Bom, irei começar essa resenha dizendo que eu infelizmente posso ter uma opinião um pouco imparcial sobre o filme. Digo isso porque eu sou um desses esquisitos e raros seres que já tinham no Homem de Ferro o seu herói favorito bem antes do filme em 2008.
Confesso que tive muito medo tanto com este filme quanto no anterior, que ele acabasse destruindo o personagem. Felizmente, em 2008 eu tive uma feliz surpresa, não só Homem de Ferro foi um filme excelente, como sem dúvidas era de muito longe o melhor filme de origem de super herói. Tendo ele estabelecido um patamar tão alto, é claro que fiquei bastante receoso quanto sua continuação. Receio que aconteceu com todos os filmes de super heróis que gostei: Homem Aranha 2 (que me ferrei magistralmente ao ver uma das piores continuações para este belo filme), X-men 2 (X-men 3 pode ser considerado continuação?) e Cavaleiro das Trevas (precedido por um fraco Batman Begins, se tornou tão bom que me mete medo se conseguirá realmente ser superado por Batman 3).
Depois de ter visto o filme, ainda não posso afirmar que Homem de Ferro 2 tenha realmente superado o primeiro. Ele é tão bom quanto, mas o problema se dá pelo simples fato de que mais do que todos os filmes de heróis anteriores, aqui vemos de fato uma continuação direta. Não é como em Batman ou Homem Aranha, onde o tom do filme e plot mudam completamente e parecem funcionar de forma autônoma. John Fraveau, realmente arriscou aqui, e dificilmente este filme vai ser palatável para quem não viu o original. A própria estrutura do longa foi pensada desta forma, e tem seu início praticamente no discurso final de Tony para a imprensa, e efetivamente move a história adiante. Nesse ponto, a continuação pareceu algo mais no gênero de Star Wars ou Senhor dos Anéis do que Homem Aranha 2, já que a impressão é que os dois filmes são praticamente um só.
Se o primeiro filme era sobre redenção e responsabilidades, o segundo é sobre conseqüências. Tudo o que ocorre é na verdade uma resposta muito bem pensada a existência deste Homem de Ferro no mundo. O que acontece quando a maior indústria bélica do mundo não só para de trabalhar para o estado, como resolve efetivamente “privatizar a paz mundial”.
O filme acaba girando basicamente em três conflitos. O primeiro deles é a idéia de legado. Que tipo de legado Tony quer deixar para o mundo, e o que fazer com o legado de seu pai. Em contrapartida temos o vilão Ivan Vanko que, pelo mesmo motivo, odeia os Starks que destruíram a sua família. Vanko não só é bem interpretado por Mickey Rourke, como realmente tem bons motivos para suas ações. E elas são muito bem executadas, o objetivo dele não é razo, como derrotar o homem de ferro em combate, o que ele quer é efetivamente acabar com um legado, com uma visão de mundo criada pelos Starks.
No outro campo de batalha do filme, o político-judicial, temos Justin Hammer e o governo dos Estados Unidos. Hammer é o CEO da principal rival das indústrias Stark, buscando o espaço aberto nas patentes militares do governo americano. Justin é literalmente, o que Stark era no início do primeiro filme. Aqui é que vemos a real ameaça a estabilidade mundial que Tony acaba causando ao tentar se tornar o único Homem de Ferro. Apesar da questão política e judicial ser central ao filme, Justin Hammer acaba sendo bastante ofuscado pelo outro vilão, que sai como mais interessante do que o magnata inescrupuloso.
Existe ainda um terceiro vértice no filme, que apesar de funcionar para desajustar Tony, acaba as vezes se tornando um pouco demais. Que é a necessidade do Tony de encontrar uma nova forma de usar o seu Reator Arc, pois este está lentamente o matando. Como eu disse, este arco tem os seus méritos, e acaba, é claro, se mesclando aos outros de forma boa, mas em certos momentos parece simplesmente muita coisa e certamente poderia incomodar alguém que não é fã do personagem. Afinal, não é explicado em momento algum por que ele usa um reator no peito (graças aos deuses, detesto ter que ficar recapitulando roteiros em continuações), ou o que quer que aconteceu no primeiro filme.
Sobre o roteiro em geral, ele continua não só baseado completamente em Tony Stark, como em um certo humor ácido, bastante similar ao primeiro filme. Não há muito o que se falar dele sem estragar surpresas, mas é importante frisar aqui que ao lado das interpretações eles assumem um papel principal na condução do longa. Apesar de ser um filme de heróis com situações absurdas, o filme é muito amarrado a diálogos e a personagens sem armaduras, o que em minha opinião é ótimo.
Sobre as interpretações, as coisas continuam no mesmo nível. Downey Jr. Ainda é o Tony Stark perfeito e egomaníaco, Pepper está um pouco mais segura de si e Don Cheaddle é um excelente Jim Rhodes. Sobre os novatos, temos Samuel L. Jackson, que é um Nick Fury que já era baseado em Samuel L. Jackson, então nada de novo por aí. Sam Rockwell é um bom Justin Hammer, mas como disse previamente, acaba ofuscado pelos demais personagens. Mickey Rourke renascido desde Sin City e The Westler se mostra perfeito para o papel de Ivan Vanko, e por fim, até mesmo Scarlett Johanson que em minha opinião não se parece com Natasha Romanov funciona bem como a personagem, destaque pelo bom desempenho em sua cena de ação.
Sobre isto, as cenas de ação são escassas. Temos apenas três momentos no filme inteiro, mas todos são bem executados e funcionam muito bem. Eu li algumas críticas reclamando principalmente disso, dizendo que o filme tinha o passo um pouco lento e pouca ação. Eu particularmente nunca fui fã de filmes de muita ação então não vi problemas aqui, até achei a seqüência final de ação um tanto grande.
Por fim, vale mencionar que, mais do que os anteriores, Homem de Ferro 2 está muito atrelado ao Universo Marvel e a iniciativa Vingadores. Nick Fury e a Viúva Negra acabam ganhando um papel de maior relevância aqui, e a cena pós-créditos é praticamente o início do próximo filme da Marvel. Portanto, fãs que estão indo no cinema para ver o quadro dos Vingadores ser composto, não fiquem desapontados e saibam que temos um avanço significativo aqui.
Mas e então? O filme é bom? Sim, o filme é muito bom e divertido, mas talvez não seja tão surpreendente quanto o primeiro. Em contra-partida é uma real continuação que dá seguimento a narrativa. Eu ouvi uma descrição muito divertida dos dois filmes: “Homem de Ferro é sobre o prazer de brincar com seus brinquedos, Homem de Ferro 2 é sobre as conseqüências reais de tais ações quando seus brinquedos são armas letais de bilhões de dólares”. E acho que é isso mesmo.
Confesso que estou tão excitado para Homem de Ferro 3 quanto para Vingadores.








Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.