[este artigo contém spoilers]
Um brinde à Escócia, país de tantas tradições, álcool, castelos e campos verdejantes. Garçom, traga um scotch, é hora de falar de um escocês em particular e seu mais atual trabalho.
Grant Morrison, nascido na cidade de Glasgow em 1960, é conhecido nos quadrinhos por sua narrativa intrincada e complexa, com finais que levam o leitor a pesquisar e refletir muito sobre o que o autor imaginou e compreender suas idéias. O artigo focará e refletirá brevemente sobre a mega-saga da DC Comics, Crise Final (Final Crisis), mais especificamente na edição #6, lançada ontem nos EUA e Canadá e já comentada aqui.
Grant Morrison matou o Batman. Ou melhor, Grant Morrison fritou o Batman. Mesmo? O autor de obras pensantes e reflexivas como Sete Soldados da Vitória, Os Invisíveis e Grandes Astros Superman simplesmente apelou para a morte clichê de um ícone que completa seus 70 anos de idade neste ano?
Fatos: O Homem-Morcego, após conseguir sobrepujar a toda forma de tortura mental usada pelos acólitos de Darkseid, Kalibak e Mokari, pôs-se frente a frente com o vilão mais poderoso de todos os tempos e o matou com uma bala revestida com o elemento rádio, provocando uma reação mortal ao Novo Deus encarnado na Terra, que se utilizou da Sanção Ômega para levar o Cavaleiro das Trevas ao destino final e comum: a morte.
Começando a análise do que tudo isso significa é fácil perceber que Morrison quis fechar um ciclo na vida do ícone: tudo começou com uma arma e um gatilho e é justo que termine assim, para um homem que jurou proteger todo o mal que conseguisse em vida e, antes de partir, enfrentou sozinho a personificação do mal puro e vivo. Mas o que interessa aqui são os detalhes.
Em Sete Soldados da Vitória, Shilo Norman depara-se com a Sanção Ômega de Darkseid, uma armadilha de alto nível de poder que prende o espírito da pessoa em vidas de tristeza, miséria e condenação, a menos que consiga escapar de lá e tornar novamente a andar entre os vivos. Shilo Norman, o novo Sr. Milagre, consegue escapar da armadilha como mestre de fugas que é e volta à vida. Supõe-se que isso tenha sido um teste de Darkseid, já sabendo das peripécias de Milagre e que aquilo não duraria para sempre em alguém tão virtuoso.
A questão é que Batman não é um mestre de fugas e o senhor do mal acreditou que isso condenaria Bruce Wayne para toda a eternidade – alguém tão comum jamais poderia escapar da armadilha definitiva. O que Darkseid não supôs é que Bruce não é comum e aparentou conhecer muito sobre seus poderes. “Gotcha!” (Te peguei!), ele diz, recebendo a Sanção Ômega como se fosse seu destino. Teria Batman planejado a fuga da armadilha? E mais: sabendo que tal poder pode condenar a vítima a vagar pela existência como uma alma penada vivendo suas misérias de forma eterna, Batman iria vagar pelo complexo de realidades existentes agora na DC após o evento 52?
As teorias podem ir ainda mais longe: em Final Crisis vimos cada Novo Deus reencarnar em um terrestre, mas alguém ainda não deu as caras – o antagonista do mal e mensageiro da paz, Pai Celestial. Estaria Batman disposto a aceitar esse fardo para combater o mal que jurou ainda pequeno?
Façam suas apostas. Batman pode ser o Pai Celestial, um Novo Novo Deus ou algo ainda maior e inimaginável. Grant Morrison comemorou a humanidade e sua força de vontade, dando a decisão de enfrentar o mal a um ser humano sem poder nenhum em meio a um universo de tantos poderosos e imortais.
Garçom, mais uma dose. Brindemos ao maioral.








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