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Segundo ano de "Ray Donovan" é o poder da (auto)apropriação

Ray Donovan foi vendida como uma espécie de Scandal protagonizada por Liev Schreiber, só que com muito mais consistência. A primeira temporada foi certeira na comprovação de que a série era muito mais do que estigmas de marketing de seu canal Showtime. Daí veio a segunda temporada, solidificando assim a identidade da história criada pela showrunner Ann Biderman (demitida do cargo pelo canal). Uma característica forte desse ano foi o investimento cada vez mais fundo na vida pessoal de Ray, confrontando ou ressoando sobre os casos externos da qual esteve envolvido. Por isso, tramas como o desfacelamento de sua família – sua até então devotada esposa começa um caso com um policial, sua filha se envolve com um aspirante a rapper metido com tráfico de drogas e o filho tem problemas psicológicos, sem contar o já problemático seio familiar que consiste seu pai, cada vez mais ordinário, e seus irmãos – deram a tônica da narrativa, desenvolvendo os personagens para além de maniqueísmos episódicos, como acontece com outra “série sobre resolvedores de problemas alheios”, como a citada Scandal.
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Mick (Jon Voight, maravilhoso) continua sendo o esteio dramático de Ray, com seus (bons) embates sempre banhados a rancor e resignação. De certa forma, o arco dramático dessa temporada foi sensivelmente parecido com a primeira, um tanto trágica para o protagonista, o que possibilita alguns caminhos sólidos para a terceira temporada, entretanto, a evolução das personalidades dos que gravitam em torno desse anti-herói tem sido tão sedutora e bem amarrada que acompanhar essa verdadeira desventura (do seio e do meio) de Ray Donovan ainda é uma das melhores coisas da TV atual.

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