Festival do Rio: “Vermelho Russo” e a integração afetiva bem explorada

Abrindo a Première Brasil, Vermelho Russo, novo filme do diretor Charly Braun, depois de Além da Estrada, premiado nessa mesma mostra em 2010, chegou trazendo leveza e uma dose de teatralidade para o Festival do Rio 2016. Todo centrado na relação de duas amigas atrizes (as ótimas Marta Nowill, também corroteirista, e Maria Manuella) em uma viagem pela Rússia para aprimoramento do ofício e estudo do célebre método de atuação do russo Constantin Stanislavski, o filme, que curiosamente é baseado no diário real de Nowill, que fez essa viagem em 2009; as acompanha no intenso inverno russo onde vivem a dificuldade da língua, a saudade de casa e a dura rotina do curso, que trabalha encenações de clássicas obras de Tchekhov, como Tio Vânia.

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A trama desvia da previsibilidade de ser uma história turística para investir na correlação entre atuação e interpretação dos fatos pessoais, especialmente por aqueles que vivem de interpretar. As duas atrizes potencializam suas personagens com competência e essa integração entre elas explode na tela (tanto na aparente espontaneidade dos momentos mais cômicos, quanto na intensidade dos conflitos que as rivalizam), fazendo o filme funcionar para além da simples curiosidade sobre os ares russos.

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