. Seguia um formato semelhante ao da série original, mas desta vez protagonizada pelos filhos de Spencer e Kong, enquanto o gorila Tracy continuava no elenco, em uma versão anabolizada.

Os três lutavam incansavelmente para defender o mundo da ameaçadora horda de fantasmas comandada pelo terrível Líder Mau, o mestre do “QG Mal-Assombrado” e para contavam com vários personagens aliados, entre eles a repórter Jessica Wray (havia uma obsessão por repórteres nessa época, não?), a cigana Madame Por Que, o morcego cor-de-rosa Porcego, e uma jovem vinda do futuro que se chamava…Futura.

O desenho tinha um tom bem mais aventuresco do que a matriz dos anos 70, e, assim como em He-Man e She-Ra, no final de cada episódio, havia o momento politicamente correto, com um dos heróis dando conselhos e dizendo qual era a “moral” da história.

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Apesar de fazer um certo sucesso tanto nos EUA quanto aqui, o desenho não gerou tanto culto, mas quem era fã na época em que foi ao ar ainda lembra com bastante carinho, tanto que até existe uma página na internet sobre a série. Ambas as versões, live action e animada, podem ser encontradas em DVD lá fora.

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Publicação Cesar Monteiro