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Quinta temporada de “Shameless” é deliciosamente ordinária

Shameless é um turbilhão. De acontecimentos, de insanidade, de amoralidade e de sentimentos conflituosos sobre aquela família para além do disfuncional. Sua quinta temporada manteve acesa a chama dessa sua particularidade, já que cada vez mais os Gallaghers estavam intrincados em seus conflitos e confusões. Talvez se olharmos com certo distanciamento – principalmente para quem acompanha desde o início – fique um pouco claro uma certa diluição de sua própria fórmula. Em especial no “núcleo” do irmão problemático, Ian Gallagher (Cameron Monaghan), onde o inferno pessoal tem se estendido um pouco demais e, por mais que tenha rendido boas cenas (de sensibilidade bruta com seu namorado anti-herói), o plot pouco avançou sobre a persona criada em cima do personagem.

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Fiona (Emmy Rossun) é o esteio daquela confusão toda, e ainda continua se envolvendo em relações erradas, ou tomando para si os equívocos de toda sua trajetória. Os roteiristas têm sabido se aproveitar desse maneirismo para trazer algum frescor à trama. Mas agora, nesse quinto ano, questiono até que ponto isso é uma faceta hábil ou uma artimanha manjada. Isso fica ainda mais claro com a desperdiçada volta de Steve (o ótimo Justin Chatwin), um personagem importante na vida de Fiona, e que retorna sem qualquer função sólida, apenas para endossar a curva dramática da personagem, realçada, mais ou menos da mesma forma, em toda temporada.

Temos ainda, é claro, a figura de Frank Gallagher (Willian H. Macy), o pai de família mais irresponsável do mundo, que trouxe nesse ano, a talvez, grande sacada de se humanizar, diante da possibilidade de uma paixão desvairada. Sim, isso foi possível e crível. É até por isso que Shameless trafega muito pelo “acima da média”, exatamente por ter sua própria medida entre o exagero e o que de verdade se acha nele. Até quando, eventualmente, dá um passo em falso…

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