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Queen + Adam…quem?

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Quando foi anunciado que o Queen viria ao Rock In Rio com um novo vocalista, a pergunta que muitos fizeram foi “Adam quem?” Adam Lambert foi finalista da oitava temporada do The Voice americano em 2009. Fez um medley de Beth, Detroit Rock City, e Rock and Roll All Night com o Kiss durante o episódio final. Cantou também We are the Champions com Kris Allen e Queen. Terminou em segundo lugar, porém, saiu aclamado do programa e ganhou uma vaga para substituir Freddie Mercury na nova fase da banda.

Ok, não é Queen, e sim “Queen + Adam Lambert” deixando claro que o jovem não está ocupando o lugar do insubstituível Freddie, mas… ele está nos vocais, certo? Portanto a associação é inevitável.

A banda inglesa, que conta com os remanescentes Brian May (guitarra e voz) e Roger Taylor (bateria e voz) – o baixista John Deacon largou a música, mas participa ativamente da parte financeira da banda – foi a principal atração do primeiro dia de festival, e como não podia deixar de ser, veio sob a sombra não só do ex-vocalista, mas também do show antológico na primeira edição do festival, há 30 anos.

Se formos comparar é até covardia, mas digamos que o show da noite de ontem – na verdade madrugada de hoje, pois já passava da meia noite quando soaram os primeiros acordes de ‘One Vision’ – foi correto e honesto com toda a História que os dois senhores carregam em suas costas.

Nas primeiras músicas havia uma certa frieza (seria estranheza?) da plateia em relação ao cantor, mas ao se dirigir ao público pela primeira vez, agradecer ao Queen e anunciar que a noite seria uma celebração a Freddie Mercury, ele ganhou as 85 mil pessoas, que até então só gritavam os nomes de May e Taylor e a partir dali passaram a gritar também “Adam, Adam”. Ele sabia que, apesar de estar assumindo a voz à frente da banda, seu papel era de coadjuvante, e também não caiu na armadilha perigosa para um substituto de um integrante icônico que é a de imitar o ídolo, seja nos trejeitos, ou no próprio vocal.

Lambert tem uma extensão vocal e um timbre que se aproximam de Freddie, mas fica parecido mesmo com George Michael. O maior exemplo disso pôde ser sentido em ‘Somebody To Love’, que soou muito semelhante à interpretação do inglês no “Tribute To Freddie Mercury”. Evitou fazer firulas (até fez algumas, mas logo se segurava) ou fazer versões próprias, mas também não seguiu à risca todas as notas originais, já que o objetivo não era emular o front man original.

As estrelas da noite, claro, eram Brian May e Roger Taylor, e como brilharam. Teve até pau de selfie usado pelo guitarrista para interagir com o público.

Músicos de excelência técnica e até com boas vozes (faziam ótimos backings na época do Queen, sem contar com as músicas em que assumiam os vocais), são os responsáveis por manter viva a magia da Rainha. Tanto que ‘Love of My Life’ foi tocada e cantada apenas por May sozinho no palco, e repetiu-se algo semelhante ao coro de 200 mil pessoas regidas por Freddie Mercury em janeiro de 85. Só que agora sem o vocalista e com 115 mil a menos.

A estrofe final foi completada por Freddie no telão (ainda bem que não era holograma!), mas a imagem não era tirada do show de 85 e sim do Live At Wembley de 86. Em seguida foi a vez de Taylor assumir o microfone em ‘A Kind of Magic’, sucesso do álbum homonimo de 1986 e tema do filme “Highlander”.

O baterista realizou também um duelo de baquetas com seu filho, percursionista de apoio da banda. O rebento na bateria principal ao fundo do palco e o titular em uma montada mais à frente onde fez dueto com Lambert em ‘Under Pressure’, que era uma parceria de Freddie com David Bowie. Outro ponto alto foi Bohemian Rapisody que também contou com Freddie no telão e o clássico vídeo do trecho operístico da música. O bis, como de praxe, foi a dobradinha ‘Will Rock You’ e ‘We Are The Champions’.

No fim das contas o show foi um tributo a Freddie Mercury com um cantor só, ao invés de vários como ocorreu no concerto de 1992. Adam Lambert não tem o carisma de Freddie, quanto a isso não resta dúvidas, mas possui presença de palco suficiente para cumprir o papel de suporte. E assistir a Brian May e Roger Taylor tocando ao vivo aos 68 e 64 anos respectivamente, com a vitalidade do auge do Queen sempre vale a pena, seja qual for o vocalista ao seu lado.

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