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Seriado Batman comemora 50 anos; conheça a série de TV que salvou os quadrinhos

Que os anos sessenta foram a década de quebra de paradigmas culturais e comportamentais já está sacramentado. Naquela década surgiram os Beatles e a música nunca mais foi a mesma. Houve a luta pelos negros pelos direitos civis e com os Panteras negras, e a questão racial nunca mais foi a mesma.

O mundo ficava colorido com as transmissões de TV em cores e fotos coloridas nas revistas, veio a psicodelia, que foi justamente a explosão das cores. Nesse âmbito surgia no inverno americano de 1966, mais precisamente no dia 12 de janeiro, um seriado que viria, com todo o sarcasmo daqueles anos contestadores, desconstruir um dos heróis mais icônicos dos gibis: Batman.

Criado por William Dozier, Bill Finger e Lorenzo Semple Jr. para a rede ABC, e estrelado por Adam West, Burt Ward e Allan Napier, o seriado mostrava o rico empresário Bruce Wayne e seu pupilo Dick Grayson, que levavam uma vida dupla: eles são na verdade o duo combatente do crime Batman e Robin. Uma passagem secreta na mansão Wayne levava à bat caverna, onde o comissário de polícia Gordon convocava a dupla no bat-fone para que atendessem chamados de emergência de Gotham City.

Geralmente as missões eram frustrar os esforços de uma galeria de vilões para lá de flamboyant, incluindo o Coringa, o Pinguim, o Charada e a Mulher-Gato.

O que tinha tudo para ser o demérito da série, acabou sendo o maior trunfo: o conceito “camp”. Um Batman ligeiramente fora de forma, vilões ridículos, efeitos visuais risíveis e até mesmo situações no melhor estilo comédia pastelão como a disputa de Batman e Coringa no surf, ou o herói correndo pela baía de Gotham tentando se livrar de uma bomba.

Esses momentos ficaram marcados na cultura pop, juntamente com, é claro, elementos como as onomatopeias gráficas emulando os quadrinhos durante as lutas (o POW! SOC! PUNCH!), as exclamações de Robin sempre precedidas com um “Santa” (em um total de incríveis 352!!!), os heróis escalando prédios com uma corda, com o risível truque da câmera invertida. Outro recurso jocoso era a câmera torta nas cenas que se passavam no esconderijo dos vilões.

Outro fator que acabou se tornando famoso foi a suspeita de homossexualidade da dupla, que em alguns episódios parecia até ser proposital. E como não lembrar das intérpretes da Mulher Gato? A pioneira Lee Meriwether, que ficou com o papel na primeira temporada, a substituta Julie Newmar, a mais popular e Eartha Kitt a derradeira, conhecida por ter sido a Mulher-Gato negra. E a Bat-Girl (Yvonne Craig, falecida no ano passado aos 78 anos) também não fazia feio.

A popularidade da atração foi tanta que Bob Kane, criador de Batman, observou que esta série salvou a os quadrinhos Batman do cancelamento. Apesar disso, a maioria dos fãs de quadrinhos desprezava esta série vista por eles como um disparate exagerado. Tanto que, na década seguinte, os quadrinhos do personagem assumiram um tom sério escuro e mortal retomando o clima das histórias do final de 1930. Mas ao mesmo tempo, a Filmation fazia, ainda na esteira do seriado, duas séries animadas: “As Aventuras de Batman e Robin” e “As Novas Aventuras de Batman e Robin”.

Batman teve ao todo 60 histórias, cada uma dividida em 2 partes , totalizando 120 episódios. A série teve seu derradeiro episódio exibido em 14 de março de 1968, com a audiência em queda. A importância do seriado foi justamente revitalizar o personagem como ícone pop, tanto que durante anos, quando se falava em Batman, a primeira imagem que vinha à cabeça era a ótima música-tema composta por Neal Hefti, construída em torno de uma linha de guitarra com reminiscência de trilhas sonoras de filmes de espionagem e um toque de surf music.

https://www.youtube.com/watch?v=2Wsz2TYxwwk

Cinco décadas depois, mesmo depois de duas séries de filmes e mais uma a caminho, o “Batman camp” continua uma marca indelével na cultura pop.

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