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Quartas de Sangue e Riso #4 – “You’re heroes back home”

Este artigo contém SPOILERS para quem não assistiu as partes II e III de The Pacific e aos episódios 15, 16, 17 e 18 da sétima temporada de Two and a Half Men.

The Pacific Pt. II


“A pior coisa em lidar com os combatentes da grande guerra, não era ver seus corpos rasgados… Era ver suas almas destruídas.”

O episódio abre com uma batalha. Em um piscar de olhos, projéteis voam de encontro à têmpora de um herói. Seus companheiros fixam a visão ao solo em meio a escuridão e a quietude, agora profanadas pelos ruídos do embate, para descobrirem o corpo que ali agora jaz. Uma baixa e contando… A primeira metade deste segundo capítulo nos mostra as dificuldades dos Marines de permanecerem vivos e saudáveis, após a incapacidade da marinha americana de avançar e estabelecer contato com os fuzileiros em terra para cumprir o objetivo de reabastecer a tropa com suprimentos. É um dos disparates evidentes: Os Marines estão com comida e munições escassas, os japoneses, au contraire, não. Vemos as dificuldades dos fuzileiros ao enfrentarem a mata fechada da floresta, as doenças e a fome. A falta de suprimentos é tamanha, que acontece uma espécie de saque aos pertences dos oficiais e sub-oficiais do exército americano que desembarcam na ilha. É sobre isso que o episódio II trata até o início da batalha que culminaria na conquista de Gualdalcanal. Eis que, para esse evento específico, apareceu o principal nome deste episódio: John Basilone. O personagem é um dos três que definimos como mais importantes no episódio I, e esta segunda parte foca-se principalmente sobre seus feitos. Ele lidera seu grupamento e age como um verdadeiro herói, contrariando a ideia de que The Pacific não mostraria feitos heróicos como seu irmão de produção o fez. Neste capítulo, vimos que há espaço sim para atos heróicos, e que, na verdade, a ideia de heroísmo age como difusor de humanidade e esperança na mente de um soldado na guerra. Percebemos isso já ao fim do episódio, quando a batalha fora vencida e os Marines voltavam ao navio, em conversa com um cozinheiro que lhes questionavam o quão difícil fora a batalha naquela ilha demoníaca. A indignação e o cansaço nos rostos dos soldados dão lugar à esperança e ao orgulho quando seus ouvidos escutam as palavras do residente do navio: “You’re heroes back home.” Foi como se aqueles soldados tivessem tomado um banho quente, degustado de uma boa refeição e agora se preparavam para deitar com suas mulheres. Era a única recompensa que eles obteriam ali; foi o que os alimentou aquela noite e o que os manteve vivos para lutar em outras batalhas vindouras.

Depois de assistir à esta segunda parte, conseguimos ver soldados lutando – talvez um mérito da produção que preparou a equipe para as filmagens com exercícios físicos puxados em um acampamento na Austrália, com supervisão dos próprios fuzileiros americanos. É uma obra que retrata tão bem os males da guerra, que acaba por forçar a vivência neste ambiente de combate, embora constitua um exercício imaginativo em um pano de fundo histórico verídico. As qualidades técnicas se mantiveram e, por fim, foi um episódio que conseguiu me surpreender. Talvez por abordar o heroísmo de uma forma muito mais significativa para compor a mente de um soldado em guerra: A recompensa em forma de reconhecimento. Isso o enche de esperança e lhe dá força para continuar matando mais, e mais… bom para ele porque a esta altura, o soldado não tem mais escolha.

The Pacific Pt. III

Após a vitória em Gualdalcanal os Marines desembarcam em Merlbourne, Austrália, em uma estadia que tem por objetivo a espera do fortalecimento das forças americanas na região. Uma batalha foi vencida, mas o exército japonês controla um grande território do pacífico ainda e, para uma investida maior, é necessário que a tropa se fortaleça em terras irmãs. A chegada dos fuzileiros é motivo de festa e congratulações celebrando seus feitos heróicos na guerra do pacífico. A Austrália se mostra um paraíso, muito semelhante ao lar de cada combatente que ali chegara. Logo os soldados se acomodaram em um estádio de críquete, e descobrem os prazeres da bebida, festas e mulheres locais. Robert Leckie se envolve com uma moça de origem grega, degustando de sua carinhosa hospitalidade. Esta terceira parte deu seguimento ao fim do capítulo anterior, onde o reconhecimento pelos esforços nos combates constituiam uma recompensa para os soldados exaustos. A exaltação do heroísmo virou agora propaganda para se conseguir melhores condições em termos de armamento, alojamento e logística junto ao comando de guerra. Para isso, John Basilone, nosso herói da parte II, que ganhara uma medalha em honra à seus feitos no último combate, retorna aos EUA contra sua vontade para fazer justamente esta propaganda, e tentar arrecadar este upgrade nos suprimentos de combate. É um episódio que tem por objetivo quebrar o clima frio e frenético da guerra, e trazer tranquilidade e descanso aos yankees. O episódio termina com a partida dos Marines da Austrália, de volta aos braços sufocantes da guerra no pacífico.

*****

Two and a Half Men 15 ~ 18

O que todos nós esperávamos finalmente aconteceu no episódio 15. Charlie acabou se separando de Chelsea após uma briga. O motivo foi um convite do advogado da moça, Brad, para ambos participarem de um evento de caridade promovido por uma de suas instituições. Charlie obviamente se opôs, e Chels acabou indo ao evento sozinha. Muito aconteceu no episódio 14, que antecedeu a separação propriamente dita, e o que realmente interessa é que Charlie acabou insinuando que algo havia acontecido entre sua noiva e Brad. Eles resolvem dar um tempo, e ela se muda para a casa de seu pai, que assumiu a homossexualidade e agora vive com seu ex companheiro militar. Nos episódios 16 e 17, nos é mostrado a tentativa de Charlie de superar o término de seu relacionamento, uma narrativa recorrente à série – já havia ocorrido algo semelhante quando ele namorava a Mia -, com aquela conversa, que também não é nova, por parte de Alan de que Chelsea poderia ter achado em Brad, um homem melhor para passar o resto da vida. O roteiro varia entre uma tentativa de demonstrar que o garanhão superara a perda e, ao mesmo tempo, sua clara e real dependência para com o relacionamento estabelecido na temporada anterior que, diga-se de passagem, foi o melhor que ele já conseguira até então. Durante todo esse período (do episódio 15 ao 18) Charlie quase se casa com uma stripper, encontra Chelsea inúmeras vezes, se embebeda outras tantas, estraga todas as vezes que estavam prestes à voltar, dorme com a melhor amiga da moça – ela fica uma fera, mas depois o perdoa -, então ele dorme com ela mais uma vez… e tudo conspira para que eles fiquem separados, obrigando-os a terminar de vez.

As aparições de Alan, Jake e Berta foram razoáveis, bem orquestradas até, eu diria, já que o foco era justamente o relacionamento do casal principal, sempre com comentários recheados do sarcasmo característico, principalmente por parte de Berta. Senti falta das conversas de Charlie com sua psicóloga, que eram sempre fantásticas, e das aparições da Rose (não tenho informações se a atriz ainda faz parte do elenco). Os episódios sofreram leves turbulências no nível de qualidade, ficando inclusive bem abaixo dos tempos áureos que compreendem os 3º, 4º e 5º anos. Espero que o bom humor seja resgatado nesta reta final, e que a série consiga terminar bem, já que faltam apenas 6 episódios para o fim da atual temporada.

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