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Quartas de Sangue e Riso #10 – O fim da guerra no Pacífico

Mais: The Big Bang Theory S03E21 e Two and a Half Men S07E20 com SPOILERS!

The Pacific Pt. IX

O penúltimo episódio chega para se consagrar como o melhor exibido até agora. Em uma atmosfera pesada cuja narração expressa um misto de desespero, tristeza e loucura, “Okinawa” vem para definir a beleza poética de um roteiro impecável desta que é a melhor série sobre a Segunda Guerra Mundial de todos os tempos, quiçá a melhor mídia sobre o assunto. Os Marines enfim desembarcam em Okinawa, o último ponto antes de marcharem rumo à ilha mais importante do Japão. As marchas se desenham em solo lameado, fazendo com que passos determinados vaguem por meio aos corpos orientais em decomposição. Mais uma vez vemos a interação entre veteranos e novatos sendo explorada, e o já batido paradoxo entre a motivação aparentemente impenetrável dos virgens de combate e a loucura de uma visão enfadonha da guerra por parte dos veteranos, na qual tudo já se tornou comum e um tanto cinza.

Um dos pontos fortes de The Pacific é justamente a atribuição de humanidade aos soldados em guerra, respeitando a cultura de cada combatente. Vemos cada consciência em mutação constantemente, ora exibindo traços de compaixão, ora ostentando certa singularidade animalesca. Neste capítulo em especial, vemos Eugene Slegde neste dilema moral. Desde a parte VII vemos que ele não estava totalmente são. Sua humanidade mantinha-se em uma linha tênue entre a loucura. Aqui vemos o ápice desta tensão expressa em uma frase: “Nós viemos aqui matar Japas!” Sua visão é a de que japoneses são apenas alvos em meio ao campo de batalha; e um alvo deve ser abatido. Apenas quando solicitado à um assassinato por uma própria vítima de guerra, um civil que agoniza à espera da morte, que Sledge recobra sua sanidade mental, para em seguida defender outro civil japonês que é morto por um de seus inexperientes companheiros. Ao questionar o assassino, ele escuta suas próprias palavras: “Nós viemos aqui matar Japas!

O capítulo progride em cenas de tensão crescente, retratando a utilização de vítimas civis locais como bombas humanas, além de comentar sobre os kamikazes japoneses. Os fuzileiros passam extremas dificuldades para se manterem vivos, secos e motivados. O descanso muitas vezes era impraticável já que muitos soldados enlouquecem neste cenário caótico. Os gritos de insanidade são constantes, mas logo cessam, pois o corpo que produz tais sons já jaz morto ao chão, atingido pro um projétil inimigo. A narrativa se arrasta até o ponto crítico que faz Sledge escolher a liberdade da insanidade ou as amarras da razão, expressa em uma alternativa moral que aparentemente o obrigava a tirar a vida de uma vítima da guerra. O protagonista escolhe acolhê-la em seus braços, fazendo companhia à senhora até seu último suspiro. Algumas cenas depois, o ultimato: uma bomba foi detonada sobre uma cidade na principal ilha japonesa, um dos personagens pergunta o que uma bomba de mais faria, mal sabendo ele que se tratava da famosa e devastadora bomba atômica. Era o fim da guerra no pacífico.

The Big Bang Theory S03E21

Chegamos ao vigésimo primeiro episódio desta terceira temporada de TBBT. Neste temos a visita de uma física cosmológica ao apartamento de Leonard e Sheldon. A Doutora é hóspede de Sheldon, que mantém constante contato online com a moça. Há em um primeiro momento uma estranheza por parte de todos pelo fato de Sheldon manter uma relação de qualquer tipo com o sexo oposto. De fato, é uma preocupação que se desenha como um prenúncio para o episódio final. Ao longo do capítulo vemos a real intenção da moça: ter relações sexuais com todo o quarteto, de preferência ao mesmo tempo. Foram quase trinta minutos responsáveis pela restauração do bom humor da série, mas o que prometia ser uma reparação definitiva se desfez tão rápido quanto se formou. Depois dos 11 minutos a trama tornou-se arrastada e um tanto insossa. Volto a dizer que a série está deixando de lado todos os elementos que a consagraram como um sucesso, caminhando para se tornar uma sitcom como outra qualquer.

O conceito cômico dos personagens está perdendo o foco. O quarteto masculino nas duas primeiras temporadas exibia extrema dificuldade nas relações sociais, agora todos estão renascendo paulatinamente como homens comuns. A graça de todas as situações focava-se na constante antítese que se desenhava na tela, ilustrada metaforicamente pela oposição das portas dos apartamentos de Penny e Leonard ao longo do corredor. Sheldon com seu comportamento metódico obcessivo, Howard com sua tara exagerada pelo feminino, Raj com sua incapacidade de se expressar diante do sexo oposto e Leonard como a personificação da baixa auto-estima. Todos se viam constrangidos diante da relação homem-mulher, não sabiam como agir, fazendo toda a graça do programa estar ali: naquele fato tão banal, mas ao mesmo tempo tão veementemente verdadeiro. Foi quando Leonard começou uma relação amorosa com Penny que as personalidades de todos os personagens se modificaram. Proposital? Fez com que as personalidades de todos crescessem junto ao roteiro? Talvez, mas que esta terceira temporada está MUITO mais sem graça do que as duas primeiras, isso está. E sim, eu sou muito chato, vou continuar batendo nesta mesma tecla até os roteiristas conseguirem me fazer gargalhar como antes!

Two and a Half Men S07E20

Depois de algumas semanas, Two and a Half Men retorna à grade da CBS. A primeira cena abre com uma surpresa: Cheryl (esposa do Jim em “According to Jim”) está na cama com Alan! Não poderia ter começado melhor! O episódio tenta mostrar Alan em um novo relacionamento, Jake e Berta um pouco em segundo plano e Charlie tentando superar o fim de seu noivado com Chelsea, o que é estranho já que no episódio passado não tivemos sequer uma menção à este fato. O ritmo mantém um humor elegante, reservando as já conhecidas pitadas de sarcasmo às aparições de Berta, sempre sensacional. Não foi um episódio bom, aparentemente a série está sentindo a falta dos personagens femininos como Rose, Chelsea e até uma aparição da Judith, já que neste 20º ela nem deu as caras. Depois destes sete anos, as possibilidades de inovação são limitadas, e alguns personagens já sentem o desgaste do tempo. É o caso de Jake, que já não possui qualquer graça. Da metade para o fim vemos a graça da exposição de Alan ao ridículo, como de costume, e Charlie contratando uma profissional para uma girlfriend experience, literalmente! O ponto alto do epsiódio, sem dúvida. Veremos como caminhará o fim deste sétimo ano, lembrando que a série já foi confirmada para mais uma temporada.

Voltamos semana que vem com a última parte de The Pacific! 😀

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  1. Pois pra mim TBBT não está tão pior nessa terceira temporada. As pessoas mudam, evoluem e ninguém fica igual pra sempre – pra mim essa mudança dos personagens veio pra melhorar, e achei bem gradual sim, desde o episódio com a Summer lá atrás até todos os tremiliques do casal Howard e Haj com garotas (foram uns 20 episódios com os dois tentando se dar bem e Howard passando vergonha com Bernadette!). O que me incomoda na série é Sheldon levá-la nas costas, mas acontece.

    De qualquer modo, o episódio 22 está bem "volta às origens". Recomendo.

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