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Quartas de Sangue e Riso #6 – Comédias da CBS em reta final e The Pacific Pt. V

O artigo contém SPOILERS para quem não assistiu à The Pacific Pt. V, The Big Bang Theory S03E19 e Two and a Half Men S07E19.

The Big Bang Theory S03E19

E não há palavra melhor do que sensacional para descrever este retorno de TBBT. Foi um episódio que explorou mais uma vez a relação de Penny e Leonard, e que soube manter um excelente nível de bom humor além de explorar algo que não é muito comum à série: Uma deixa para a semana seguinte. O episódio abre com o casal na cama, uma fantástica citação da moça à Império Contra Ataca, e a conclusão mais fantástica ainda de Leonard: “Estou na cama com uma linda mulher que cita Yoda.” A alegria deu lugar ao desconforto na frase seguinte: “Eu te amo!” e a constatação da não reciprocidade por parte de Penny. E sinceramente, eu não culpo Leronard. No lugar dele, faria a mesma coisa. Esta volta marcou o retorno do “diabólico” Wil Wheaton, que outrora atuou em Star Trek: The Next Generation, para seguidas partidas de boliche (real, não o de Wii, acredite se quiser!) marcado por Sheldon e Stuart. Wil já havia duelado com Sheldon em uma partida de Magic, utilizando de uma alternativa cruel para vencer a partida, daí o diabólico. As citações sobre o universo nerd continuam excelentes, destaques para o universo das tirinhas (ou comic strips). Sheldon chega a citar textualmente “Cathy”, de Cathy Lee Guisewite e “Garfield”, simplesmente fantástico!

A tirinha comentada por Sheldon

O episódio segue neste dilema amoroso, mas surpreendentemente, não o torna cansativo. Há uma parte em que toda a graça está nas peculiaridades da língua inglesa, e é deveras engraçada, mas exclusiva para quem entende inglês, mesmo com legendas. Ao fim, Wil mantém sua aura de mau – a parte em que cita Star Wars e principalmente a resposta de Sheldon é sensacional – e o episódio acaba em uma indeterminação: Penny terminará (ou terminou) com Leonard? O que você acha? Eu espero que sim. Veremos semana que vem.

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Two and a Half Men S07E19

O começo deste episódio me lembrou muito um programa em que Charlie compunha uma canção para uma animação chamada Oshikuru (vídeo logo abaixo). Neste 19 ele fez algo semelhante, inclusive com as mesmas reações alheias. Esse tipo de reciclagem de roteiro já está começando a me preocupar. Não é a primeira vez que vemos algo muito semelhante à alguma situação exibida anteriormente na própria série. Na maioria das vezes isso não chega a incomodar, até porque é tratada de forma totalmente diferente, como já falei aqui. É um tema específico, mas que tem um desdobramento sempre inédito de modo que a maneira de como aquilo é tratado, compense o assunto repetido. Este episódio 19 não foi nem de perto, bom. No centro do roteiro estava Jake e sua primeira ressaca, e foi uma situação extremamente sem graça e limitada. É algo que eu já havia apontado aqui como um ponto fraco da série: O crescimento de Jake. Esses assuntos que dizem respeito à sua adolescência não rendem nem de longe, situações engraçadas. É fato: Quando o episódio é centrado em Jake, temos um programa fraco. Foi o que aconteceu esta semana. Nem sequer uma menção à relação de Charlie e Chelsea, que acabou mesmo e não se fala mais nisso, Alan investindo na mãe de um amigo de Jake – quantas vezes isso já aconteceu? Várias! -, uma participação contida de Berta, enfim. Um retorno fraco e uma retomada na reta final preocupante. Vou parar por aqui, não tenho nem mais o que falar.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=PtyQ2KPoSbw[/youtube]

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The Pacific Pt. V

O começo desta parte cinco dá prosseguimento ao episódio anterior. Os fuzileiros, após a batalha em Cabo Gloucester, desembarcam em Pavuvu – contrariando a idéia de todos, que esperavam mais um descanso em Melbourne, como acontecera ao fim da batalha em Gualdalcanal. O descanso como recompensa dá lugar ao treinamento puxado, prenunciando a chegada de mais uma batalha, desta vez maior e talvez a mais importante até o momento.

O capítulo pode ser facilmente dividido em duas partes. A primeira faz a introdução de novos personagens, envoltos por uma narrativa desprovida de situações de conflito armado. Vemos que John Basilone, que voltara aos EUA, virou uma celebridade; conhecido por todos, de agenda lotada, fazendo o que lhe fora mandado: Barganhar melhores suprimentos para o exército, além de servir como o símbolo do herói para o povo. Em três cenas vemos a participação da protagonista de Fringe, Anna Torv, acompanhante de Basilone, fazendo uma cena picante e exibindo toda sua beleza e sensualidade como não se vêem em sua série “nativa”, em uma participação que eu classificaria como sendo magnífica – nada genial em termos de atuação, apenas pelos motivos discorridos acima. Voltando à Pavuvu, vemos desembarcar, enfim, Eugene Sledge, o rapaz com problemas cardíacos que apareceu em alguns episódios anteriores. Os novatos chegam ao cenário de guerra e encontram, como de costume para com qualquer novato em qualquer atribuição na América, uma recepção extremamente não calorosa. Os veteranos os ignoram e abusam da má vontade para tratar seus conterrâneos. Nestes cinco episódios exibidos até agora, este fora o mais, digamos, clichê. Quase todas as situações foram por demais banais no ponto de vista ideológico e filosófico, algo que não vinha ocorrendo até o momento. Sempre éramos presenteados com algo novo, uma inovativa visão sobre conflitos já conhecidos. Este, em especial, quase nada acrescentou. Fora apenas uma aula de história. Não que isso já não seja por si só, um deleite. Mas será mesmo que nada podemos analisar?

A segunda parte nos trouxe a mais sufocante batalha até o momento. Após saírem de Pavuvu, os Marines desembarcam no Peleliu, uma ilha de corais entre Guam e as Filipinas, após o bombardeio prévio da marinha americana. O local abriga uma pista de decolagem próxima às Filipinas, de interesse estratégico para o comando de guerra americano. O general Douglas McArthur decide que a tomada desta pista é de fundamental importância na reconquista das Filipinas; e isto seria o começo da invasão ao Japão. Sendo assim, desembarcam à ilha os novatos e veteranos em mais uma batalha. E foi sufocante, pois fora o primeiro conflito em que o desembarque aconteceu no coração da guerra, com soldados morrendo ao saltarem dos blindados e corpos empilhados na areia da praia. São cenas de ação ininterrupta, vindas talvez para compensarem a calmaria dos primeiros vinte minutos de episódio. Até o final, a ação se manteve em uma narrativa que soube explorar as dificuldades em necessidades básicas como a sede e, concomitantemente, em sentimentos complexos como a amizade e a humanidade (ou a falta de). Por fim, não foi de um todo, um episódio desprovido de indagações sociais e filosóficas. Vimos que alguns soldados, que passaram mais tempo no campo de batalha, vivem em um conflito interno, onde as características humanas se revezam com os instintos animais mais primitivos; mas que, até isto é inerente à cada ser, e que não deve ser empregado de forma geral. Fora um capítulo que soube valorizar em um primeiro instante, a simplicidade como sendo uma forma crível de narrar – e demonstrar que nem sempre é possível fazer análises sociais em cima de fatos puramente banais (banais sim, mas de singular importância para compor este clima de verdade) – e ao mesmo tempo, exibir outras cenas que nos faz questionar até mesmo a banalidade do comum. Esta mistura, que destoa entre uma narrativa que expõe o comum junto a nulidade às entrelinhas e uma análise filosófica diante da complexidade da mente humana, foi o que me fez considerar esta parte cinco como sendo o melhor episódio de The Pacific exibido até o momento. O ápice de maturidade do roteiro.

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