No primeiro momento, não estamos diante de uma história em quadrinhos convencional, então vamos ignorar as regras, quebrar os formalismos, o estabelecido pelo mercado e vamos falar de coração, do pessoal, do sentimento que muitos tem sobre a marca DC Comics. Tratemos do que Geoff Johns e outros quatro incríveis desenhistas, Ethan Van Sciver, Gary Frank, Ivan Reis, Phil Jimenez fizeram. Eles mudaram tudo,  absolutamente tudo, inclusive aos DCnautas de plantão, que com o tempo estavam se reencontrando, um aviso: em meio a decepções, fórmulas repetitivas e promessas quebradas de outros tantos reboots, releguem tudo isso para um cantinho escuro de seu ser.  É hora de resgatar e deixar fluir aquelas mesmas emoções que foram desencadeadas em outros tempos nessa nova empreitada da DC, o Universo DC: Renascimento, que a Panini está trazendo para o público leitor.

Mas vamos recapturar algumas coisas. Após os acontecimentos do Flashpoint, a realidade do Universo DC se transformou para sempre, ou isso foi o que nos disseram, quando o mercado deu as boas vindas aos Novos 52, cinquenta e dois novos títulos que redefiniriam totalmente o universo criado pela DC, e não apenas um ou outro personagem. Houve alguns bons acertos, mas o pacote geral foi que esta iniciativa, que durou 52 meses, não estava sendo um mar de rosas para os fãs ou para os editores. Tiveram que mudar tudo, mas sem trair o que foi acertado e sem negar as falhas foram cometidas, para que o Universo DC renascesse novamente.

Este especial, que comprei na Amazon, com a capa metalizada, serve de porta de entrada, uma apresentação ao Renascimento, e aviso que não tratarei de dizer se Johns realiza um trabalho ruim ou bom, se manipula as emoções do leitor (e como…), se os desenhistas são capazes ou não de plasmar o que Johns pensou, se o improviso foi resultado de uma manobra que começou a ser construída em títulos alguns meses atrás… E sim da maneira que o título se comunicou com um leitor saudosista, e para tanto é necessário romper com as normas de uma resenha e falar diretamente do que saiu de dentro deste título quando o li.

“Renascimento é focar no cerne dos personagens e nos seus respectivos universos. Trás de volta tudo o que foi perdido: o legado dos personagens, o amor e esperança do Universo DC!”

Renascimento ataca diretamente a zona de conforto do leitor desde a primeira página. Sem contemplações, sem mais preâmbulos somos capazes de intuir quem está narrando a história que começa a desenrolar ao passar as páginas. Não é tão complicado sentir ao saltar de texto a outro, de quadro a quadro uma certa ânsia, esperando que finalmente se confirme nossas suspeitas.

Em uma leitura emocionante, vibrante, somos colhidos por tantos acontecimentos e referências, enquanto desejamos que a cada quadrinho materialize o sonho que, no meu caso, já tinha sido dado por perdido: o de ver Wally West (o Wally West de sempre) correr de novo pelo Universo DC. E é algo que todos aqueles leitores que iniciaram a aventura de ler e desfrutar dos quadrinhos na cada vez mais distante década de 1980, cresceram e amadureceram como leitores até o dia que o nosso Flash desaparece silenciosamente. Ainda ressoa em minha mente as cartas e as respostas de editores, como Dan Didio, esquivando-se frente às perguntas sobre o que aconteceu com Wally.

Seja como for, a questão é que Wally está aqui como protagonista absoluto desde o início a todo essa revolução editorial na DC. De novo o Flash, sem importar já quem está debaixo da máscara, volta a correr para mudar o todo. Ocorreu antes quando inaugurou a Era de Prata, descobriu o Multiverso, lançou o conceito de legado na Crise… E é justamente isso que neste especial se recupera, o legado no estado mais puro. Algo que nunca deveria ter sido manchado e regressa com força para retomar as rédeas de renascer.

O título avança de forma clássica,  separando a narrativa de forma que ao tempo que vemos Wally perseguir seu objetivo, vamos descobrindo novos inícios de origens de muitos personagens do Universo DC. Em essência, Johns não conta nada e nos conta tudo. Põe ordem ao caos, marca uma linha para ser seguida por todas as coleções que renascerão a partir deste ponto e consegue unir tudo de tal forma que deixa espaço para que a nostalgia e a polêmica se deem as mãos. Uma narrativa fundamental para este novo universo, perante a uma nova ameaça às sombras, começa a dar os passos necessários para reconstruir a confiança de todos.

Universo DC Renascimento é uma HQ para todos aqueles que nunca leram uma história em quadrinhos da editora americana e para todos os demais que leram.  Não importa se na leitura não entende nada, pois nas páginas emana pura energia criativa, aquela magia que trás de volta a força que a DC possui em sua história. Espero que entendam a maneira de ter escrito com o coração e peço desculpas por isso. Em tempo, se neste mês só puder comprar uma HQ, que seja este renascer.