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Porque você deve assistir The Pacific?


A nova produção original da HBO, uma mini-série em 10 episódios em parceria com a DreamWorks, produzida por Tom Hanks, Steven Spielberg e Gary Goetzman foi ao ar nos EUA no dia 14 de março e estréia por aqui somente no longínquo 11 de abril. À pouco, meses antes de saber sequer que a gigante HBO planejava mais uma série de guerra, ponderava sobre o quão saturada estava a indústria de entretenimento em termos de produções que tinham por objetivo contar algum conflito vivenciado pela pátria americana na Segunda Grande Guerra. Questionava-me se de fato esse tipo de mídia ainda funcionava, e se mesmo o povo americano já não estava farto deste assunto. São tantas produções, grandiosas ou independentes, que é razoável questionar. É certo que cada obra tenta abordar o tema da forma mais original e realista quanto possível, mas será que The Pacific nos contará algo realmente diferente? Algo completamente novo nunca antes visto? Possivelmente não, minha falha memória me trai neste momento, mas é provável que haja alguma outra produção que tenha contado as dificuldades dos fuzileiros americanos no combate em Gualdalcanal. Então, porque você deve assistir The Pacific?

Acho que parte da pergunta já foi respondida: Primeiro por ser uma produção da HBO – ou seja, é inquestionavelmente de qualidade e deve se dar um mínimo de atenção -, segundo pelo envolvimento de nomes como Tom Hanks e Spielberg. Só as qualificações técnicas já lhe obrigariam à assistir, mas, ignoremos por um instante estes nomes. Digamos que você ligou a TV no dia 11, e lá estava The Pacific, porque assistir?

Acho que é inevitável compararmos com a prestigiada Band of Brothers, outra produção da dupla Hanks-Spielberg que outrora nos fascinou. Se tem uma coisa que esta série nos ensinou, é que a guerra é brutal, dolorosa, terrível e ingrata para ambos os lados do conflito. Paradoxalmente, é nesta mesma atmosfera que os soldados buscarão a companhia e lealdade de seus companheiros, viverão as mesmas dificuldades, compartilharão das mesmas proezas e morrerão juntos se for preciso; esta ligação única e indissolúvel os tornará capazes de realizar feitos heróicos que podem inclusive, mudar o rumo de toda a guerra. Pois bem, apesar das claras semelhanças à Band, The Pacific nos apresenta uma outra linha narrativa, descentralizando os feitos heróicos como contraponto ao terror da guerra e revelando a nova atmosfera de um conflito nas inóspitas regiões asiáticas banhadas pelo Pacífico; o que é completamente diferente de um combate em um terreno familiar como a Europa. Neste caso, as estratégias já eram conhecidas desde a 1ª Guerra Mundial, e se resumiam à deslocamentos pré-determinados em território inimigo, com ataques vindo de trincheiras. São situações na qual já estamos acostumados ao se tratar de 2ª Guerra, é algo fácil de acompanhar pois são as singularidades que esperamos desta Guerra. A diferença em The Pacific é que os fuzileiros estão rumando ao desconhecido, em regiões que não representam absolutamente nada para eles. Ao desembarcarem descobrem que a luta não é apenas contra os japoneses, mas contra as doenças, o cansaço (mental e físico) e a densa floresta em si.

Nesta primeira parte somos apresentados aos três personagens principais, momentos antes deles deixarem os EUA: John Basilone ( Jon Seda), Robert Leckie (James Badge Dale) e Eugene Slegde (Joe Mazzello). Conhecemos um pouco de seus ofícios pré-guerra, parte das relações com seus familiares e amigos e tentamos nos por na pele de um jovem americano da época, e seu sentido de patriotismo e obrigação para com seu país. São três americanos que nunca haviam se conhecido antes, mas o fazem na carregada atmosfera do interior dos navios da marinha americana, à companhia de centenas de outros fuzileiros. Não são amigos, mas se identificam, e ao longo do tempo tentam se ajudar e entender um ao outro. Ao fim do episódio entendemos que o foco desta série será sobre como cada um destes personagens encaram as mais variadas situações neste combate, e como isso refletirá talvez, em sua vida comum, caso eles consigam voltar a salvos.

Além de conseguir abordar a história em si, a trama que envolve os personagens (principalmente os três principais) e as situações que exigem certo questionamento moral por parte do espectador, o episódio exibiu uma qualidade técnica admirável, talvez já esperada, mas ainda sim impressionante. The Pacific utiliza de muita luz e cores brilhantes para retratar a paisagem paradisíaca de Gualdalcanal, um paraíso natural, se não fosse pelos inimigos escondidos por entre as árvores. O brilho das cenas do dia contrasta magnificamente com a opacidade das cenas noturnas, e mesmo sobre o breu, é possível fazer uma leitura completamente clara dos acontecimentos, nos fazendo visualizar com limpidez o ricochetear das balas em meio ao conflito durante a madrugada. Ao amanhecer, nos deparamos com o clímax dramático deste episódio, nos fazendo questionar a sanidade mental do ser humano que vive a guerra.

Em última análise, reforço que The Pacific não é e nem pretende ser Band of Brothers, o que não deixa de ser uma qualidade. Acredito que esta primeira parte faz de forma extremamente eficaz a introdução para uma série que abriga em seu âmago o objetivo de ser a faísca que provocará uma auto-reflexão moral sobre o papel do ser humano no mundo, e a tamanha estupidez que é a evolução do destoamento de opiniões, em outras palavras, a guerra.

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Comentários 3
    1. Valeu! 😀
      Eu adoro filmes de guerra, vejo tudo que sai sobre o gênero, e não consigo enjoar! Mas já vi muita gente reclamando sobre a quantidade de produções do tipo que sai todo ano.

      A abertura é sansacional mesmo! 'Além da Linha Vermelha' é soberbo, muito bem lembrado! Coloco à lista 'A Conquista da Honra' também do Clint, que foi filmado simultâmeamente com 'Cartas de Iwo Jima'. Eis uma boa lista de filmes para o povo que se interessar e quiser saber mais sobre as batalhas no Pacífico!

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